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Banda Desenhada de Terror: 6 sugestões de leitura

Aproxima-se a passagem do dia 31 de Outubro para o 1 de Novembro e, naturalmente, torna-se essencial dar recomendações de BD’s coerentes com o espírito da época: O Terror e o Sobrenatural insurgem-se como referências. A seleção que aqui tem lugar revela os títulos que talvez muitos leitores gostariam de conhecer além das séries de sucesso como A Bela Casa do Lago (The Nice House on the Lake) e Something is Killing the Children, apesar de não estarem atualmente disponíveis em português.

Clive Barker’s Pinhead #1:

Trata-se de uma reedição da BD original lançada pela Marvel Comics em 1993, publicada em Agosto deste ano de 2026 pela BOOM! Studios. Trata-se de uma oportunidade para que o universo de Hellraiser possa ser descoberto por uma nova geração de leitores, além de prometer seduzir qualquer fã que já conhece bem os filmes e livros, o conteúdo das BD’s originais e, evidentemente, elementos ligados às personagens icónicas e infernais como Pinhead. O argumento da história deste número é de D. G. Chichester, contando ainda com o apoio da arte de Dario Carrasco Jr. e Jim Sanders III.

Clive Barker's Pinhead #1

Através do título «The Devil You Know» a história começa no próprio Inferno, mostrando-o não simplesmente como um lugar de tortura, mas como um domínio organizado, com regras, hierarquias e uma ordem que os Cenobitas ajudam a manter. Mas algo está profundamente errado: Surge uma entidade antiquíssima chamada Aggregate, que ameaça essa ordem. O problema é suficientemente grave para que Pinhead passe de torturador a uma espécie de defensor da própria estrutura do Inferno. Para tentar compreender e resolver a situação, Pinhead recorre a Ludovico Maria Sinistrari, personagem baseada no célebre demonólogo italiano Ludovico Maria Sinistrari (1622–1701). Pinhead ordena-lhe que construa uma máquina capaz de ajudá-lo a solucionar os problemas, mas a máquina não funciona como previsto. Em vez de resolver o problema, envia Pinhead através do tempo, para o ano de 1876. É aqui que começa a verdadeira aventura da série.

Para quem pretende ler a história completa, correspondente aos números #1-6, a BOOM! Studios pretende lançar a coleção integral em 2027. Até lá, há sempre a oportunidade de procurar este número e ir juntando as próximas edições.

HELLO DARKNESS:

Também lançada pela BOOM! Studios, a Hello Darkness é uma série obrigatória para quem pretende explorar o melhor do terror das BD’s norte-americanas. Em formato de antologia, iniciada em julho de 2024, em vez de acompanhar um único protagonista ou uma narrativa contínua, cada número reúne várias histórias de horror, com diferentes argumentos, personagens e estilos gráficos. A diversidade e exclusividade das histórias surgem como uma proposta que  recupera a tradição das clássicas revistas de terror Creepy e Eerie, combinando-a com abordagens contemporâneas, próximas do horror psicológico e de Black Mirror. As histórias exploram desde medos primordiais e fenómenos sobrenaturais até horrores sociais e políticos. Algumas histórias também estão ligadas ao universo de Something is Killing the Children.

HELLO DARKNESS:

Entre os autores mais conhecidos que colaboraram na Hello Darkness estão:

Garth Ennis – Conhecido por Preacher, The Boys e The Punisher. Em Hello Darkness escreve The War, uma narrativa de horror com Becky Cloonan, sua obra é marcada pela violência gráfica, pelo humor negro e pela crítica social.

James Tynion IV – Um dos nomes centrais do terror contemporâneo em BD, autor de Something Is Killing the Children, The Nice House on the Lake e The Department of Truth. Em Hello Darkness, escreve uma história de Erica Slaughter, ilustrada por Werther Dell’Edera.

R. L. Stine – Mundialmente conhecido por Goosebumps e Fear Street. A sua participação aproxima a antologia da tradição das histórias curtas de terror, com situações inquietantes e reviravoltas.

