Crítica | The Furious: O cinema de acção nunca foi tão espectacular
The Furious é o mais recente filme de Kenji Tanigaki, que nos oferece um thriller intenso, repleto de grandes cenas de acção e muita adernalina, protagonizado por Joe Taslim e Xie Miao.
Kenji Tanigaki é um nome prestes a afirmar-se no cinema de acção de alta octanagem oriundo de Hong Kong. Depois de passar anos como coreógrafo e duplo, Tanigaki acabou por transitar para a realização com The Furious, apresentado no Festival Internacional de Cinema de Toronto, em 2025, e que desde então tem vindo a conquistar uma reputação de filme a não perder.

Uma dupla imparável nas suas missões em busca da verdade
Seguimos Navin (Joe Taslim), um jornalista à procura da mulher, raptada por um grupo criminoso ligado ao tráfico de crianças. O seu caminho cruza-se com o de Wang Wei (Xie Miao), um homem mudo, de passado misterioso, que procura a filha raptada. Quando os caminhos de ambos se cruzam, unem forças para encontrar as respostas que tanto procuram.
O cinema de acção de Hong Kong já goza de uma reputação muito própria, sobretudo quando comparado com o de outros países, como o Japão, a Tailândia e a Indonésia. Estes últimos têm demonstrado uma maior predisposição para explorar o género com liberdade, recorrendo frequentemente a formas de violência extrema como elemento de entretenimento. Quando enquadrada por histórias eficazes, essa abordagem torna a experiência mais intensa e envolvente. Porém, o cinema de Hong Kong é especial, sobretudo pela variedade da sua acção, que vai para além das artes marciais e integra outros elementos de forma particularmente eficaz.

Violência extrema que entretém e nos deixa à beira do assento
Em The Furious, estamos perante um thriller intenso, com uma história bastante bem estruturada, capaz de aumentar progressivamente a tensão e de levar a acção ao seu limite. Não faltam os ingredientes essenciais do género. O mais impressionante é a forma como a acção se desenrola em cada momento. As lutas são visualmente complexas e inventivas, mas mantêm uma clareza excepcional, recorrendo não apenas a socos e pontapés, mas também a diversas armas e tratando cada confronto como único. Quem dera que Hollywood tivesse este tipo de espírito no seu cinema de acção.
A violência é deliberadamente dura. Há sangue, dor palpável e consequências físicas que deixam marcas, levando as personagens a um estado de luta pela sobrevivência. É o tipo de acção que entusiasma e nos deixa à beira do assento a cada segundo, com tudo aquilo a que temos direito.
A grande dupla de homens desesperados confere à narrativa a componente emocional necessária. Wang Wei quer apenas recuperar a filha, mas a sua mudez força-o a comunicar através de meios mais físicos, em vez do diálogo tradicional. Por outro lado, Navin procura a mulher e tenta perceber quem está por detrás da rede de tráfico humano, com o objectivo de a desmantelar o mais rapidamente possível. É uma premissa que oferece uma urgência moral e justifica toda a violência exercida pelos protagonistas.

Naturalmente, os antagonistas representam a expressão máxima da vilania, recorrendo às tácticas mais sujas e cruéis para impedir que o segredo seja revelado publicamente. A sua determinação é implacável e violenta, golpe após golpe contra os protagonistas, resultando em longos momentos de adrenalina na sua forma mais pura.
Muito do mérito recai sobre a realização de Tanigaki, um cineasta com um talento raro para colocar o espectador na primeira fila – e no centro – de toda a acção. Esse talento alia-se ao trabalho de uma equipa altamente especializada, capaz de proporcionar o melhor filme possível, desde as coreografias ao trabalho de câmara e a todos os departamentos envolvidos na produção.

Assim, The Furious eleva uma narrativa familiar a um patamar de intensidade extrema, num filme verdadeiramente emocionante. Com uma oposição entre o bem e o mal claramente definida, é difícil não nos entusiasmarmos com tudo o que acontece diante dos nossos olhos, chegando ao final a implorar por mais.
Nota Final: 9/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
