Central Comics

Notícias, críticas e novidades de banda desenhada, cinema, séries, animação, videojogos e cultura geek desde 2001.

Análise | Halloween: The Game – Michael merecia mais

Halloween: The Game mistura o terror de John Carpenter com o caos do multiplayer assimétrico, mas nem sempre é uma experiência consistente.

Halloween: The Game

Jogo: Halloween: The Game
Disponível para: PC, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: IllFonic
Editora: Gun Interactive, IllFonic

Halloween: The Game

Há qualquer coisa de particularmente complicada em adaptar Halloween a um videojogo. O filme de John Carpenter vive do silêncio, da sugestão e da presença quase sobrenatural de Michael Myers, enquanto um jogo multiplayer precisa de sistemas, objetivos e, inevitavelmente, jogadores a fazerem coisas completamente absurdas. Halloween: The Game, da IllFonic, tenta conciliar estes dois mundos e, durante alguns momentos, consegue uma combinação bastante curiosa.

A campanha de seis episódios dedicada a Michael Myers é provavelmente a melhor porta de entrada. Mais do que uma história propriamente dita, funciona como um tutorial elaborado para ensinar a jogar com The Shape, enquanto recria com uma fidelidade impressionante vários momentos do filme de 1978. O assassinato da irmã, a fuga de Nurse Chambers e os encontros com Dr. Loomis são recriados quase plano a plano, com direito a diálogos reconhecíveis e uma direção pensada para esconder o rosto de Michael.

Também aqui a IllFonic mostra algum cuidado. Michael começa limitado, mas vai recuperando capacidades à medida que a medicação desaparece do organismo. O sistema de Bloodlust recompensa mortes, espreitar corpos e permanecer nas sombras, enquanto o Shape Jumping transforma as zonas escuras de Haddonfield numa espécie de rede de transporte sobrenatural. É uma boa forma de transformar a fantasia de ser Michael Myers numa mecânica jogável.

O problema é que esta campanha acaba demasiado depressa. Existem desafios, três níveis de dificuldade, colecionáveis e recompensas cosméticas suficientes para incentivar novas tentativas, mas dificilmente estamos perante conteúdo que justifique muitas horas. Ainda assim, é aqui que Halloween: The Game melhor compreende aquilo que quer ser.

Halloween: The Game

No multiplayer, quatro Civilians enfrentam um jogador que controla Michael durante partidas de cerca de vinte minutos. A ideia é simples, escapar de Haddonfield, ajudar outros sobreviventes e tentar não acabar numa cozinha com um homem mascarado atrás de nós. Procurar NPCs especiais, reparar carros e encontrar ferramentas cria uma estrutura funcional, mas existe uma quantidade surpreendente de situações em que o jogo parece mais interessado em criar caos do que tensão.

E isso nem é necessariamente mau. Derrubar Michael com um taco de basebol, atirar-lhe tijolos ou usar firecrackers pode produzir momentos hilariantes, sobretudo quando o proximity chat entra em ação. O problema é que a experiência oscila demasiado entre terror, comédia involuntária e alguma frustração. Jogar como Michael é claramente a parte mais polida. Ouvir a respiração através da máscara, observar os adversários pelo buraco dos olhos e usar Stalk para aumentar o medo antes de executar alguém transmite uma fantasia muito específica e muito Halloween.

Já o lado dos Civilians precisa de mais trabalho. O jogo atira novos jogadores para as partidas sem explicar convenientemente sistemas importantes, enquanto o deck de perks baseado em cartas aleatórias acrescenta progressão, mas também uma camada de RNG que nem sempre parece necessária. Pior, depois de morrer podemos ficar largos minutos presos a minijogos repetitivos, à espera de uma oportunidade de regressar à partida.

Halloween: The Game

Para concluir, sinto que Halloween: The Game tem aqui uma boa ideia, uma adaptação visualmente dedicada e um Michael Myers que funciona melhor do que seria de se esperar. Mas também há problemas de ritmo, onboarding e equilíbrio que impedem Halloween: The Game de atingir o nível dos melhores representantes do género. É divertido, sobretudo com amigos, e tem personalidade suficiente para não ser apenas mais um multiplayer assimétrico. Só não é, ainda, o grande jogo de Halloween que esta licença merecia.

Nota: 6/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Verified by MonsterInsights