Cinema: Crítica – Obsession – A Felicidade é Relativa
O terror contemporâneo tem um novo nome, com Curry Barker a aterrorizar, e bem, os espectadores, no novo filme, Obsession – A Felicidade é Relativa.
A aposta em novos cineastas no terror por parte de Jason Blum e da sua produtora, Blumhouse, remonta a 2009, quando o mundo viu como um filme de baixo orçamento se tornou um fenómeno num género que necessitava urgentemente de uma nova direção. Desde então, e ao longo de quase duas décadas, temos visto este modelo ter sucesso, mas também temos visto Blum aumentar a parada, nem sempre com o mesmo resultado. Curry Barker faz a sua estreia no cinema com Obsession – A Felicidade é Relativa, após Milk & Serial, um filme lançado no YouTube que causou boas impressões no público, tendo agora uma oportunidade de mostrar ao mundo o que vale.
Conhecemos Bear (Michael Johnston), um jovem apaixonado pela sua amiga de infância, Nikki (Inde Navarrette). Na véspera de confessar os seus sentimentos, Bear acaba por comprar um item misterioso que lhe permite pedir um único desejo: que Nikki se apaixone por ele. Exceto que as consequências são maiores do que poderia imaginar, e Nikki acaba obcecada por ele da pior forma.
Estamos perante o que é, efetivamente, o pico de novos cineastas no terror, que têm a ousadia certa para desafiar todo o tipo de públicos, sobretudo os mais fanáticos, que buscam a próxima aventura de cortar a respiração. Ari Aster (Hereditário), Drew Hancock (Companion), Osgood Perkins (O Colecionador de Almas) e a dupla Danny e Michael Philippou (Fala Comigo / Volta para Mim) são alguns exemplos de como o terror está claramente muito bem entregue aos seus contemporâneos.
A forma como a narrativa agarra numa ideia tradicional das comédias adolescentes e a transforma num dos filmes de terror mais viscerais da atualidade é um feito extremamente admirável, sobretudo por ser executado desta forma. De um lado, temos o eterno cachorrinho apaixonado pela miúda do lado, que não acredita no poder de pedir um desejo ao universo e que acaba envolvido no pior cenário possível do conselho “cuidado com o que desejas”. É frequentemente cómico, sobretudo com muitos risos nervosos, mas também capaz de chocar e provocar arrepios na espinha.
Inde Navarrette é a grande estrela deste espetáculo aterrador, conduzindo a sua personagem por vários extremos emocionais e canalizando o pior de um desejo que nunca consentiu. A dada altura, a sua obsessão é confundida com algo querido e preocupante, tornando-se manipuladora e perigosa a qualquer momento. Não é, de todo, uma personagem fácil de interpretar, e Navarrette fê-lo de forma impressionante.
Por outro lado, Barker soube exatamente como escrever e realizar um dos filmes mais assustadores dos últimos anos, injetando sangue novo num género em que o desconforto é a missão principal e transformando, nesta obra, o pior pesadelo de qualquer pessoa em algo a que o espectador simplesmente não consegue virar a cara.
Assim, Obsession – A Felicidade é Relativa é um filme de baixíssimo orçamento — reportado como tendo custado apenas 1 milhão de dólares a produzir — capaz de deixar impressa nos nossos cérebros uma experiência verdadeiramente perturbadora, como muito poucas. Mal podemos esperar pelo que Curry Barker nos irá trazer a seguir no seu trajeto.
Nota Final: 9/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.




