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Jogos: Legacy of Kain: Ascendance – Análise

Legacy of Kain: Ascendance tenta ressuscitar um clássico, mas tropeça entre nostalgia e decisões criativas discutíveis.

Legacy of Kain: Ascendance

Jogo: Legacy of Kain: Ascendance
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Bit Bot Media
Editora: Crystal Dynamics

Legacy of Kain: Ascendance
Legacy of Kain: Ascendance marca o regresso de uma franquia que esteve adormecida durante mais de duas décadas, e fá-lo com uma proposta inesperada, um action-platformer 2D com estética retro. À primeira vista, há aqui algo de sedutor, aquele charme pixelizado com iluminação moderna que pisca o olho a clássicos como Super Castlevania IV, mas rapidamente se percebe que a identidade visual não sabe bem o que quer ser. Entre sprites bem trabalhados, retratos anime expressivos e cutscenes em 3D de baixa fidelidade ao estilo PlayStation 1, o jogo parece um mosaico de ideias que nunca se fundem num todo coerente.

A narrativa, que deveria ser o grande trunfo de Legacy of Kain, acaba por ser o seu maior ponto de fricção. Ao introduzir Elaleth, uma irmã desconhecida de Raziel, como peça central de todos os eventos da saga, o jogo reescreve de forma agressiva o cânone estabelecido. Kain e Raziel deixam de ser motores da história para se tornarem quase peões manipulados, uma decisão que dificilmente cairá bem junto dos fãs de longa data. A ligação ao material base, nomeadamente à graphic novel, não eleva o enredo, e o desfecho, em vez de fechar arcos narrativos, prefere provocar um futuro que ainda não sabemos se alguém pediu.

Legacy of Kain: Ascendance

No campo da jogabilidade, Ascendance mistura plataformas lineares com combate básico e uma mecânica constante de drenagem de vida que funciona mais como irritação do que como desafio estratégico. A necessidade de alimentar constantemente os protagonistas quebra o ritmo e penaliza a exploração. O combate é funcional, mas limitado, sem combos, sem grande profundidade, com um sistema de parry inconsistente que raramente oferece aquele feedback satisfatório que se espera. Os bosses, por sua vez, são surpreendentemente fáceis, quase triviais, o que retira impacto aos momentos que deveriam ser memoráveis.

Os controlos não ajudam, com uma sensação ligeiramente desajeitada, saltos que não respondem como esperado e um design de níveis que parece montado sem grande lógica espacial. Há armadilhas mal sinalizadas e inimigos com inteligência artificial errática, que tanto se suicidam em penhascos como se agrupam para facilitar a vida ao jogador. A variedade também deixa a desejar, com repetições constantes que rapidamente se tornam previsíveis.

Ainda assim, há mérito no trabalho de som. O regresso do elenco original dá peso à experiência, mesmo que algumas vozes revelem a passagem do tempo. As novas adições encaixam bem no tom melodramático, criando momentos pontuais de verdadeiro impacto.

Legacy of Kain: Ascendance

Em jeito de conclusão, Legacy of Kain: Ascendance é uma experiência curta, cerca de quatro horas, que tenta fazer muito, mas acerta pouco. É um regresso que levanta mais questões do que entusiasmos.

Nota: 5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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