Análise | Cozy Game Restoration: A nostalgia também se limpa
Cozy Game Restoration transforma a limpeza de cartuchos e discos antigos num simulador relaxante, com uma coleção retro à espera de ser recuperada.
Jogo: Cozy Game Restoration
Disponível para: PC
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Parasol Corp
Editora: Parasol Corp
Há qualquer coisa de particularmente satisfatório em pegar num objeto marcado pelo tempo e devolvê-lo ao seu melhor estado. Cozy Game Restoration constrói todo o seu conceito à volta dessa sensação, trocando os combates por cotonetes, pinças e alguma paciência.
Tudo começa com uma carta do avô, que nos deixa a casa e a sua coleção de videojogos. A mensagem, que só conseguimos ler com a ajuda de uma luz ultravioleta, apresenta um serviço de encomendas diárias. Todos os dias recebemos três propostas de caixas surpresa, com o preço, a plataforma, o género e a raridade dos jogos indicados. O orçamento é limitado, por isso convém escolher com cuidado, embora a curiosidade fale muitas vezes mais alto.
Os cartuchos e discos chegam cobertos de sujidade, tinta de marcador e autocolantes. Alguns discos têm ainda riscos que precisam de ser tratados. Os cotonetes removem a sujidade mais superficial, a escova de dentes permite chegar às ranhuras e as pinças ajudam a retirar etiquetas. Também temos solvente para eliminar tinta e cola, pasta para polir os riscos e uma pistola de ar quente para amolecer autocolantes e secar os produtos. Já a lanterna UV revela resíduos que poderiam passar despercebidos. Até os amendoins da embalagem têm uma pequena utilidade: podemos soprá-los pela janela ou atirá-los para um caixote do lixo em forma de dinossauro que ruge.
Ver uma etiqueta recuperar as cores originais ou a superfície de um disco voltar a ficar limpa dá vontade de continuar até conseguir a classificação máxima. As ferramentas também acumulam sujidade e precisam de ser limpas numa esponja, acrescentando uma pequena componente de gestão ao processo. Nem tudo funciona, contudo, com a mesma precisão. Por vezes, a ferramenta deixa de tocar na superfície e a interface acaba por atrapalhar o controlo da câmara. São problemas menores, mas suficientes para quebrar o ritmo de uma tarefa que beneficia de controlos mais fluidos.
Os jogos restaurados podem ser expostos numa sala que podemos decorar com posters, plantas, candeeiros e máquinas arcade. A coleção não serve apenas para encher prateleiras, já que os géneros dos títulos expostos concedem vantagens, como uma área de limpeza maior, mais velocidade ou uma lanterna UV mais eficaz. O tempo também influencia a raridade e os géneros das encomendas futuras, acrescentando uma camada de estratégia à gestão da sala. É pena que alguns objetos se sobreponham e acabem por esconder parte da decoração. Os jogos duplicados podem ser vendidos, sendo possível acompanhar a evolução do seu valor através de um gráfico que faz lembrar um painel da bolsa.
Há mais de uma centena de jogos distribuídos por seis plataformas fictícias, inspiradas na Mega Drive, Saturn, PlayStation, Game Boy, Super Nintendo e Nintendo 64. Os nomes paródicos tornam as referências facilmente reconhecíveis, enquanto as versões NTSC e PAL e o cuidado colocado nas etiquetas e nos cartuchos dão personalidade à coleção. É fácil ficar a apreciar um jogo acabado de recuperar, sobretudo quando reconhecemos o tipo de título que serviu de inspiração.
A música lo-fi combina bem com o ambiente, embora acabe por se tornar repetitiva durante sessões mais longas. A narrativa pouco vai além da carta inicial, deixando que a coleção e as tarefas de restauro sustentem praticamente todo o interesse.
O ciclo de abrir, limpar, avaliar e arrumar funciona durante várias horas, mas não consegue esconder as suas limitações. Quando as encomendas deixam de surpreender, o que resta é uma rotina que pouco muda. Ainda assim, quem gosta de hardware retro e de simuladores de limpeza encontra motivos suficientes para continuar a abrir caixas e recuperar mais algumas peças desta coleção.
Nota: 8/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





