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Roguelites: Mais um dia, mais uns quantos para se jogar

Os jogos roguelite parece que chegaram para ficar, não é? A cada dia que passa, se formos verificar a lista de jogos do gênero, vamos constatar que fica cada vez maior. Se, de certa maneira, já apresentei como devem ser feitos jogos roguelite, de forma a rejuvenescer o género e, agora, trago-vos o que não deve ser feito.

ScourgeBringer

A proposta da Flying Oak Games para jogos roguelite chegou com ScourgeBringer. Mas será esta uma boa opção para os fãs do género?

Passado num mundo pós-apocalíptico, uma entidade criou o caos entre toda a humanidade. De forma a salvá-la, somos colocados nos pés de uma das guerreiras mais mortais de um clã, Kyhra e temos que a ajudar a explorar todo um mundo desconhecido, enquanto esta destrói tudo o que aparece à sua frente, esfaqueando várias máquinas antigas que guardam algo relacionado com o seu passado e, talvez, a redenção da humanidade. Este é o ponto de partida para ScourgeBringer, um jogo em que a história pouco ou nada importa de certa maneira.

ScourgeBringer

Tal como já disse, estamos perante um roguelite, ou seja, um jogo em que existe muita tentativa-erro para avançar ao longo dos níveis e, quando morremos, temos oportunidade para evoluir e assim, criar uma forma e uma outra estratégia para tentarmos passar a área. ScourgeBringer neste caso, acaba por ir beber muita inspiração a Celeste e a Dead Cells. É um jogo pixelizado em que jogamos a uma velocidade estúpida, acompanhados por movimentos rápidos e que, e ainda bem, tem uma bela música a acompanhar. Diga-se de passagem, que esta música é uma espécie de melodia mais ligada ao metal, que deixará qualquer jogar empolgado.

Porém, e voltando a referir, os roguelite é um género que começa a ficar cansado, especialmente se forem lançados todos os meses vários jogos com a mesma temática. Podem ter várias ideias novas e uma história de louvar, mas, se continuarem a usar a mesma ideia ao longo de vários jogos não há forma de dar a volta. Vão continuar a ser jogos que existem para fazer o jogador passar o tempo, ficar frustrado e, ao fim do dia, desligar deles e esquecer que eles existem. No caso de ScourgeBringer, podemos mesmo ter vontade de continuar a jogar por uns dias mas, ao final de uma semana das duas uma: ou estamos empancados numa parte e não nos apetece jogar novamente ou, já acabamos o jogo uma ou duas vezes e não nos aparece existir uma razão aparente para voltarmos a jogar, depois do ânimo inicial.

Por outro lado, é-nos apresentado pela Timberline Studios mais uma proposta, desta vez, The Red Lantern. Confesso que, inicialmente estava muito curioso para ver como seria jogar esta aventura. Fiquei completamente apaixonado quando vi o trailer lançado num Nintendo Direct (que por si já é um grande estatuto).

The Red Lantern

No entanto, acabei desiludido. Não existe melhor forma de explicar este jogo: desilusão atrás de desilusão. Não posso negar que o início promete bastante: temos de procurar 5 cães que nos irão ajudar na nossa jornada no Alasca. E, digamos que todas as linhas de conversa entre a protagonista e os seus companheiros caninos são carregadas de humor e até de algum sentimento de solidão, mas, depois disto é sempre a descer.

Mesmo que, neste caso, a história seja bastante importante, já que navegamos pelo Alasca que vai mudando completamente, com o objetivo de encontrar o nosso caminho para casa, a cabine com uma lanterna vermelha, a realidade é que nos perdemos demasiado.

The Red Lantern

O instinto de sobrevivência é demasiado importante para ser ignorado, é verdade, mas também não é necessário andarem-nos a recordar de 10 em 10 segundos que temos de alimentar os cães e a nós mesmo. Especialmente num jogo chego de erros e que para ter encontros com animais para os caçar é como pedir a S.Pedro que não chova num dia em que o céu está completamente negro. E, a verdade é que existem imensos encontros que poderíamos ter, mas, por alguma razão eles acabam por não existir.

No entanto, tenho que dar os parabéns à Timberline Studios por uma razão só. Graficamente é um jogo bonito mas, como não é só de beleza que se vive, acabamos por estar perante um jogo que considero inacabado e bastante aborrecido ao fim de 2 horas ( que chega e sobra para chegarmos à tal almejada cabine).

Resta concluir que, voltamos a ver um género completamente estagnado e, quando aparecem algumas ideias novas e frescas, estas podem entrar na ciclo vicioso do “mais do mesmo”, perdendo-se no meio de outros tantos.

ScourgeBringer (Nota Final: 5/10)

Disponível para: PC, Xbox One, Nintendo Switch

Desenvolvedor: Flying Oak

Distribuidor: Plug In Digital

The Red Lantern (Nota Final: 4/10)

Disponível para: PC, Xbox One, Nintendo Switch

Desenvolvedor: Timberline Studio

Distribuidor: Timberline Studio

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