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Porque os cinemas não exibem séries?

Os conteúdos audiovisuais mais apelativos nesta rentrée estão no pequeno ecrã, com séries como House of Dragon (na HBO Max), Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder (na Prime Video) ou Andor (no Disney +).
Depois de se ter concluído que os cinemas atravessam uma fase em que escasseiam filmes apelativos para grandes audiências (ler aqui sobre o regresso dos clássicos blockbusters), porque é que as séries não são projectadas nas salas?

“O Senhor dos Anéis: Os Anéis do Poder”


As salas de cinema têm recorrido a outros conteúdos como projecção de óperas, bailados, concertos ao vivo, espectáculos musicais, jogos de futebol, competições de jogos de vídeo, e de vez em quando chega aos ecrãs episódios de uma série de televisão.
Foi com enorme entusiasmo que os espectadores e fãs receberam o anúncio da projecção do último episódio da série portuguesa Pôr do Sol em salas seleccionadas dos Cinemas NOS. A  entrada ser gratuita ajudou o publico a esgotar salas e até mesmo abrir mais lotação.  



A questão de projectar séries em salas de cinema não é nova e, de quando em vez, volta a ser colocada.
Com produções para o pequeno ecrã de enorme envergadura e com reconhecido valor acrescentado, o conteúdo ganharia no espectáculo ao ser apresentado no grande ecrã.
O espetáculo não se confina apenas na exclência da qualidade de imagem ou da estrondosa reprodução sonora, mas sobretudo pela ambiência de uma plateia repleta de fãs.

“Andor”


É frequente acontecer a antestreia de séries, ou de novas temporadas, em sala de cinema ou em espaço com grandes audiências. Recordo de imediato as antestreias em Portugal de séries como Outlander, Hawkeye – Gavião Arqueiro ou Obi Wan Kenobi.

Game of Thrones


No início de 2015, algumas salas IMAX exibiram os dois últimos episódios da quarta temporada de Game of Thrones e projectaram um teaser para a temporada seguinte. A exibição em sala de cinema resultou em cerca de 2 milhões de dólares em vendas de bilhetes em 205 salas de cinema por todo o mundo, mesmo que os episódios já tivessem sido exibidos e estivessem disponíveis no serviço de streaming da HBO.
A série Inumanos, da Marvel Studios, foi dos casos singulares no panorama televisivo no grande ecrã, pois os episódios tiveram exibição em salas IMAX seleccionadas por todo o mundo. As receitas não foram divulgadas pela Marvel ou ABC.

Milly Alcock e Emily Carey em “House of Dragon”


Os distribuidores de conteúdos para o pequeno ecrã procuram soluções para se destacarem entre a abundância de tantos conteúdos de alta qualidade; programar os seus produtos para uma apresentação prévia nas salas de cinema seria um excelente veículo promocional. Os exibidores de cinemas, enquanto isso, estão ansiosos para preencher salas durante os períodos de ausência de títulos sugestivos, incluindo os meses de outono, e esperam diversificar o negócio à medida que as bilheteiras se tornam cada vez mais imprevisíveis.

Hawkeye – Gavião Arqueiro

Então, porque não são projectados mais episódios de séries nas salas de cinema?
Por várias razões, e são quase todas burocráticas!
Os detentores de direitos de conteúdo televiso não permitem e às vezes isso é culpa dos acordos sindicais norte-americanos sob os quais o conteúdo foi feito. Em alguns casos, um acordo para o sindicato que rege o elenco para televisão pode colocar problemas ao produtor do conteúdo, devido ao conflito entre o AFTRA (sindicato para televisão) com o SAG (o principal sindicato para o trabalho em cinema).

Alguns dos direitos e autorizações de música no programa de televisão podem não ser concedidos para a distribuição nos cinemas. É muito possível que as licenças de música tenham sido compradas “apenas” para distribuição na televisão (especialmente no caso de conteúdos mais antigos). 

She Hulk – A Advogada

Ultrapassadas as questões burocráticas e de licenciamento existe a necessidade de convencer o espectador a sair de casa para ir ao cinema. Recorde-se que estes produtos acabam por ficar disponíveis sobretudo nas plataformas de streaming (pagas) mas acessíveis tanto na televisão como em outros dispositivos como telemóveis, computadores ou tablets.
Pelo que, convém que os proprietários das salas de cinema definam preços variáveis, já que, salvo raras excepções, um episódio tem duração inferior que uma longa-metragem; existir flexibilidade nos horários das sessões.
E, como os exibidores querem uma audiência garantida, será crucial a existência de promoção para a exibição do conteúdo, de modo a garantir espectadores nas salas.

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