Jogos: The Drifter – Análise
The Drifter é um thriller sci-fi que recupera o espírito das aventuras clássicas com uma narrativa viciante.
Jogo: The Drifter
Disponível para: PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Powerhoof
Editora: Powerhoof
The Drifter é um jogo que vive tanto dos puzzles, como da narrativa. Desenvolvido pela pequena equipa australiana Powerhoof, com Dave Lloyd em destaque, este point and click construído no motor próprio do estúdio sobre Unity chega agora à Nintendo Switch e Switch 2, depois da estreia no PC, provando que ainda há espaço para aventuras narrativas que respeitam o legado de LucasArts e Sierra sem carregarem o peso das suas interfaces datadas.
A história acompanha Mick Carter, um errante de pavio curto que regressa à terra natal para o funeral da mãe e acaba envolvido numa conspiração impossível. Depois de testemunhar um homicídio brutal, é assassinado e mergulha numa espiral onde lendas urbanas, organizações científicas obscuras, fantasmas, demónios e um serial killer coexistem de forma surpreendentemente natural. A escrita mantém um ritmo quase compulsivo, termina capítulos com cliffhangers dignos de uma série da Netflix e nunca perde de vista os temas da culpa, do luto e do trauma. Só na reta final o andamento abranda, com mais exploração de uma única área e algum backtracking, mas sem comprometer um desfecho sólido.
Mick é um excelente protagonista. A postura curvada, o constante “this is bullshit” e a interpretação de Adrian Vaughan transformam-no numa personagem credível, sarcástica e profundamente humana. Também o elenco secundário merece destaque, desde a jornalista à procura da grande história até à Detective Hara, cuja relação com Mick evolui de forma convincente. A dobragem integral e os monólogos internos ajudam a dar vida a um elenco que nunca parece descartável.
A mecânica central é igualmente brilhante. Viajar no tempo exige morrer, por isso cada morte deixa de ser um castigo e passa a fazer parte da resolução dos puzzles. Entre tiros, afogamentos, envenenamentos ou quedas fatais, The Drifter transforma cenas grotescas em momentos quase cómicos, com uma energia que faz lembrar Happy Death Day. Nos minutos finais, o jogo leva esta ideia ao limite e desafia o jogador a usar a própria morte como ferramenta.
Também os puzzles impressionam pela lógica. Não há caça ao pixel nem inventários carregados de objetos inúteis durante horas. Tudo é contextualizado e inteligente, com destaque para uma sequência brilhante num hospital que exige observação, timing e dedução. O esquema de comandos na Switch adapta-se na perfeição ao comando, enquanto a Switch 2 oferece ainda controlos de rato para os puristas.
Visualmente, os cenários em pixel art ganham nova vida graças à iluminação moderna e às animações expressivas. A banda sonora sintetizada evoca John Carpenter, enquanto os momentos mais emotivos recorrem a orquestrações inesperadamente belas. The Drifter dura cerca de oito a dez horas e aproveita quase todas.
De forma a concluir, The Drifter é uma aventura que entende o passado, abraça o presente e merece lugar entre os melhores representantes modernos do género.
Nota: 8,5/10
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Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





