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Análise | Fire and Ashes – Quando o Verdadeiro Terror É a Própria Experiência de Jogo

Fire and Ashes é um jogo de terror psicológico da ASDstudio que falha na narrativa, no combate e na execução técnica.

Fire and Ashes

Jogo: Fire and Ashes
Disponível para: PC, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: ASDstudio
Editora: Antelus Games

Fire and Ashes

Fire and Ashes tenta vender-se como terror psicológico sobre trauma, culpa e a fronteira entre realidade e alucinação. A produção da ASDstudio parece tão perdida como Henry. Esta sequela de Burn Me Alive acumula ideias mal exploradas, combate sem substância e falhas técnicas que tornam difícil levar o medo a sério.

Voltamos a acompanhar Henry, ainda a lidar com a perda da família, entre terapia, memórias e um hospital psiquiátrico. A ligação ao jogo anterior é explícita, mas a história dificilmente convence quem não jogou o original. O argumento passa a aventura a lançar pistas soltas e despeja a explicação de quase tudo nos últimos cinco minutos. A sugestão de que Henry consegue tornar as alucinações reais surge uma vez e desaparece sem desenvolvimento.

O hospital abandonado tem alguns enquadramentos capazes de criar ambiente, mas a ilusão quebra-se quando a versão do passado apresenta pacientes com exactamente o mesmo modelo. A sequência na floresta, pensada para explorar o trauma de Henry com lâmpadas que oferecem segurança e demónios para abater, pode ser ultrapassada a correr. Os poucos puzzles também não ajudam: num deles, a pista que indica a ordem das televisões está escrita num letreiro mesmo por cima delas.

Fire and Ashes

A grande aposta promocional é a integração do microfone: os inimigos deveriam reagir à respiração, aos gritos e à voz do jogador. Na prática, a mecânica parece um truque de marketing. Só é indispensável uma vez, para levar uma personagem a abrir um portão, e basta carregar num botão para simular um grito. Os restantes inimigos mal reagem ao barulho ou às acções do jogador.

O combate corpo a corpo resume-se a carregar repetidamente no botão de ataque. Existe um sistema de defesa, mas a facilidade dos confrontos torna-o dispensável, enquanto a abundância de munições e itens de cura elimina qualquer tensão. A inteligência artificial falha de formas quase cómicas: guardas deslizam de costas na direcção de Henry e atacam para o lado errado; um chefe fica preso num caixilho, pronto a levar com frascos químicos até morrer, e o confronto final pode bloquear por causa de uma cadeira. A selecção de armas também falha, fazendo desaparecer equipamento ou seleccionando armas que nunca recolhemos.

Os problemas não ficam pela jogabilidade. Algumas interacções demoraram dois ou três minutos a activar-se, e abrir o menu acrescentava cinco segundos até regressar ao jogo. A aventura terminou ao fim de duas horas e quinze minutos, mas parte desse tempo foi gasto à espera que o jogo respondesse. As animações são rudimentares e, numa sequência num restaurante, uma canção de sonoridade artificial repete o título até a cena se tornar penosa. A ASDstudio declara o uso de IA generativa em elementos como ícones, interfaces de armas e banda sonora; falta, porém, polimento ao resultado.

Fire and Ashes

Fire and Ashes encontra ocasionalmente um cenário eficaz, mas nunca transforma essa promessa em terror, narrativa ou sistemas coerentes. Entre inimigos incompetentes, puzzles triviais, atrasos inexplicáveis e uma história que chega tarde demais, sobra pouco para recomendar. Para um jogo tão curto, consegue desperdiçar uma quantidade impressionante de tempo.

Nota: 2/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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