Análise | Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition – Uma Lara difícil de acompanhar
Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition fecha a trilogia Survivor na Switch 2 com uma conversão sólida, apesar de uma Lara difícil de acompanhar.
Jogo: Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Aspyr
Editora: Aspyr
De uma maneira bastante inesperada, Shadow of the Tomb Raider: Definitive Edition chegou à Nintendo Switch 2 sem qualquer anúncio prévio da Aspyr, completando assim a trilogia Survivor na consola. Depois de Tomb Raider: Definitive Edition, lançado em novembro de 2025, e de Rise of the Tomb Raider, que chegou em junho deste ano, faltava apenas este capítulo. A edição inclui o jogo base, as sete tumbas de desafio, missões adicionais, armas, roupas e habilidades, além do modo cooperativo online para dois jogadores.
A aventura começa no México, durante as celebrações do Dia dos Mortos. Obcecada em destruir a Trinity e consumida pela morte do pai, Lara retira uma adaga de um templo em Cozumel e desencadeia a Purificação, uma catástrofe maia que traz consigo um eclipse permanente e um tsunami devastador. A viagem leva-a ao Peru e a Paititi, onde tenta impedir o apocalipse e travar o líder da Trinity, Dr. Dominguez.
O problema é que Lara tem dificuldade em conquistar a simpatia de quem a acompanha. A sua obsessão coloca a vingança acima das populações afetadas pela tragédia que ela própria provocou, enquanto os confrontos com Jonah expõem uma falta de empatia difícil de ignorar. Também existe uma contradição entre a preocupação que demonstra pelo passado e a facilidade com que destrói estruturas históricas, mesmo quando é avisada para não o fazer. Sai desta aventura mais endurecida, mas nem por isso mais interessante.
Na jogabilidade, Shadow troca parte da ação direta dos antecessores por uma maior aposta na exploração, nas tumbas e na furtividade. Os confrontos são menos frequentes, mas Lara pode esconder-se na lama, recorrer à camuflagem e atacar a partir das copas das árvores. Estas eliminações silenciosas fazem lembrar Batman: Arkham, embora a experiência continue assente na exploração, nas plataformas e na leitura do cenário. As tumbas são o grande destaque: obrigam a observar mecanismos, antecipar armadilhas e encontrar soluções sem recorrer à força bruta. Os controlos respondem bem tanto no modo portátil como no modo TV, e as sequências subaquáticas conseguem transmitir a tensão de uma sobrevivente no limite.
A conversão da Aspyr é competente. O jogo aponta para 1080p e 30 fps, tanto no modo portátil como no modo TV, mantendo uma fluidez bastante estável, mesmo durante tiroteios e perseguições. Em contrapartida, o modo portátil recorre a upscaling e perde alguma definição em comparação com a imagem na televisão. O carregamento tardio de texturas e objetos, assim como a falta de nitidez à distância, são falhas visíveis, mas não comprometem a estabilidade geral. A dobragem em português do Brasil também está incluída.
Shadow of the Tomb Raider continua a ser o capítulo mais irregular da trilogia, sobretudo devido à escrita de Lara e à menor frequência dos combates. Rise of the Tomb Raider oferece uma aventura mais equilibrada enquanto experiência independente, mas este capítulo final tem os seus méritos para quem já percorreu os dois jogos anteriores. Na Switch 2, é uma conversão sólida e uma forma prática de fechar a história, mesmo que a própria Lara nem sempre facilite a tarefa de simpatizar com ela.
Nota: 6,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.




