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25 Autores Portugueses a trabalhar em BD Internacional

As investidas de autores portugueses no palco internacional dos comics Norte-Americanos celebra 25 anos em 2026, ano em que atinge o recorde de talentos a trabalhar naquele mercado, em número que, fortuitamente, é também vinte e cinco.

Batman, Filipe Andrade
Batman, de Filipe Andrade

O artista estreante foi Daniel Maia, que figurou na secção ‘Artist Spotlight’ da revista da Previews #8 (2001), da Diamond Comics, com ilustrações de Mr. Majestic, destaque esse que o levou ao seu primeiro trabalho em comics. Seguiu-se o artista digital Antero Pedras, que colaborou como assistente 3D na minissérie Spider-Man: Quality of Life (2002), da Marvel, escrito por Greg Rucka e ilustrado pelo Blue Wave Studios. Em 2003, o artista Miguel Montenegro estreia-se naquela indústria através de editoras indie, começando por desenhar NuComix #14, da Swan Graphics, até alcançar a Marvel Comics. Entretanto, na Image Comics, Eliseu Gouveia desenha e colora o álbum CloudBurst, com os escritores Jimmy Palmiotti e Justin Gray, e surge também depois na editora Ana Freitas, como arte-finalista de ShadowHawk (vol2, 2005), de Jim Valentino.

Sem prejuízo para os talentos que operam na BD portuguesa, é justo afirmar que poucos vivem exclusivamente de trabalhos realizados no setor, daí que quem alcançou a internacionalização vive uma realidade profissional mais auspiciosa. Será, no mínimo, uma prova para as novas gerações de que é possível viver da BD e prosperar com uma carreira na indústria.

O Central Comics fez recentemente uma Live de YouTube em que listou os trabalhos recentes e os futuros, pelos artistas que presentemente trabalham no estrangeiro, e fazemos um breve resumo…

No campo do desenho:

André Lima Araújo editou em Fevereiro The Sacrificers #20, por Rick Remender, que, sendo o 6º comic que desenha, o cimentou como o artista secundário da série, perspetivando-se mais em 2026. Entretanto, também anunciou um novo projeto com o escritor, de título Project Red, e embora se desconheça quando será lançado, o artista indicou já haverem 80 páginas completadas.

Project Red

António Brandão tem vários trabalhos realizados na esfera dos comics indie financiados através de crowdfunding, e fechou com sucesso a campanha de Escape to Earth, uma minissérie de 5 nºs pelo autor Steven Honeycutt. Os comics vão ser distribuídos este mês.

antonio brandao

Daniel Maia é o artista de Apparition Metempsychosis: Book One – The Moment of Sin, por Thomas Marvelli e editado pela editora independente Another Door Comics, com o 2º volume já anunciado para final do ano. Em paralelo ao álbum, foi lançado Apparition Metempsychosis #1, o primeiro capítulo da saga de ação/horror, a propósito do Free Comic Book Day.

Entretanto, o artista partilhou que, em simultâneo, começou a desenhar para a Image Comics.

Apparition

Eliseu Gouveia disfruta de longa carreira no segmento indie dos comics, dividindo o tempo entre editoras independentes e títulos de crowdfunding. Editado em Dezembro passado o comic The Legend of Calamity Jane: The Devil Herself, por Steven A. Roman, que adaptou a animação de TV, Zeu está agora a desenhar o 2º volume de The Legend of Dracorex, para 2027.

Fábio Veras viu compilada no final de 2025 a minissérie Two-Face: Trial Separation, que desenhou na DC Comics, e segue-se o TPB de DC vs Vampires: World War V Vol2, em que também participou. No entretanto, também desenhou uma BD curta na antologia Super Creepshow #5, com texto de Christan Ward, publicado pela Image Comics.

Fábio Veras


João Lemos, após participar em 2025 na minissérie Doom Academy #3-4, da Marvel Comics, com os autores Mackenzie Cadenhead e Pasqual Ferry, viu editada há seis meses o respectivo TPB. De seguida, o artista realizou a série de Infinity Comics – os webcomics da Marvel –, Strange Scales #1-6, que escreveu e desenhou.

