Títulos de filmes LOST IN TRANSLATION!

Com a polémica à volta do título do próximo filme da Marvel (Capitão Marvel), resolvemos recordar algumas das mais incríveis traduções portuguesas de títulos que já passaram pelo cinema!

capitão marvelO espectador, conhecedor dos títulos originais dos filmes, por vezes questiona-se da escolha do título nacional.
Se por vezes  pergunta quem é que teve criatividade para se lembrar do título, em outras ocasiões os títulos podem mesmo desvendar o mistério do filme.

A opção mais recente é o subtítulo, que por vezes também serve como frase comercial.

Por estes dias o espectador entra no cinema e depara-se com os cartazes de “Captain Marvel” e questiona-se porque está entre parêntesis “Capitão Marvel”. E porquê que está Capitão e não Capitã, como sempre foi conhecida na banda desenha. Ou então encontra o cartaz do filme “Green Book” e na linha inferior encontra o subtítulo “Um Guia Para a Vida”, e é um complemento bastante feliz pois o Livro Verde (do título original) durante algumas décadas informava os afro-americanos sobre os locais onde se podiam hospedar sem enfrentar o racismo.

Vamos recordar algumas escolhas nacionais:

No Natal de 1988 a Castello Lopes estreava por cá “Assalto ao Arranha-Céus”, o grande sucesso do verão norte-americano. 30 anos depois a grande maioria dos espectadores recorda o filme pelo título original, “Die Hard”. Na sequela os espectadores nacionais só precisaram de ler o título para saberem que acção do segundo filme tinha mudado de cenário: “Assalto ao Aeroporto”! A saga teve ainda mais 3 filmes e os títulos portugueses passaram a incluir “Die Hard”.

Actualmente os cinéfilos têm dificuldade em recordar a que filme se refere o título “O Homem que Veio do Futuro”. Em 1968 a Castello Lopes terá tido algum receio em estrear um filme de ficção científica com a tradução do título “Planet of the Apes”! Mas a tradução infeliz estraga completamente o final do filme, revelado assim o seu grande plot twist final. Seja como for, os filmes seguintes da saga já incluíram “Planeta dos Macacos”.
Robocop” recebeu o subtítulo de “O Polícia do Futuro”. Mais uma vez, e 30 anos após a estreia, os espectadores recordam-se apenas do título original “Robocop”. No final dos 80 estreou ainda “The Running Man”, com Arnold Schwarzenegger, e em Portugal recebeu o título de “O Gladiador”.

No início de 1980 estreava nos cinemas portugueses “As Motos da Morte“, um filme de produção australiana com um jovem actor chamado Mel Gibson e com o título original “Mad Max“. Só 3 anos depois é que as palavras  Mad Max apareceram nos cartazes dos cinemas nacionais, na  estreia de “Mad Max 2: O Guerreiro da Estrada“.

Enquanto se aguarda pelo trailer de “Rambo V“, recorde-se que a primeira vez que vimos o veterano da guerra do Vietname no grande ecrã o filme tinha o título de “A Fúria do Herói“, tradução da Lusomundo ao título original “First Blood“. Para o segundo filme os norte-americanos já chamaram o nome da personagem ao título e o resultado foi “Rambo: First Blood Part II“, nos cinemas portugueses a Columbia Tristar Warner chamou de “Rambo II: A Vingança do Herói“. Hoje são os filmes do Rambo!

Ainda existe algum cinéfilo que recorde os filmes da saga Karate Kid pelo título escolhido pela distribuidora portuguesa (Columbia Warner)?  Nos três primeiros filmes o título usado foi “Momento da Verdade“.   10 anos depois,  Ralph Macchio foi substituído por Hilary Swank, e o título português escolhido foi “Karate Kid – A Nova Aventura“.
No final dos anos 80 chegou aos cinemas “The Punisher” com Dolph Lundgren no papel de Frank Castel, por cá a distribuidora (terá sido a Filmitalus?) estreou o filme com o título “Fúria Silenciosa“.

