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Cinema: Crítica – Mortal Kombat II

Mortal Kombat II é a sequela mais esperada das adaptações de videojogos, baseada no popular beat ’em up, protagonizado por Karl Urban como Johnny Cage.

Durante muitos anos, as adaptações cinematográficas de videojogos foram sempre vistas como um enorme risco. Adaptar um meio interativo para o grande ecrã exige, entre muitas outras coisas, um argumento que agarre a essência fundamental do material de base e a transforme numa experiência diferente. Ao longo da última década e pouco, orçamentos maiores permitiram que certos filmes fossem aceitáveis, com narrativas com algum tipo de profundidade. Quando o primeiro Mortal Kombat estreou, em plena primavera de 2021, durante a segunda vaga da pandemia, o filme foi recebido de forma morna, prometendo efetivamente que, na sua sequela, o torneio que todos esperavam fosse adaptado para o cinema; e assim aconteceu com a estreia de Mortal Kombat II.

Continuando a história do primeiro filme, o grupo de guerreiros humanos do Reino da Terra está prestes a entrar no Combate Mortal, faltando um elemento para a sua equipa: Johnny Cage (Karl Urban). O ex-ator, que ganha a vida a ir a convenções nostálgicas, é o escolhido para integrar o grupo que fará de tudo para salvar a Terra de Shao Kahn (Martyn Ford), que agora tem do seu lado Kitana (Adeline Rudolph).

A mais recente iteração de Mortal Kombat faz questão de não repetir aquilo que foi feito nos anos 90, como também de dedicar tempo a toda a história e legado do franchise, e das suas muitas personagens. Este world-building acaba por ser um fator essencial para dar ao filme um propósito, de modo a que o espectador se sinta realmente envolvido no mundo e a presença das próprias personagens não seja meramente superficial.

A luta pela sobrevivência da humanidade não é tarefa fácil, e é por isso que confiar em Johnny Cage, uma das personagens mais populares de sempre, é uma ideia quase tão genial como descabida. Afinal, quando é que não podemos contar com o espertalhão do grupo? Para além disso, as outras tantas personagens deste ensemble têm as suas próprias lutas, em função da missão principal.

Os combates são verdadeiras recriações adaptadas diretamente dos videojogos, desde os cenários às coreografias marciais, passando pela violência excessiva, correspondendo exatamente com tudo o que conhecemos e amamos em Mortal Kombat. Comparativamente com o filme anterior, tudo é elevado a mil, tornando a sequela um filme mais apetecível face às expectativas. O grande leque de personagens representadas faz com que o filme pareça mais fragmentado do que realmente é, mas a sua grandeza aparente vai conseguindo disfarçar isso na maioria das vezes.

Com mais lutas, mais violência e uma história muito mais atraente, Mortal Kombat II é a sequela de que havia muita necessidade, sobretudo pela forma como trata a iconografia como uma parte fundamental da experiência, e não como uma menção meio envergonhada. Num ano em que Street Fighter também regressa ao grande ecrã, 2026 será assim marcado pelas adaptações dos titãs dos beat’em up. O jogo está lançado, e no final do ano veremos quem sai vencedor.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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