Brian Azzarello – Autor de 100 Bullets, Batman: Damned e Joker. É conhecido pelo noir violento, pelas personagens moralmente ambíguas e pelas atmosferas perturbadoras.

John Arcudi –Conhecido pelo trabalho em B.P.R.D., The Mask e outras séries de horror e ação sobrenatural. Tem uma longa experiência em narrativas de monstros e ambientes sombrios.

Cullen Bunn – Autor de Harrow County, The Sixth Gun e Bone Parish. É um nome especialmente interessante para leitores de horror sobrenatural, folclore sombrio e histórias de bruxaria.

Becky Cloonan – Autora de By Chance or Providence e colaboradora em Gotham Academy e Wonder Woman. Em The War, acumula o desenho da narrativa de Garth Ennis, contribuindo para a atmosfera sombria da história.

Francesco Francavilla – Ilustrador premiado, conhecido pelo estilo noir, pelas cores fortes e pelo trabalho em histórias policiais e de terror. É particularmente interessante para quem valoriza a componente visual da banda desenhada.

CATACOMB OF TORMENT:

EC Catacomb of Torment Vol. 1 foi publicado pela Oni Press em 16 de junho de 2026, com 136 páginas, reunindo os números #1–4. Trata-se de uma oportunidade de reconhecer outra antologia norte-americana recomendada enquadrada numa numa fase da EC Comics. O foco das histórias destas edições está no horror mais visceral, gore, body horror e doseado com humor negro que muitos leitores optam por procurar em BD. Cada número apresenta três histórias independentes, acompanhadas por uma história clássica recuperada dos arquivos da EC.

CATACOMB OF TORMENT

Em Catacomb of Torment, a figura que apresenta as histórias é The Tormentor, uma espécie de novo equivalente ao Crypt-Keeper, mas concebido de forma muito mais macabra: é uma entidade fascinada pela anatomia humana, que recebe os leitores nas suas catacumbas e os conduz através de histórias de tortura, morte, vingança e horror corporal. A própria EC Comics descreve-o como tendo um interesse quase obsessivo pela anatomia humana.

O tipo de histórias é extenso e detêm um conteúdo bastante gráfico. Uma vez que a violência é uma das características mais fortes da série, não será surpreendente que a própria promoção da Oni Press utiliza expressões como «blisteringly brutal tales» e «mayhem and malice.» Não se dedica exclusivamente a monstros ou elementos sobrenaturais, antes estabelecendo a ideia de que qualquer situação quotidiana pode transformar-se numa pequena tragédia macabra. As histórias de crime e horror psicológico sobressaem e, naturalmente, exploram as tensões e o impacto gerado por condições próprias de mutilações, torturas, assassinatos, perseguições, paranoia e outros altos níveis de desconforto.

MERCY:

Apesar de ter já sido publicada em 2020 pela Image Comics, Mercy de Mirka Andolfo continua a ser uma BD de referência e recomendada para quem aprecia histórias próprias do Gótico Vitoriano. A narrativa explora o final do século XIX, e tem cenário uma pequena povoação mineira fictícia chamada Woodsburgh, no estado de Washington, durante a época da Corrida ao Ouro de Klondike. A localidade começa a ser aterrorizada por uma série de assassinatos particularmente brutais. É então que chega à cidade uma mulher misteriosa: Lady Hellaine. Ela aparece sempre acompanhada pelo seu mordomo, Mr. Goodwill, e a sua chegada coincide com acontecimentos cada vez mais insólitos. A grande questão é precisamente: Quem (ou o que) é Lady Hellaine?

MERCY


 
A série vai progressivamente relacionando a presença de Hellaine, dama aristocrática, enigmática, extremamente bela e sensual, com a criatura responsável pelas mortes em Woodsburgh, embora haja sempre mais surpresas a descobrir. Mercy terá agora uma continuação a ser publicada no final deste ano, a Dezembro de 2026, intitulada Merciless. Irá passar-se 15 anos depois dos acontecimentos relacionados que marcaram Woodsburgh e tem como protagonista Rory, adotada no passado pela dama Hellaine.
 
