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Jogos: Mina the Hollower – Análise

Mina the Hollower é um jogo da era Game Boy Color, mas com ambição moderna, combate brutal e um mundo que pede exploração constante.

Mina the Hollower

Jogo: Mina the Hollower
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Yacht Club Games
Editora: Yacht Club Games

Mina the Hollower
A Yacht Club Games percebeu perfeitamente a sua missão. Depois de ter conquistado o circuito indie com Shovel Knight, o estúdio regressa agora com Mina the Hollower, uma aventura de acção top-down que parece saída de um cartucho perdido da Game Boy Color, mas que esconde um design contemporâneo, cruel e surpreendentemente ambicioso.

A história coloca-nos na pele de Mina, uma inventora brilhante e membro da guilda Hollower, especialista em combate e em escavar pelo subsolo. A ilha de Tenebrous Isle está mergulhada no caos depois de sabotagens aos gigantescos Spark Generators, máquinas criadas pela própria Mina para impulsionar uma nova revolução tecnológica. O ponto de partida parece simples, reparar os geradores e salvar a ilha, mas rapidamente surgem temas mais densos ligados a política, desigualdade social e histeria colectiva. Felizmente, o jogo evita cair num tom pretensioso. Há escuridão, há monstros grotescos, mas também existe humor genuíno, NPCs absurdamente carismáticos e diálogos que lembram o charme descontraído dos clássicos da era 16-bit.

Mina the Hollower

O verdadeiro gancho está na jogabilidade. A mecânica de “hollowing”, que permite a Mina enterrar-se no chão para fugir, atravessar áreas ou atacar inimigos de surpresa, muda completamente o ritmo do combate. No início parece estranha, quase imprecisa, mas depois de algumas horas torna-se natural e extremamente satisfatória. E convém dominar cedo, porque Mina the Hollower não facilita. Nem um bocadinho.

O ADN de The Legend of Zelda cruza-se aqui com a agressividade metódica de Dark Souls. Os inimigos atacam sem piedade, os bosses obrigam a decorar padrões e a morte custa caro. O sistema de cura é talvez a decisão mais divisiva do jogo, obrigando o jogador a manter cadeias de ataques sem sofrer dano para aumentar a eficácia dos itens de recuperação. É inteligente, sem dúvida, mas também gera frustração nas primeiras horas. Há momentos em que Mina parece quase demasiado punitivo para o seu próprio bem.

Mina the Hollower

Ainda assim, quando tudo encaixa, o jogo torna-se viciante. A exploração da ilha é brilhante, cheia de segredos escondidos, puzzles multi-ecrã e áreas que recompensam curiosidade genuína em vez de simples upgrades obrigatórios. A ausência inicial de mapa pode afastar alguns jogadores, mas reforça uma sensação rara de descoberta orgânica.

Visualmente é um pequeno milagre pixel art. As paletas limitadas, as animações detalhadas e a direcção artística conseguem vender a fantasia retro sem parecer um truque barato. A banda sonora de Jake Kaufman também merece destaque, repleta de chiptunes memoráveis, com duas contribuições especiais do lendário Yuzo Koshiro.

Mina the Hollower

Resta concluir que, Mina the Hollower é duro, às vezes excessivamente duro, mas também é uma das experiências indie mais recompensadoras dos últimos anos. Não vive apenas da nostalgia, usa-a para construir algo vivo, desafiante e genuinamente especial.

Nota: 9/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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