Jogos: Mouse: P.I. For Hire – Análise
Mouse: P.I. For Hire é o shooter noir dos anos 30, cheio de humor, que ninguém sabia que precisava.
Jogo: Mouse: P.I. For Hire
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Fumi Games
Editora: PlaySide
Mouse: P.I. For Hire consegue fazer algo que muitos poucos jogos conseguem, chamar à atenção pelo conceito e, ao mesmo tempo, impressionar pela execução. O título da Fumi Games pega na estética elástica dos cartoons dos anos 20 e 30, cruza-a com o ADN musculado dos boomer shooters, e entrega uma experiência que parece impossível no papel, mas fabulosa no comando.
Mouseburg é o palco desta aventura, uma cidade decadente, suja, cheia de corrupção, queijo contrabandeado e figuras duvidosas. No centro de tudo está Jack Pepper, um detective privado, ex polícia, sarcástico q.b., duro por fora e com aquele charme clássico de pulp fiction. A voz de Troy Baker eleva logo o personagem, dá-lhe textura, ritmo e personalidade. Cada linha soa afiada, cada piada encaixa, cada cliché noir é usado com consciência, quase com um piscar de olho ao jogador.
No entanto, o gameplay é a joia da coroa. É um FPS old school com uma camada moderna de mobilidade. Há dash, double jump, wall run, tail spin, há velocidade, há flow, há aquele prazer quase físico de entrar numa arena e transformar caos em coreografia. Quando tudo encaixa, quando saltamos de plataforma em plataforma enquanto disparamos uma boomstick à queima roupa e esmagamos um inimigo com um piano que cai do tecto, Mouse torna-se puro espectáculo interactivo.
E que arsenal. A pistola inicial cumpre, a shotgun é brutal, seca, pesada, com impacto digno de aplauso. A James Gun, claramente inspirada nas Tommy Guns da era gangster, transforma encontros em autênticas tempestades de chumbo. Depois há ideias deliciosamente absurdas, como a Devarnisher, uma arma que literalmente derrete a tinta dos inimigos, deixando esqueletos nervosos a fugir em pânico. É criativo, é ridículo, é memorável. Como deve ser.
Visualmente, é uma pequena maravilha técnica. O preto e branco carregado de grain cinematográfico, os personagens 2D em cenários tridimensionais, a animação rubber hose cheia de elasticidade, tudo respira autenticidade. Não parece apenas inspirado em Steamboat Willie, parece obcecado pelo detalhe. Até o contador de munições, com uma bala viva que reage aos disparos, mostra um nível de mimo que se sente em cada frame.
Porém, o combate, por mais divertido que seja, perde alguma frescura perto do final. A IA inimiga é funcional, mas limitada, ou corre de forma suicida para cima de nós, ou fica parada a disparar como um alvo de feira. Falta variedade táctica, falta surpresa. Também a componente detectivesca sabe a pouco. Investigar existe mais como cenário narrativo do que como mecânica real, com pistas automatizadas e pouca margem para dedução genuína.
Resta concluir que, Mouse: P.I. For Hire é mais do que um gimmick visual. É um shooter competente, estiloso e cheio de identidade, mesmo quando algumas costuras começam a notar-se.
Nota: 8,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