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Passaram-se 15 anos da estreia, mas podiam-se passar 15 dias que poucos espectadores têm a referência do título nacional de “Lost in Translation”. Por terras lusas, a distribuidora LNK estreou o filme com o título “O Amor é um Lugar Estranho”.

A LNK durou poucos anos, mas período suficiente para um outro bom exemplo de como um título pode já revelar o filme “Viram-se Gregos para Casar” foi a escolha portuguesa para o sucesso norte-americano “My Big Fat Wedding”. Se alguém tinha dúvidas sobre o final desta comédia romântica… o spoiler ficou implícito no título português.

Por falar sobre títulos com spoiler, a Columbia Tristar Warner estreou “50 First Dates” com a tradução “ A Minha Namorada tem Amnésia”. Perante tanta informação no cartaz, o espectador já sabe o que esperar do filme: Drew Barrymore tem amnésia e namora com Adam Sandler.

O Meu Primeiro BeijoDepois de “Sozinho em Casa” os fãs viram Macaulay Culkin em “My Girl”, o público português já sabia algo que acontece num filme cujo título nacional é “O Meu Primeiro Beijo”. A surpresa aconteceu na estreia da sequela, intitulada de “O Meu Primeiro Beijo 2”! Nem sequer foi “O Meu Segundo Beijo”…

E por mencionar histórias românticas, bastava olhar para o cartaz do filme “Her” de Spike Jonze para deduzir que poderíamos estar perante “Uma História de Amor”, título português do filme com Joaquin Phoenix.

No início de 2017 estreou “Bone Tomahank”, um western bastante interessante que chegou aos cinemas portugueses com o estranhíssimo título “A Desaparecida, o Aleijado e os Trogloditas”. O filme, com Kurt Russell, Patrick Wilson, e Richard Jenkins, merecia melhor título!Curiosamente umas semanas antes tinha estreado em Portugal “Hell or High Water”, um drama passado no Texas que recebeu 4 nomeações aos Oscars, incluindo de Melhor Filme, e por cá ganhou o subtítulo “Custe o Que Custar!” Talvez o título tenha contribuído para que a exibição do filme com Jeff Bridges, Ben Foster e Chris Pine tenha vendido pouco mais de 3 600 bilhetes em Portugal.

Curiosamente, por essa mesma altura “Hacksaw Ridge” estreava em Portugal com o título “O Herói de Hacksaw Ridge”. O filme venceu 2 Oscars e esteve nomeado para mais 4 prémios da Academia, incluindo para Melhor Filme. O reconhecimento no título do esforço do soldado interpretado por Andrew Garfield terá contribuído para que muitos espectadores tenham pedido bilhete para “O Herói de…”. E o filme realizado por Mel Gibson vendeu 150 mil bilhetes em Portugal! Já agora, Hacksaw Ridge foi o nome que os soldados americanos, durante a Segunda Guerra Mundial, deram a uma colina no Japão.

Quando no próximo verão estrear “Toy Story 4”, poucos cinéfilos terão na memória o título nacional do primeiro filme das aventuras dos brinquedos de Andy. Em 1996 a Lusomundo e a Disney estrearam em Portugal “Toy Story: Os Rivais”.
Já por duas vezes que a Disney levou ao grande ecrã a divertida e comovente aventura familiar “Parent Trap”; em Portugal a versão de 1961 teve o título “As Duas Gémeas” e em 1998 o filme que revelou Lindsay Lohan recebeu o título “Pai para Mim… Mãe para Ti”.
Em 1968 a Disney tornou o carocha no carro mais famoso do cinema. O título original “The Love Bug” resultou na tradução “Se o Meu Carro Falasse”. Nos filmes seguintes os espectadores já encontravam no título original e na versão em português o nome do carro, Herbie.

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Ron Shelton recebeu uma nomeação para o Oscar de Melhor Argumento Original pelo filme “Jogo a Três Mãos” (Bull Durham) com Kevin Costner, Susan Sarandon e Tim Robbins. O argumentista e realizador também escreveu filmes que originaram traduções únicas por estes lados: “A Brigada do Reumático” (The Best of Times), “O Ringue” (Play it to the Bone), “Branco Não Sabe Meter” (White Men Can’t Jump) e no final de 2017 estreou “Entre Rivais” (Just Getting Started).

