Jogos: Super Meat Boy 3D – Análise
Super Meat Boy 3D prova que a mascote sangrenta da Team Meat continua viva e com a brutalidade de sempre.
Jogo: Super Meat Boy 3D
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox One, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Sluggerfly, Team Meat
Editora: Headup
Quando o primeiro Super Meat Boy chegou em 2010, o panorama indie era outro. O mercado ainda não estava saturado de plataformas retro e experiências “hardcore”, por isso aquele cubo de carne hiperactivo acabou por se tornar um fenómeno. Dezasseis anos depois, Super Meat Boy 3D surge como a primeira verdadeira continuação do clássico, depois de desvios como Super Meat Boy Forever, e a proposta resume-se de forma quase absurda, “Super Meat Boy, mas em 3D”. Curiosamente, funciona melhor do que muitos esperavam.
A física continua impecavelmente fiel ao original. Meat Boy mantém aquela sensação “squishy”, rápida e precisa, quase como se estivesse constantemente a escapar ao controlo do jogador sem nunca o perder realmente. Saltar paredes, deslizar por superfícies e deixar rastos de sangue enquanto atravessamos corredores cheios de serras continua incrivelmente satisfatório. O novo air dash encaixa de forma natural na fórmula, abrindo espaço para atalhos, speedruns e manobras suicidas deliciosamente agressivas.
O loop de gameplay permanece viciante. Morremos em segundos, renascemos instantaneamente e voltamos a tentar. Outra vez, outra vez, outra vez. O ritmo rápido transforma a frustração numa espécie de estado zen masoquista. E quando finalmente terminamos um nível, o regresso da montagem com todas as tentativas falhadas continua brilhante, um caos de cadáveres e sangue que culmina naquela run perfeita.
Visualmente, o jogo aposta numa estética grotesca e colorida, cheia de detalhe nos cenários. Há florestas destruídas por robôs, criaturas bizarras escondidas no lixo tóxico e cutscenes FMV surpreendentemente divertidas. O problema é que tanto detalhe acaba por atrapalhar. Em vários momentos, Meat Boy perde-se no cenário e certos elementos de fundo parecem armadilhas reais. Num jogo onde um milímetro decide a vida ou a morte, isso torna-se irritante depressa.
Mas o verdadeiro vilão aqui é a câmara fixa. Nem sempre consegue acompanhar a acção e, quando obriga o jogador a calcular saltos diagonais, a percepção de profundidade desaba. Muitas mortes parecem injustas, não por falta de habilidade, mas porque simplesmente não conseguimos ler o espaço correctamente. Pior ainda, a versão analisada na Nintendo Switch 2 sofre quedas frequentes de frame rate, algo imperdoável num platformer de precisão.
Resta concluir que, Super Meat Boy 3D pode não atingir a elegância minimalista do original, mas mantém intacta a identidade brutal da série.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





