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Análise | Moros Protocol – Um boomer shooter perdido num roguelite mediano

Moros Protocol mistura boomer shooter e roguelite, mas será que a fórmula chega para sobreviver ao grind e aos problemas de controlo?

Moros Protocol

Jogo: Moros Protocol
Disponível para: PC, PlayStation 5,Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Pixel Reign
Editora: Super Rare Games

Moros Protocol

Moros Protocol sabe exatamente que tipo de jogador quer impressionar. Desenvolvido pela Pixel Reign e publicado pela Super Rare Games, este FPS de ficção científica tenta juntar a adrenalina dos boomer shooters dos anos 90 e 2000 com a estrutura moderna dos roguelites. A ideia é boa no papel, sobretudo quando é acompanhada por uma estética de filme de ação B dos anos 90, mas basta jogar algumas horas para perceber que esta mistura nunca chega a atingir todo o seu potencial.

A ação decorre a bordo da Orpheus, uma nave de guerra infestada pela Darkphage, uma ameaça alienígena que transformou os corredores metálicos num autêntico pesadelo de carne, sangue e luzes azul neon. Alex acorda do criossono sem memória e descobre que a restante tripulação foi dizimada. Pelo caminho, contamos com a ajuda de ODY 6 e de Abby, uma inteligência artificial que transfere a nossa consciência para novos corpos sempre que morremos. Jocasta, uma perigosa ciborgue, completa o elenco e funciona como uma presença constante durante a aventura. É uma premissa simples, mas eficaz, e encaixa perfeitamente naquele ambiente de ficção científica de série B que o jogo procura recriar.

Visualmente, Moros Protocol é provavelmente mais interessante do que a sua estrutura. Os modelos low poly, combinados com texturas pixelizadas densas e iluminação dinâmica, criam uma identidade retro bastante apelativa. As paredes cobertas de sangue, os corredores industriais e as massas de tecido alienígena em tons rosa e vermelho dão ao jogo uma personalidade que muitas produções do género gostariam de ter.

Moros Protocol

O problema surge quando passamos para o que realmente interessa num FPS, o combate. As armas têm impacto, existe uma boa variedade entre munição física, energia e armas corpo a corpo, e apontar para membros ou cabeças recompensa a precisão. Também podemos pontapear objetos e barris explosivos, enquanto a esquiva e o sprint incentivam uma abordagem agressiva. O problema é que a experiência nas consolas fica comprometida por controlos pouco afinados. A rotação da câmara é lenta, alguns inimigos têm hitboxes demasiado pequenas e, em momentos mais caóticos, a resposta dos comandos simplesmente não acompanha aquilo que o jogo nos está a pedir.

A componente roguelite também desilude. Cada zona está dividida em vários percursos com salas variáveis, comerciantes, desafios, recompensas e confrontos contra bosses. Parece haver espaço para criar builds diferentes, mas os augments são demasiado incrementais e raramente transformam a forma como jogamos. Pior, a progressão permanente obriga a um grind considerável logo nas primeiras horas, tornando várias mortes menos uma oportunidade de experimentar e mais uma obrigação para ganhar estatísticas.

Moros Protocol

Moros Protocol tem uma excelente apresentação e uma base de gunplay competente, mas fica preso entre aquilo que quer ser e aquilo que realmente consegue oferecer. É divertido em sessões curtas, sobretudo para quem gosta de boomer shooters, mas a falta de profundidade na progressão, os problemas de controlo e a repetição retiram-lhe força. A estética vende o jogo melhor do que o próprio roguelite.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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