Nas comédias encontram-se inúmeros filmes cujo título original é bastante diferente do título em português. Se não, veja-se o caso de “The Naked Gun” em Portugal ficou conhecido como “Aonde é que Pára a Polícia”; “Balls of Fury”, com Christopher Walken, recebeu o  ambíguo título de “Não Me Toques nas Bolas!”;  “Dodgeball” recebeu o título português de “Uma Questão … de Bolas” e “Harold and Kumar Go to The White Castle”, nos nossos cinemas foi baptizado de “Grande Moca, Meu”; “Are we There Yet” recebeu a tradução de “Estás Frito, Meu!”; “We’re the Millers” ficou conhecido como “Trip de Família”; “Old School” foi traduzido para “Dias de Loucura“; E “Mousehunt” em Portugal estreou com o título “Não Acordem o Rato Adormecido“.

E os filmes com Billy Cristal que nos nossos cinemas receberam títulos como “A Vida, o Amor … e as Vacas” (City Slickers), “Em Busca do Ouro Perdido” (City Slickers II) “Amor Inevitável “(When Harry Met Sally) e “Uma Questão de Nervos” (Analyze This).

As comédias produzidas por Judd Apatow (também argumentista e realizador) originaram traduções em Portugal como “O Melga” (The Cable Guy), “Alta Pedrada” (Pineapple Express), “Um Azar do Caraças” (Knocked Up), “Um Belo Par… de Patins” (Forgetting Sarah Marshall).

E para simplificar a escolha dos espectadores na hora de ir ao cinema, fica mais fácil perceber que o filme Must Love Dogs” é uma comédia romântica porque no cartaz diz Mulher com Cão Procura Homem com Coração. Ou, a comédia romântica com Hugh Grant e Sandra Bullock “Amor Sem Aviso” é o título português para “Two Weeks Notice”.

E por falar em Sandra Bullock, se o espectador português não sabia o que acontece em “Speed”, o título português esclarece “Perigo a Alta Velocidade”!

E nos filmes de terror também existem títulos nacionais bem diferentes dos originais:
Zombie Party – Uma Noite … de Morte” refere-se ao filme “Shaun of the Dead”; “O Coleccionador de Olhos” refere-se ao filme “See no Evil”; “O Comboio dos Mortos”, com Vinnie Jones e Bradley Cooper, no original chama-se “The Midnight Meat Train”; O primeiro filme da saga “Saw” recebeu o título português de “Saw – Enigma Mortal“; “Silent Hill” em Portugal ganhou o título de “A Maldição do Vale“; e uma referência para os filmes “The Ring“: o original japonês recebeu o título “Ring – A Maldição” e o remake norte-americano “The Ring – O Aviso“.

E um dos maiores spoilers no título português será no clássico filme de Alfred Hitchcok “Vertigo”, que nos nossos cinemas recebeu o nome de “A Mulher que Viveu Duas Vezes”.

E estas são apenas algumas referências. E tu de quais te lembras?

Ricardo Lopes

Começou a caminhar nos alicerces de uma sala de cinema, cresceu entre cartazes de filmes e película. E o trabalho no meio audiovisual aconteceu naturalmente, estando presente desde a pré-produção até à exibição. Membro da Academia Portuguesa de Cinema.

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2 Responses

  1. Gustavo Santos diz:

    “O Homem que veio do Futuro” não é um título spoiler para o plot twist… Na verdade no final do filme percebe-se que o protagonista viajou para o futuro. Portanto o homem veio foi do passado (distante)… 😉

  2. Manuel diz:

    E o Caminho das Estrelas tanto na tv como no Cinema depois nomeados Star Trek …,
    E as Guerras das Estrelas muito mais tarde nomeadas como Star Wars,
    Knight Rider o Justiçeiro.,the A -Team ou Soldados da Fortuna-

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