Análise | Dog Man: Bark in Action – Plataformas feitas à medida dos mais novos
Dog Man: Bark in Action (que em Portugal, foi traduzido para Homem-Cão: Latidos em Ação) adapta o universo de Dav Pilkey num plataformas 2D colorido e acessível.
Jogo: Dog Man: Bark in Action
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Floor 84
Editora: Mindscape

Dog Man e os Supa Buddies são chamados pelo chefe da polícia quando um nevoeiro misterioso toma conta da cidade e um cientista usa um ecrã para hipnotizar os habitantes. A premissa é tão disparatada quanto seria de esperar dos livros, e a narrativa acompanha esse espírito através de vinhetas, caixas de diálogo e pequenas sequências animadas. A história salta por vezes entre situações sem grande preocupação em explicar tudo, mas o caos encaixa no tom da obra de Dav Pilkey.
A estrutura é a de um plataformas tradicional, com deslocação lateral e obstáculos que pedem para carregar em interruptores, empurrar caixas ou evitar lasers. A principal ideia está na possibilidade de alternar entre Dog Man, Li’l Petey e 80-HD. Cada membro dos Supa Buddies tem ferramentas próprias: Dog Man ataca à distância com ossos, 80-HD usa um punho mecânico e ímanes, enquanto Li’l Petey passa por espaços apertados e recorre a fogo ou a um raio de encolhimento. As habilidades são desbloqueadas ao longo da campanha e dão algum ritmo à progressão.
O problema é que o jogo raramente tira verdadeiro partido desta variedade. Os níveis introduzem mecanismos diferentes, mas a dificuldade mantém-se muito baixa e os bosses resolvem-se, demasiadas vezes, com ataques à distância repetidos. Até o fato mecânico temporário, que torna Dog Man invulnerável, parece uma solução à procura de um problema. Também podemos chamar amigos resgatados em troca de baterias para partir paredes, ultrapassar barreiras ou recuperar saúde, mas só alguns destes apoios têm utilidade frequente.
Há bastante para fazer fora do caminho principal. A campanha atravessa mais de 60 níveis, em cenários como a cidade, o laboratório, as prisões e um vulcão, com uma passagem pelo espaço à mistura. Cada mundo inclui desafios contra o relógio, em níveis a preto e branco, além de emblemas, cães escondidos, páginas de banda desenhada e novelos de lã. Estes últimos permitem desbloquear fatos e dão motivos para explorar cada canto. A história principal ronda as seis horas, com mais algumas para completar os extras.
Visualmente, Bark in Action percebe o que torna os livros reconhecíveis. As cores fortes, as animações e o desenho das personagens aproximam-se do traço original, enquanto a banda sonora mantém um perfil discreto. É pena que surjam quebras de fluidez e pequenos soluços de desempenho nas zonas mais avançadas, sobretudo no vulcão, apesar de o jogo não parecer particularmente exigente.
Dog Man: Bark in Action sabe a quem se dirige e funciona como primeiro contacto com os plataformas: é acessível, simpático e raramente frustrante. Para quem procura um desafio exigente, a repetição e a baixa dificuldade deixam pouco para descobrir. Para crianças ou sessões descontraídas, esta é uma adaptação competente, com conteúdo suficiente para além da campanha.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.



