Crítica | Magia e Sedução: Segredos de Família – Uma sequela acolhedora, com o regresso da magia
Quase duas décadas depois do primeiro filme, Magia e Sedução: Segredos de Família traz de volta Sandra Bullock e Nicole Kidman, para uma nova aventura mágica.
Quando o primeiro Magia e Sedução estreou em 1998, a adaptação do romance de Alice Hoffman tinha tudo para se tornar num favorito de culto. Quase três décadas depois, uma legião de seguidores fiéis transformou-o numa tradição anual para dar início ao outono. Quando Hoffman publicou O Livro de Magia, a tão aguardada sequela, era uma questão de tempo até voltarmos a ver as irmãs Owens no grande ecrã, com a estreia de Magia e Sedução: Segredos de Família, realizado por Susanne Bier.

A magia da família num novo desafio familiar
Com os acontecimentos a decorrer 26 anos depois do primeiro filme, Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) Owens têm de enfrentar uma nova ameaça mágica quando Kylie (Joey King), uma das filhas de Sally, se apaixona por Gideon (Xolo Maridueña), pondo em causa a maldição que paira sobre os amores da família. Cabe agora às duas, juntamente com Antonia (Maisie Williams), a outra filha de Sally, descobrir o que podem fazer para quebrar a maldição de uma vez por todas.
A leveza do primeiro filme permitiu que a narrativa fosse encarada com uma simplicidade mais serena, focada nos acontecimentos do momento, na exploração dos poderes das protagonistas e nas suas consequências, ainda enquanto jovens bruxas. Desta vez, o filme arrisca ao aprofundar a história da família, numa altura em que Sally e Gilly são mulheres adultas, com outra maturidade e prioridades diferentes. As filhas de Sally são também jovens adultas, abrindo um caminho inteiramente novo e promissor para explorar o historial da família Owens.

Um desequilíbrio de ideias com vista na herança familiar
Este confronto com segredos familiares é a força motriz de um filme que equivale a um chá quente e a uma manta num dia de chuva: esse é o seu espírito. O espectador é conduzido por uma aventura mágica, repleta de momentos de coração cheio. Tanto Bullock como Kidman regressam como se nunca tivessem estado separadas, e a adição de King e Williams confere à narrativa uma dimensão verdadeiramente geracional, criando uma oportunidade para explorar a maldição a partir da perspectiva de personalidades mais modernas.
Susanne Bier consegue, em parte, recuperar aquilo que fez do primeiro filme um clássico de culto: um híbrido de melodrama, comédia romântica e elementos sobrenaturais. Mantém-se, assim, a identidade estabelecida de Magia e Sedução e um sentido de familiaridade, pensado sobretudo para quem desejava passar mais tempo neste universo. No entanto, este filme parece menos seguro na forma como equilibra todos os seus ingredientes, talvez em busca de uma inovação que acaba por não ser plenamente concretizada.
A duração acaba por ser o fator com maior impacto: o filme ultrapassa as duas horas e é mais longo do que o primeiro, sem acrescentar necessariamente algo que justifique essa extensão. Isto torna-se particularmente evidente numa obra centrada na herança familiar, em que as personagens mais jovens poderiam ter sido mais desenvolvidas. Acabamos por não saber o suficiente sobre ambas, o que representa uma oportunidade falhada de tornar estas novas personagens tão interessantes e vívidas como as que já conhecemos.

Assim, Magia e Sedução: Segredos de Família é uma sequela com potencial para acompanhar o primeiro filme na sua trajetória de culto, preservando muito daquilo que fez dele um sucesso tão acarinhado. No entanto, os seus momentos mais inseguros e frágeis desperdiçam algumas oportunidades interessantes que poderiam ter dado maior equilíbrio ao legado da família Owens entre as quatro protagonistas. Resta saber se, eventualmente, não veremos o fecho de uma trilogia.
Nota Final: 6/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
