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Análise | Tales of Eternia Remastered – Um clássico que ainda sabe lutar

Tales of Eternia Remastered recupera um JRPG clássico com combates 2D, personagens fortes e melhorias que aliviam algumas arestas da era PS1.

Tales of Eternia Remastered

Jogo: Tales of Eternia Remastered
Disponível para: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: TOSE CO., LTD.
Editora: Bandai Namco Entertainment

Tales of Eternia Remastered

Tales of Eternia Remastered chega como uma surpresa bem-vinda, recuperando um capítulo da série que passou anos numa posição ingrata. Na América do Norte, o original foi lançado como Tales of Destiny II, apesar de não ter relação com o verdadeiro Destiny 2, enquanto a edição PSP ficou limitada à Europa. Algumas cópias físicas dessa versão tinham ainda um erro grave, o chamado Volt Glitch, capaz de bloquear o progresso. Baseada sobretudo no lançamento portátil, esta remasterização dá finalmente ao jogo uma edição acessível nas plataformas atuais.

A aventura começa quando Meredy, uma rapariga misteriosa que fala uma língua desconhecida, cai do céu e cruza o caminho de Reid, Farah e Keele. O grupo descobre um conflito entre Inferia e Celestia, dois mundos separados por preconceitos e ameaçados por uma catástrofe. A fantasia é clássica, mas o quarteto funciona muito bem. Reid é preguiçoso e guloso, Farah esconde conflitos por detrás do altruísmo, Keele contrabalança o entusiasmo de Meredy com o seu pragmatismo. Ao contrário de tantos RPG que deixam parte do elenco para trás, Eternia mantém estas relações no centro da história.

O combate continua a ser o seu maior trunfo. A ação decorre num plano 2D, quase como num jogo de luta, e exige atenção à distância, à direção dos ataques e ao posicionamento. Reid aposta nos golpes físicos, Farah mistura murros, pontapés e apoio, enquanto Keele e Meredy recorrem à magia. As Craymel Cages e o sistema Fringing permitem combinar espíritos elementais para desbloquear feitiços, acrescentando uma camada estratégica que ainda resulta. É possível alternar entre controlos Automático, Semi-automático e Manual, embora alguns confrontos se tornem confusos quando personagens e inimigos ficam amontoados.

Tales of Eternia Remastered

As melhorias de qualidade de vida ajudam bastante. A taxa de encontros pode ser reduzida ou desligada, é possível correr por defeito, pausar ou saltar cenas e consultar marcadores opcionais para saber onde avançar ou quando um evento secundário está disponível. Há ainda New Game+ e ajustes que permitem acelerar a progressão. O regresso dos skits, pequenas conversas que aprofundam as personagens, é particularmente importante, já que estavam ausentes das antigas versões ocidentais. Estão agora dobrados, e a nova dobragem inglesa surpreende pela qualidade. Também é possível escolher as vozes japonesas, enquanto a tradução revista evita os tropeções comuns em lançamentos desta época.

A apresentação, porém, não recebeu o mesmo cuidado em todos os detalhes. Os modos Original e Remasterizado permitem comparar os visuais, mas as personagens mantêm os sprites antigos enquanto certos objetos foram redesenhados, criando diferenças pouco harmoniosas. Também não existe opção para jogar em 4:3 ou aplicar um filtro CRT, o que desapontará quem procura uma reprodução fiel. O mapa-mundo continua pouco interessante e obriga a viagens repetidas, a deslocação rápida chega demasiado tarde para resolver o problema. A gestão do inventário, limitada a 15 unidades por objeto, e alguns minijogos também denunciam a idade do original.

Tales of Eternia Remastered

Tales of Eternia Remastered não transforma um JRPG da era PlayStation num jogo moderno, nem precisa de o fazer. Recupera uma aventura com personagens bem definidas e um combate cheio de personalidade, acrescentando ferramentas para contornar boa parte da fricção antiga. Para quem aceita o ritmo e as limitações de um RPG clássico, esta é a melhor forma de conhecer um capítulo injustamente esquecido.

Nota: 7,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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