Strange Scales #1-6

Jorge Coelho continua a desenhar a série Time Sensitive, da editora independente StrangeLand Comics, de Joshua Rubin. Após a estreia do primeiro volume em final de 2025, o 2º álbum está prestes a ser distribuído, mantendo o ritmo regular de edições que concluirá em seis volumes.

Jorge Coelho

Jorge Miguel, no mercado franco-belga, assina em 2026 um álbum isolado da coleção Guerres Secrètes, por Phillippe Richelle, publicado pela Glénat, de título O Homem que traiu Hitler. Em simultâneo, o álbum integral The Zombies that Ate the World, pela dupla Jerry Frissen e Guy Davis, em que Jorge Miguel também participa, vai ter edição na Polónia.

Jorge Miguel

Madie Lacerda prossegue, com o escritor Ricardo Serrazina, a série juvenil Aylin, na Le Lombard. O 2º volume, L’Elf Perdu, tem lançamento em final de Outubro (ou em 2027; há informação contraditória).

Madie Lacerda

Manuel Morgado concluiu recentemente o novo álbum francófono, Kattus, financiado através de crowdfunding. Escrito por Raule, esta aventura com humanos e animais antropomórficos vai ser publicada em França por Kalopsia Editions (e em Portugal por A Seita).

Miguel Mendonça continua a trabalhar ativamente na DC Comics, tendo terminado no início do ano a minissérie Batman/Static #4-6, e, mais recentemente, o comic isolado Justice League: Knight Vision Special #1, escrito por Mark Waid e Joshua Williamson. De momento, desenha Detective Comics 2026 Annual #1.

Milton Aguiar anunciou estar a desenhar o comic Indominant, pela editora de jogos de tabuleiro Odin’s Key. Além da BD, o artista também ilustrou a capa do respetivo jogo e criou personagens. O projeto foi financiado com sucesso em 2025, na plataforma Backerkit.

Milton Aguiar

Nuno Plati concluiu recentemente a minissérie Racer X, editada pela Mad Cave Comics e escrita por Mark Russell, integrada no universo SpeedRacer. A primeira compilação foi lançada no início do ano e espera-se para breve o Vol2.

Nuno Plati

Paulo Montes continua a colaborar regularmente na editora independente TidalWave Comics, nas séries 10th Muse e The Brave and the Bold. Recentemente, o #49 marcou a estreia do autor como escritor e artista.

Paulo Montes

Ricardo Cabral não anunciou novos trabalhos internacionais para 2026, mas a compilação da sua última mini-série, Summer Shadows, com o escritor John Harris Dunning, pela Dark Horse Comics, foi lançada há um ano. Este título marcou a sua 3ª colaboração na editora.

Ricardo Cabral

No campo da escrita:

Bruno Catarino, residente no Reino Unido, tem criado vários comics isolados desde 2024, via plataformas de crowdfunding. Com quase 10 títulos, o escritor tende a contratar desenhadores diferentes para os projetos e, em 2026, vai publicar Crimson Bay #1, com o #2 anunciado para 2027. Tem também simultaneamente em produção Flamevolt, Family and Honor e The Odissey.

Daniel Henriques entrou no 2º ano da série The Curse of Sherlee Johnson, pela Image Comics, inserida no universo Spawn, e confirmou-se como o autor português com mais comics escritos. Com o #7 editado em Agosto, a série iniciou os 2º ciclo da aventura. A primeira compilação chega em Setembro.

Paralelamente, também desenhou capas de I Saw Santa, Sam & Twitch: Case Files e I Saw Spawn.

Daniel Henriques

Ricardo Serrazina continua a parceria com Madie Lacerda na editora Le Lombard, com o 2º álbum de Aylin, de título L’Elf Perdu (por publicar). (ver foto acima)

No campo da coloração:

Diana Sousa, a 4ª artista portuguesa nomeada nos prestigiados Eisner Awards, continua a trabalhar na Dark Horse Comics e publica tanto compilações de 2025, como novas novelas gráficas. Entre os títulos estão The Legend of Vox Machina: The Whitestone Chronicles Volume 3 – The Briarwoods, The Legend of Korra: Kya and the Secret of the Sand, Star Wars: The High Republic Adventures – Complete Phase III Part 2, e os dois integrais Critical Role: The Mighty Nein – Origins.