 
SOMNA:
 
Somna é uma BD de Becky Cloonan e Tula Lotay, publicada originalmente pela DSTLRY em três números, entre Novembro de 2023 e Março de 2024. A edição integral tem 168 páginas e venceu o Eisner Award de Melhor Nova Série em 2024. A história passa-se numa aldeia inglesa do século XVII, no contexto das perseguições e acusações de bruxaria. A protagonista é Ingrid, casada com Roland, o oficial de justiça local e principal perseguidor de bruxas da comunidade. O casamento é frio e insatisfatório, enquanto Roland está obcecado pela sua missão de eliminar aquilo que considera heresia. É então que Ingrid começa a ter sonhos cada vez mais estranhos e eróticos, nos quais aparece uma figura masculina misteriosa. E surge a grande dúvida da história: Ela está simplesmente a sonhar ou alguma entidade sobrenatural está realmente a visitá-la?

SOMNA
 
Para quem gosta de temas relacionados com bruxaria, demonologia e outros campos do Sobrenatural, Somna é uma aposta certa. Explora o horror folclórico e o erotismo como ingredientes valiosos de uma história que muitos irão desejar ler. Visualmente também é interessante, já que Cloonan e Lotay dividem deliberadamente a linguagem visual da narrativa: As cenas do mundo real são predominantemente desenhadas por Cloonan, que representam a aldeia, o casamento de Ingrid, a perseguição às bruxas e a vida quotidiana com uma clara dosagem de realismo, com imagens pesadas e escuras. Já quando entramos no mundo onírico de Ingrid, a linguagem muda completamente, uma vez que Lotay utiliza imagens que se dissolvem umas nas outras, páginas sem limites rígidos entre vinhetas, corpos quase líquidos, cores muito intensas,  formas nebulosas e perspetivas surrealistas.
 
 
BLOOD TYPE:

O último título de BD desta seleção recomendada para a celebração de Halloween/Samhain é uma das experiências mais interessantes da nova fase da EC Comics. Trata-se de Blood Type: É a primeira série autónoma da nova EC, publicada pela Oni Press, construída a partir de uma história curta anteriormente publicada numa antologia. A protagonista é Ada, uma vampira imortal, arrogante, sofisticada e bastante pouco interessada em comportar-se como uma típica vítima ou monstro gótico.


BLOOD TYPE 

Depois de uma viagem de barco que corre mal, Ada acaba numa ilha paradisíaca das Caraíbas, aparentemente o local perfeito para uma vampira. Conta com turistas ricos, habitantes supersticiosos e uma fonte aparentemente inesgotável de sangue. Só que há um problema: Ada não é a única criatura predatória na ilha. A premissa rapidamente se transforma numa espécie de jogo de caça entre predadores, no qual surge uma criatura muito mais antiga e que possui uma relação diferente com o sangue, a carne, a riqueza e o poder. E é precisamente aqui que o título Blood Type ganha um segundo sentido: não se trata apenas de grupos sanguíneos, mas de diferentes “tipos” de predadores.
 
O argumento é de Corinna Bechko e o desenho de Andrea Sorrentino, sensível ao horror gótico contemporâneo, expressionista e extremamente atmosférico, com uma forte componente de horror corporal. A série principal teve 4 números, publicados entre junho e setembro de 2025, e continua a ser aconselhada para quem não gosta só e apenas de terror, mas sobretudo de histórias de vampiros.

Bruno Lourenço

Fascinado por História da Arte e pelo Universo Criativo da Ficção, é um entusiasta consumidor de Banda Desenhada além de leitor assíduo de obras de Ficção Científica e de Terror, com particular predileção pelo Oculto e o Sobrenatural

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