Análise | Mycopunk – Fungos, metal e muito caos cooperativo
Mycopunk troca a limpeza de uma colónia infestada por fungos por tiroteios frenéticos, robôs desmembráveis e melhorias em grelha, num FPS cooperativo a preço acessível.
Jogo: Mycopunk
Disponível para: PC, PlayStation 5
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Pigeons at Play
Editora: Devolver Digital
Em Mycopunk, a missão é simples: entrar em zonas contaminadas, eliminar ameaças e recolher recursos para uma corporação que paga mal e se preocupa ainda menos com a segurança dos seus trabalhadores. Estamos no ano 4083, na lua New Atlas, onde a Saxon Corporation descobriu o valioso mineral Saxonite antes de a região ser devastada por um organismo fúngico agressivo. A premissa serve sobretudo para lançar piadas absurdas e missões, com Roachard Cox, uma barata cowboy, a transmitir ordens a partir da segurança do centro orbital.
O essencial está no combate, rápido e desordenado, mas com mais intenção do que o caos inicial deixa perceber. A movimentação não impõe limites à corrida ou aos deslizes, enquanto o sistema de recarga incentiva a alternar entre armas: para recuperar munições de uma, é preciso causar dano com a outra. O melhor detalhe, porém, está nos inimigos. As máquinas são controladas por cérebros fúngicos e podem ser desmembradas peça a peça. Destruir as pernas abranda um perseguidor, enquanto arrancar um braço pode retirar-lhe uma arma. Se as estruturas fúngicas sobreviverem, conseguem absorver destroços e armamento para se reparar ou fortalecer outras unidades. Apontar às partes certas faz diferença, e é aqui que Mycopunk deixa de ser apenas disparar para tudo o que mexe.
As cinco classes ajudam a variar a abordagem, desde o Scrapper, equipado com mochila a jato, ao Bruiser, mais resistente, capaz de criar uma barreira defensiva. O Mycologist, introduzido na versão 1.0, joga com o risco: quanto mais usa as suas habilidades, maior fica a corrupção, aumentando o poder à custa de saúde. Há espaço para experimentar, sobretudo graças ao sistema de melhorias em grelha hexagonal. Cada mod tem uma forma específica, ao estilo Tetris, pelo que equipar uma melhoria poderosa pode obrigar a sacrificar espaço noutra parte. Completar certos padrões desbloqueia bónus, transformando a gestão do equipamento num pequeno puzzle entre missões.
A variedade também ajuda a manter a equipa em movimento. Há sobrevivência por vagas, escoltas, descontaminação e operações roguelike, além de objetivos em várias etapas e segredos escondidos nos mapas. A versão 1.0 redesenha os biomas com cavernas sinuosas e espaços mais densos, tornando os confrontos mais apertados, e acrescenta a região lunar X11-B para quem procura um teste mais exigente. Em cooperação para quatro jogadores, tudo encaixa melhor: até a reanimação de um colega se transforma numa missão de resgate, já que o chassis se divide em duas metades que têm de ser reunidas sob fogo inimigo.
Há, ainda assim, algumas arestas. Os efeitos, as cores ácidas e a quantidade de inimigos podem prejudicar a leitura do combate quando o ecrã fica cheio. A progressão também pode arrastar-se para quem quiser desenvolver várias armas e configurações, e jogar a solo torna certos objetivos mais repetitivos. É possível jogar sozinho com maior conforto nesta versão, mas Mycopunk ganha mesmo vida quando existe coordenação, improviso e alguém a rir-se da confusão no chat.
Para concluir, Mycopunk é uma proposta sólida para grupos que procuram um FPS cooperativo com personalidade e sistemas que recompensam a experimentação. A história é apenas o pretexto, mas o combate por partes e as melhorias em grelha dão-lhe identidade própria. Com amigos, a contaminação de New Atlas é um trabalho que sabe bem fazer.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