Diana Sousa

Joana Lafuente é a mais veterana colorista portuguesa e em 2026 lançou Fence: Breakthrough – Quarter Clash #1, por C.S. Pacat e Johanna the Mad, que também editam Fence: Book One, o primeiro integral da série, pela BOOM! Studios. Paralelamente, coloriu uma capa para a mini-série TMNT/Power Rangers, um crossover das casas IDW e BOOM!, e ainda para Power Ranger: Prime.

Power Ranger: Prime

Susana Resende colaborou em Apparition Metempsychosis: Book One – The Moment of Sin com a pintura das páginas finais do 2º capítulo, sendo este o seu segundo trabalho no sector de comics.

Adicionalmente, a artista também anunciou estar a trabalhar em livro ilustrado/banda desenhada para editora britânica, que adapta as crónicas das Guerras Greco-Persas, para edição em 2027.

Guerras Greco-Persas

No campo das capas:

Filipe Andrade ainda não anunciou que trabalho vai assinar após Rare Flavours, mas divulgou que ilustrou uma capa alternativa para a série-fenómeno Absolute Batman.

Filipe Andrade

Ricardo Drumond regressou recentemente ao ativo como artista de capas alternativas para lojas como BigDex Comics e BeachSide Comics, em tiragens exclusivas para eventos.

No campo da balonagem:

Hugo Jesus publicou no início do ano The Disciples A.D. #2, do criador-editor Mike Siegle, título indie que mistura super-heróis e religião. Este é o 2º comic que o letrista balona no mercado norte-americano, embora seja veterano de legendagem em editoras como Panini e Salvat, na Europa mas com trabalhos também feitos para o Brasil e Cabo Verde. Nem a propósito, o designer está também a balonar um novo álbum europeu, a revelar mais tarde.

A CentralComics está a considerar continuar a fazer destaques semelhantes assim que se justificar, a dar cobertura das produções internacionais de artistas portugueses. Agradecemos a vossa opinião sobre o potencial interesse deste conteúdo.

Dário Mendes

Dário é um fã de cultura pop em geral mas de banda desenhada e cinema em particular. Orgulha-se de não se ter rendido (ainda) às redes sociais.

8 thoughts on “25 Autores Portugueses a trabalhar em BD Internacional

  1. Uma pena que a maioria destes autores seja completamente desprezado pelas grandes editoras nacionais que deviam apostar nos autores nacionais para que no futuro colhessem os frutos do reconhecimento internacional dos mesmos.

    Na lista faltaram três nomes, o Alberto Varanda, o Miguel Montenegro e o Carlos Pedro.

    Os três deram provas de grande qualidade artística ao longo dos tempos e os dois primeiros foram dos primeiros a intercionalizar-se.

  2. Se leste o artigo notaste que só destaca trabalhos internacionais e deste ano (ou de 2025, em casos relevantes). Se houver outros autores a citar, fica para a próxima ocasião.

    O Varanda, embora nascido no norte, emigrou para França com 3 anos e teve zero intervenção na BD portuguesa em toda a carreira, de modo que não faz grande sentido envolvê-lo só por ser tecnicamente português.

  3. “teve zero intervenção na BD portuguesa em toda a carreira, de modo que não faz grande sentido envolvê-lo só por ser tecnicamente português.”

    Isso é um bocado injusto para com o Varanda. Para além de ter nascido por cá, nunca escondeu a sua origem portuguesa. Tem até vários livros bons por lá publicados e a sua presença por lá não é muito diferente da do Jorge Miguel e do Manuel Morgado que também precisaram de ter reconhecimento em França para serem publicados em Portugal.

    Eu sei que o Morte Viva já saiu há algum tempo, mas é um livro magnífico que merece ser referido.

    Isso da zero intervenção também inclui, por exemplo, o Mendonça, o Araújo e o Plati?
    São imensamente esforçados, mas infelizmente também nunca tiveram nada publicado em editoras portuguesas. O Varanda pelo menos teve, na Meribérica, na Devir e na Ala dos Livros.

