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Análise | Gennady – Pancadaria grotesca, dificuldade pouco afinada

Gennady combina plataformas de ação, pancadaria e elementos roguelike num mundo monocromático, mas a dificuldade nem sempre joga a seu favor.

Gennady

Jogo: Gennady
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4,PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Feed 64
Editora: Sobaka Studio

Gennady

Gennady acorda numa fábrica alienígena de processamento de carne, vestido apenas com uns boxers e rodeado por criaturas saídas de um pesadelo de desenhos animados. Com carne humana no menu, a aventura mistura gore e humor negro. A premissa recupera o espírito dos jogos de plataformas de ação dos anos 90, com referências a Earthworm Jim e Boogerman.

A apresentação é um dos seus maiores trunfos. Gennady aposta num estilo visual a preto e branco, com animação fotograma a fotograma e contrastes que fazem lembrar Sin City. A cor é reservada para assinalar perigos: o vermelho identifica armadilhas e inimigos, o azul denuncia lasers e o laranja destaca a lava. A ideia nem sempre resulta, pois os inimigos mais pequenos e os projéteis acabam por se confundir com o cenário. A banda sonora de ficção científica retro reforça a atmosfera, enquanto a voz grave do protagonista parece saída de um filme policial noir.

Na prática, estamos perante um jogo de plataformas de ação lateral com estrutura roguelike. Corremos, damos um duplo salto e podemos recorrer a uma investida com cargas limitadas, que também permite atravessar inimigos. Já os combates corpo a corpo são menos convincentes. Os murros podem ser direcionados, mas a zona de impacto nem sempre corresponde ao que vemos no ecrã. Por vezes, nem sequer conseguimos atingir um adversário que está imediatamente abaixo de Gennady. Os períodos de invulnerabilidade são curtos, deixando-nos frequentemente expostos. Como o protagonista é bastante frágil, estas limitações acabam por pesar na experiência.

Gennady

Existe ainda um modo de fúria que aumenta a velocidade, torna Gennady invulnerável e permite despachar inimigos com ataques mais poderosos. Para o ativar, temos de jogar quase na perfeição e evitar sofrer qualquer dano, pelo que raramente conseguimos recorrer a esta habilidade fora do tutorial. É uma recompensa vistosa, mas difícil de alcançar para quem ainda está a tentar dominar os controlos.

Cada tentativa começa na base de operações, de onde acedemos aos níveis através de televisores. Os percursos e os perigos são gerados novamente após cada morte. Pelo caminho, encontramos lojas que vendem saúde, escudos e melhorias, salas de desafio opcionais que oferecem recompensas e pontos de controlo que nos dão uma tentativa extra. Quando morremos, uma galeria de tiro permite recuperar até três objetos para a corrida seguinte. Há ainda páginas de banda desenhada, um bestiário e uma galeria de itens que incentivam a exploração, embora nem sempre seja fácil sentir que o progresso compensa o esforço.

É sobretudo na dificuldade que Gennady perde o ritmo. Alguns inimigos voadores perseguem-nos entre ecrãs e atacam com uma rapidez que nem sempre parece justa. Já os bosses e a distância entre pontos de controlo podem transformar um simples erro numa longa repetição de secções que já tínhamos ultrapassado. As melhorias ajudam a tornar as tentativas seguintes mais suportáveis, mas não resolvem os problemas de equilíbrio nem tornam os confrontos mais fáceis de interpretar.

Gennady

Gennady tem identidade visual, humor e uma clara paixão pelos jogos de plataformas de outra época. Falta-lhe, contudo, algum trabalho no combate, na leitura dos perigos e na curva de dificuldade. Quem procura um desafio exigente e tem paciência para lidar com estas arestas encontrará motivos para continuar. Para os restantes, a frustração acaba por surgir tantas vezes como os próprios inimigos.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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