De Gato Fedorento para o cinema: Miguel Góis apresenta “Conversa-Açorda”
Quanto custa fazer um filme? Para Miguel Góis, bastam sete euros e meio, um telemóvel e um microfone. É desta premissa insólita que nasce Conversa-Açorda, a longa-metragem escrita, realizada e produzida pelo humorista e um dos autores de Gato Fedorento, que estreia exclusivamente nos cinemas portugueses a 26 de novembro, com distribuição da NOS Audiovisuais. Depois da divulgação do poster, foi agora revelado o trailer da comédia, que junta mais de 40 nomes conhecidos.
Filmado com uma equipa técnica de apenas duas pessoas, o filme desafia as convenções da produção cinematográfica tradicional e propõe um olhar humorístico sobre as particularidades, as contradições e os absurdos do quotidiano português. Da arquitetura contemporânea aos produtos vendidos em mercearias gourmet, passando pelos intermináveis debates televisivos sobre futebol, Conversa-Açorda transforma questões aparentemente banais em matéria para o comentário social e o humor absurdo.
Porque é que os grandes edifícios parecem ser cada vez mais feitos de vidro? Como se explica que o leite vendido em mercearias gourmet pareça ter perdido a ligação à sua origem? E porque existem tantos debates televisivos sobre jogos de futebol que ainda nem sequer se realizaram? Estas são algumas das perguntas que orientam a viagem de Miguel Góis pela realidade nacional, numa abordagem que procura encontrar o insólito nas rotinas e nos hábitos portugueses.
Miguel Góis descreve o projeto como «um filme de telemóvel sobre as especificidades da alma lusitana». A produção assume a escassez de meios como parte da própria identidade da obra, que o humorista apresenta como a fundadora de um novo movimento cinematográfico: o Cinema Indigente.
A ideia parte de uma provocação à lógica habitual de financiamento e produção de filmes. Perante a impossibilidade de fazer «cinema independente» sem dinheiro, a proposta passa por levar a falta de recursos ao extremo e demonstrar que uma ideia, uma câmara de telemóvel e um microfone podem servir de ponto de partida para uma longa-metragem.
Mais do que uma experiência técnica, Conversa-Açorda apresenta-se como uma sátira à realidade portuguesa, recorrendo a uma produção deliberadamente rudimentar para colocar o quotidiano sob observação. O resultado chega agora ao grande ecrã, num contraste entre a dimensão da estreia comercial e a simplicidade dos meios utilizados para concretizar o filme.
Um dos principais atrativos do projeto é o elenco, que reúne figuras reconhecidas do humor, da televisão, da rádio e do cinema português, a par de vários atores amadores.
Entre os nomes anunciados encontram-se Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, o próprio Miguel Góis, Lúcia Moniz, Nuno Markl, César Mourão, Pêpê Rapazote, Cleia Almeida, Joana Marques, Rui Unas, Guilherme Geirinhas, Luana do Bem, Manuel Cardoso, Os Primos e Guilherme Fonseca.
A lista inclui ainda Diana Nicolau, Frederico Amaral, Rita Frazão, Patrícia André, Pedro Acabado, Rui Pedro Silva, João Sá Nogueira, Simão Fumega, Tomás Taborda, Pedro Ribeiro, Vera Fernandes, Daniel Leitão, Ana Galvão, Inês Lopes Gonçalves, Joana Cruz, Dário Guerreiro, Diogo Beja, António Sala, José Nuno Martins, Martim Costa, Alexandre Ferreira, Cátia Domingues, Insónias em Carvão e Cláudio Almeida.
Com esta reunião de personalidades de diferentes áreas, o filme reforça a sua ligação ao universo do humor português, mantendo como ponto de partida a observação crítica de hábitos, discursos e contradições do país.
Conversa-Açorda estreia a 26 de novembro, exclusivamente nos cinemas, com distribuição da NOS Audiovisuais.
Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição.