    Tamanhos de mercados à parte, o que realmente me entristece é que no Brasil e em Espanha um autor dessas latitudes faz um “rabisco” fora das suas fronteira e de imediato se arranja maneira de editar tal “rabisco” no seu país de origem, por cá continua a valorizar-se tanto o autor estrangeiro com edições luxuosas de obras medíocres e o autor nacional só é editado quando o estado português dá apoios às editoras para os lançarem.

    A Asa então é a que mais “deve” aos autores nacionais, traduzem tanta “palha” estrangeira e faz por continuar a ignorar por completo o que os autores nacionais conseguem fazer lá fora.
    É uma vergonha que desde o BRK, o Asteroid Fighters e o Sentinel/Watchers que a Asa não publique um único autor português ou pelo menos traduza uma obra de um autor nacional feita noutro país.

    O ano passado publicaram o Zorro do Sean Gordon Murphy naquele “formatão”, porque não publicar o “A Righteous Thirst For Vengeance” do André Araújo nesse formato? (nem peço o Phenomena)

    Valha-nos a “Escorpião Azul”, Chili Com Carne”, Gorila Sentado, Kingpin Books, Polvo e Comic Heart, ou os nosso autores continuavam a ser “fantasmas” no seu próprio país.

  4. Olá Diogo, tudo bem?

    Na minha opinião essa lógica é completamente descabida: o Varanda não esconde a naturalidade mas também nunca fez por intervir no nosso mercado – e ninguém o censura por isso. A única vez que veio cá foi a convite de evento. Já o Manuel Morgado e Jorge Miguel publicaram cá vários álbuns até se terem internacionalizado em França. O percurso deles é precisamente o contrário do que indicas.

    De resto, como disse o Hugo, não faz sentido incluir o Varanda ou outros artistas que apontaste se o artigo é focado em produções deste ano de 2026 e nenhum deles lançou BD nos últimos anos, pelo menos na pesquisa que fiz eu não encontrei.

    Quanto a Mendonça, Araújo e Plati. Os dois últimos têm várias edições em Portugal, até em fanzines e antologias, além de frequentarem eventos e terem exposições cá. O Miguel Mendonça, embora de presença editorial mais escassa, participa em vários festivais e também vive em Portugal. Aliás, esteve precisamente nesta última edição do Amadora BD, e em 2023 também, e inclusive “aqui” num Central Comics Fest, entre outros.

    De resto, não podes descartar como se fosse inconsequente o maior factor a limitar as acções das editoras, porque é precisamente o tamanho do mercado o que vaticina a menor aposta delas. Todavi, a Asa; talvez não saibas, mas recentemente iniciou um plano de encomendas a autores portugueses, de grande aposta financeira, e que já começou a dar frutos. ‘Uma Breve História da Rússia’ e ‘Vizinhos’ são as primeiras obras, e há mais a caminho, ah e fez uma bela reedição da série Filipe Seems também recentemente.

    Ainda, para além de haver obras mais complicadas de editar por cá, devido ao custo dos direitos ou a ligações com o universo continuado dos heróis, também se dá haver direitos “presos” e inacessíveis a outras editoras interessadas.

    Seria bom cada autor internacional ter pelo menos 1 obra em Portugal, mas não acho que tudo tenha de ser traduzido, em especial num mercado pequeno como o nosso. À livrarias também a operar nesse campo, beneficiando com as obras à venda na língua original.

    Abraço

  5. Caros Dário e Hugo,

    Vamos por partes:

    “Na minha opinião essa lógica é completamente descabida: o Varanda não esconde a naturalidade mas também nunca fez por intervir no nosso mercado – e ninguém o censura por isso. A única vez que veio cá foi a convite de evento. Já o Manuel Morgado e Jorge Miguel publicaram cá vários álbuns até se terem internacionalizado em França. O percurso deles é precisamente o contrário do que indicas.”

    Há aqui umas informações não muito correctas.

