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Porquê Banda desenhada? Qual o Fascínio?

Hoje em dia a banda desenhada é apenas o material base dos blockbusters e do merchandising de toda e qualquer marca de… de tudo.

Tornaram-se, essas personagens, em perfeitos meios de promoção e venda, muito longe das variadas falências decretadas pelas editoras ao longos dos anos. Tivemos anos de Ouro, de Prata e agora de celulóide (se bem que seja tudo digital).

A mente criativa de inúmeros “imaginantes” começaram a dar imagem ao que se escrevia nas revistas Pulp, um subgénero de literatura barata, acessível e de produção rápida. Começaram a dar espaço para ilustrações, para histórias e personagens recorrentes. Personagens que reflectiam o imaginário da época, com o imaginário nuclear a ter o mesmo efeito que o quântico tem hoje em dia.

Começaram a dar corpo a clássicos reimaginados, deidades tornadas heróis, heróis caídos em mutantes poderosos, ostracizados em heróis na sombra. A formar mentes inquisitivas, curiosas, audazes e a criar artistas com uma vontade enorme de exteriorizar as inúmeras  ideias.

Agora, nesta idade do Digital (mais atual que “celulóide”),  vemos estes heróis a surgirem de forma mais contemporânea, com uma actualização  mais amigável, mais vendável. Mas com o mesmo encanto, o mesmo apelo, que nos leva para lá dos fatos exuberantes ou as histórias de origem tão exóticas.

É fantástico, espectacular e incrível ver os heróis a saírem do papel e a ganharem carne, nas variadas adaptações ao grande ecrã.  É incrível ver alguns actores e actrizes a serem um decalque puro das imagens que tínhamos de determinada personagem em papel e tinta. É assombroso que nos mantenham ligados ao ritual de cinema, ao novo momento de esperar pelos créditos, e é maravilhoso ouvir o debate nas ruas do que antes só se fazia entre um ou outro “iniciado” nesta arte. É ver conversas de infância e juventude ganharem vida.

Mas, que me desculpem esta veia purista, nada bate a sensação de ver uma banda desenhada novinha, na mão, de ver os traços e detalhes de artistas, de poder ter essa pequena galeria de arte nas mãos, de poder aceder à mesma sempre que as minhas mãos se esticam para a prateleira.

Essa sensação vem de ter 5 anos e começar a receber edições surradas, de começar a entender que o Coisa é o Coisa e não o Homem-Coisa (que também se aprende a reconhecer), de tentar apanhar o lápis com um teia imaginária ou ver se consigo ler os pensamentos de alguém se colocar dois dedos na testa e fazer um olhar intenso. Vem de imaginar como e se se poderia ter superpoderes ou como construir “ aquela” armadura.

Tantas vezes enquanto crescia ouvia a mesma pergunta: Porquê a Banda desenhada como forma de arte elegida? Que fascínio via nisso? E a minha resposta, a mais breve, era: E porque não? A resposta vasta, era mesmo vasta e ao fim de alguns minutos já estava a divagar.

Hoje em dia, com todos estes universos mais de conhecimento e interesse público, a resposta é menos vasta.

Os “imaginantes” de outrora devem sentir orgulho por verem as suas criações tão disseminadas, deixando de ser aqueles tipos de colãs e cuecas por cima das roupas.

Bem-vindos à era Digital da banda desenhada. 


A Entrevista Possível Com #5 | Derradé

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