Crítica | Clayface: terror e super-heróis numa aposta ousada da DC
A primeira grande aposta dos super-heróis no cinema de terror chega esta semana às salas de cinema nacionais.
Matt Hagen é uma estrela em ascensão. De origens humildes nos bairros pobres de Gotham às praias e aos estúdios de Coast City, Matt construiu o seu caminho com papéis emblemáticos em romances e filmes de ação, aproximando-se vertiginosamente do auge da sua carreira. Do seu passado traz apenas Corey, o seu melhor amigo de infância e colega de profissão.
O seu mundo, contudo, desaba em apenas uma noite, culminando na sua violenta desfiguração.

Ostracizado e traído, Matt procura recuperar a sua antiga vida, a começar pela própria cara.
Por caminhos desconhecidos, perde-se na própria mente e numa brutal sede de vingança, mostrando-nos, mais uma vez, que os poços podem sempre revelar-se mais fundos do que inicialmente aparentam e que o melhor monstro é aquele que nos ensina a simpatizar.
Há, contudo, comparações a traçar e contextos a ter em conta.
Clayface, tal como o conhecemos, seja ele Basil Karlo, Matt Hagen ou uma mistura dos dois para manter a coesão e a acessibilidade, foi definido na cultura pop principalmente por Paul Dini e Bruce Timm (pioneiros também na conjugação de ambos os vilões) na histórica e seminal Batman: The Animated Series, mais concretamente em Feat of Clay. É sobretudo nestes dois episódios que a mitologia moderna de Clayface é definida e, por conseguinte, este filme inspira-se fortemente neles.
Por outro lado, os mais imersos nesta aventura de James Gunn no universo DC saberão que Matt já se estreou anteriormente na fantástica série de animação Creature Commandos. Posto isto, o filme não requer qualquer tipo de conhecimento prévio da personagem, até porque antecede a sua aparição na série.
Adicionalmente, o tom desta longa-metragem está longe do humor e da leveza da série. Este thriller psicológico, com a sua violência gráfica e gore, é praticamente um filme de terror, embora mais brando do que a maioria das propostas do género, não houvesse os «públicos gerais» a ter em conta.

Aqui, os sustos são principalmente substituídos pelo desconforto, em particular em breves, mas espetaculares, sequências de terror corporal. Destaca-se também o pouco recurso a jumpscares sonoros. Clayface prefere assustar não apanhando o espectador desprevenido com uma sobrecarga sensorial, mas mostrando-nos imagens violentas e desconfortáveis e deixando-nos reagir.
Se fosse obrigado a defini-lo, chamar-lhe-ia «terror-lite».
Neste período de incerteza face às adaptações de super-heróis ao cinema, é ótimo continuar a haver apostas ousadas como Clayface, e espero voltar a ver Harries no papel.
8/10
Jovem dos 7 ofícios com uma paixão enorme por tudo o que lhe ocupe tempo.
Jedi aos fins-de-semana!
