Jogos: Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition (Nintendo Switch 2) – Análise
Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition na Nintendo Switch 2 junta um dos JRPGs mais ambiciosos da geração a uma expansão sólida, apesar de irregular.
Jogo: Tales of Arise – Beyond the Dawn Edition
Plataforma Disponível: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series
Plataforma testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedor: Bandai Namco
Editora: Bandai Namco
Devo dizer que, Tales of Arise, agora relançado como Beyond the Dawn Edition para a Nintendo Switch 2, continua a ser um dos melhores exemplos modernos de equilíbrio entre tradição e evolução. Mesmo passados alguns anos desde o lançamento original, esta mistura de anime sci-fi, fantasia épica e drama político ainda tem força suficiente para prender qualquer fã de RPGs japoneses durante mais de 100 horas.
A história continua a ser o maior trunfo do jogo. O conflito entre Dahna e Rena não serve apenas de pano de fundo para batalhas bombásticas, serve para explorar colonialismo, opressão e revolução de forma surpreendentemente madura para um título deste género. Alphen, o antigo “Iron Mask”, e Shionne carregam a narrativa com uma química forte, mesmo quando alguns diálogos parecem tropeçar entre momentos demasiado melodramáticos e outros genuinamente emocionantes. O jogo acerta sobretudo na forma como mostra o peso da liberdade depois da revolta, algo raro em videojogos, ainda mais em JRPGs tão comerciais.
Nem tudo funciona com a mesma consistência. A segunda metade da campanha estica-se mais do que devia e há um claro problema de ritmo narrativo. Certas revelações aparecem tarde demais e alguns twists parecem existir apenas para aumentar artificialmente a escala do conflito. O resultado é uma recta final menos focada e mais cansativa do que o início brilhante fazia prever.
No combate, Tales of Arise continua extremamente viciante. O sistema de batalha em tempo real mistura hack ‘n’ slash, gestão táctica da equipa e combos aéreos com uma fluidez impressionante. Cada personagem tem um papel bem definido e há prazer genuíno em dominar timings, interrupções mágicas e ataques cooperativos. Quando os ataques especiais entram em cena, o jogo quase parece um anime interactivo de alto orçamento. É exagerado, explosivo e funciona muito bem.
Ao mesmo tempo, o balancing começa a desfazer-se perto do fim. Muitos inimigos tornam-se autênticas esponjas de dano e alguns bosses arrastam-se demasiado, transformando batalhas intensas em testes de paciência. Felizmente, o excelente sistema de IA personalizável ajuda a reduzir frustrações e mantém o ritmo mais dinâmico.
Na Nintendo Switch 2, o resultado técnico é competente e até surpreendente em modo portátil. Os visuais continuam lindíssimos graças ao filtro artístico que transforma cada cenário numa pintura anime em movimento. As cutscenes correm a 1080p e 60fps com óptima estabilidade, enquanto a exploração e combate ficam nos 30fps, embora existam pequenas oscilações ocasionais. Não é o port definitivo em termos técnicos, mas é uma adaptação sólida e muito confortável para jogar em handheld.
Já Beyond the Dawn é uma expansão competente, mas pouco ambiciosa. As cerca de 20 horas extra oferecem mais contexto para o pós-guerra e fecham algumas pontas narrativas interessantes, mas faltam ideias novas. Não há mecânicas inéditas relevantes, nem novas personagens jogáveis, e isso faz com que o DLC pareça mais um epílogo prolongado do que uma verdadeira expansão transformadora.
Ainda assim, para fãs de JRPGs focados em narrativa, personagens fortes e combate estiloso, Tales of Arise continua a ser uma recomendação fácil. Mesmo com problemas de ritmo e algum desgaste estrutural na parte final, continua a ser uma aventura memorável, emocional e visualmente impressionante.
Nota: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






