Análise | Deck of Haunts – Uma casa assombrada com demasiado a esconder
Deck of Haunts apresenta uma ideia de terror e estratégia original, mas a versão para Nintendo Switch fica aquém devido a controlos desajeitados e problemas técnicos.
Jogo: Deck of Haunts
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Mantis Games
Editora: DANGEN Entertainment
Há algo de especial em transformar uma casa assombrada na protagonista de um videojogo. Em Deck of Haunts, somos o coração maligno de uma mansão que pretende atrair humanos para os seus corredores, atormentá-los e impedir que cheguem ao nosso núcleo. A premissa é excelente, mas, na versão para Nintendo Switch, a execução está longe de acompanhar a ambição.
Inspirado pelo terror cósmico de Lovecraft, pela arquitetura labiríntica de House of Leaves e pela atmosfera de The Tell-Tale Heart, de Edgar Allan Poe, o jogo constrói uma identidade própria. A mansão parece esconder segredos que vão muito além das suas paredes, enquanto acontecimentos ao longo das noites ajudam a desvendar as misteriosas origens do edifício, cujos planos terão surgido na década de 1920. É um conceito que desperta curiosidade, embora nem sempre consiga transformar esse potencial numa experiência verdadeiramente memorável.
A jogabilidade divide-se entre duas fases. Durante o dia, gastamos Essência para expandir a mansão, construir divisões, adquirir armadilhas e melhorar as nossas cartas. Durante a noite, entramos na vertente tática, utilizando pontos de ação para jogar cartas, invocar criaturas, lançar feitiços e manipular os espaços enquanto os intrusos avançam. O objetivo é sobreviver a 28 noites, eliminando os invasores através de dano físico ou esgotando a sua sanidade.
É aqui que Deck of Haunts revela as suas melhores ideias. A combinação entre arquitetura, gestão de recursos e construção de baralhos permite preparar estratégias interessantes. Divisões idênticas podem ser fundidas para criar espaços maiores e mais poderosos, enquanto criaturas e armadilhas oferecem diferentes formas de controlar os movimentos dos humanos. Também é necessário acompanhar o estado psicológico dos invasores, já que o pânico e a tensão podem alterar a forma como enfrentam a mansão.
Existe, contudo, uma diferença considerável entre a qualidade destas mecânicas e a forma como são apresentadas na Switch. Os controlos são pouco intuitivos, a seleção de cartas sofre de atrasos e posicionar elementos com precisão pode transformar uma tarefa simples num exercício de paciência. A ausência de comandos táteis no modo portátil torna tudo ainda mais frustrante, sobretudo num jogo que exige tanta gestão através da interface.
Os problemas não ficam por aqui. Existem falhas nos eventos aleatórios, bloqueios que podem impedir o progresso e até crashes associados à remoção de divisões. Quando um jogo depende tanto da tomada de decisões e da gestão cuidadosa de cada turno, estas falhas comprometem a experiência de forma séria.
Visualmente, a estética sombria e a variedade das ilustrações das cartas merecem elogios, embora a mansão possa tornar-se confusa quando cresce. O som contribui para a atmosfera inquietante, mas a banda sonora poderia beneficiar de maior variedade.
No papel, Deck of Haunts é uma proposta criativa, com profundidade estratégica e potencial para muitas partidas. Na Switch, porém, os problemas técnicos e a interface pouco funcional acabam por sufocar aquilo que o jogo tem de melhor. É frustrante encontrar boas ideias enterradas sob uma conversão tão problemática.
Nota: 5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