    O Varandas teve quatro álbuns publicados em português no passado. Bloodline e Paraíso Perdido na Meribérica, Gesta das Amazonas Dragões na Devir e muito recentemente o Morte Viva na Ala dos Livros.

    Sei que se fala no artigo de 2025/2026, mas o Manuel Morgado e o Jorge Miguel estão no mesmo patamar do Varanda, porque só depois de terem os seus álbuns editados em França, tiveram editoras nacionais a mostrar interesse em editá-los por cá.

    É compreensível o que as editoras fazem, mas é triste para os autores. As editoras portuguesas têm todo o lucro sem ter de investir na produção do álbum.

    “De resto, como disse o Hugo, não faz sentido incluir o Varanda ou outros artistas que apontaste se o artigo é focado em produções deste ano de 2026 e nenhum deles lançou BD nos últimos anos, pelo menos na pesquisa que fiz eu não encontrei.”

    O caro Hugo até fala na sua resposta em 2025, mas sugiro que pesquise melhor.

    O Carlos Pedro tem o álbum “Inge” em inglês para sair este ano e em 2025 fez uma história num comic especial da colecção “Magic The Gathering”- https://www.csquaredatelier.com/services-comics

    O Miguel Montenegro lançou a 12 de maio o livro “Psicopatos – As Melhores Tiras dos Primeiros Dois Anos”. Dito isto merecia, nem que seja, uma nota de rodapé na vossa lista uma vez que cronologicamente foi o primeiro autor português a publicar na Marvel em tempos em que mais ninguém o conseguia e nos últimos tempos teve mais obras editas em português do que por exemplo o Eliseu Gouveia que apenas teve uma em 20 anos.

    “Quanto a Mendonça, Araújo e Plati. Os dois últimos têm várias edições em Portugal, até em fanzines e antologias, além de frequentarem eventos e terem exposições cá.”

    Várias não, apenas duas para cada um dos autores, Nuno Plati na colectânea da Escola António Arroio e André Araújo teve o seu Man Plus publicado na Kingpin Books.
    É certo que vão a mais eventos portugueses do que o Varandas alguma vez foi, mas não era disso que tratava o vosso artigo ou o directo da Palavra de Jesus no youtube.

    Pelo que me pareceu ambos falavam de divulgação de autores nacionais em outras latitudes o que é o caso do Varanda, Carlos Pedro e Miguel Montenegro.

    “De resto, não podes descartar como se fosse inconsequente o maior factor a limitar as acções das editoras, porque é precisamente o tamanho do mercado o que vaticina a menor aposta delas.”

    Esta sua declaração é um bocado ingénua, num mercado tão pequeno lançar-se “calhamaços” como “O Meu Irmão”, Blast, A Fera (entre outros) prova que mesmo pequeno haveria mercado para publicar ainda mais obras de autores nacionais, pois se damos este destaque a autores que até então eram pouco ou nada conhecidos em Portugal, porque não fazer a mesma aposta em autores que todos nós teríamos gosto em apoiar.

    “Todavia, a Asa; talvez não saibas, mas recentemente iniciou um plano de encomendas a autores portugueses, de grande aposta financeira, e que já começou a dar frutos. ‘Uma Breve História da Rússia’ e ‘Vizinhos’ são as primeiras obras, e há mais a caminho, ah e fez uma bela reedição da série Filipe Seems também recentemente.”

    Estes três títulos são um péssimo exemplo de aposta séria da ASA em autores nacionais.

    História da Rússia veio aproveitar o “interesse” no conflito Rússia/Ucrânia e o facto de ter o famoso jornalista José Milhazes envolvido. Nem deixaram a Joana Afonso fazer em formato BD, mas sim em formato de livro ilustrado. Nuno Saraiva é um autor muito conceituado que consegue muitas vezes fazer os seus trabalhos com apoios estaduais, a Asa aproveitou um grande trabalho e pouco investimento faz no mesmo.
    O Filipe Seems é uma reedição de algo editado há 30 anos. É importante estar disponível? Sim e Não. Não porquê, porque ocupa espaço à possibilidade de edição de três albuns nacionais de autores actuais mais recentes que mereciam destaque.

    Sendo um bocado maluquinho da teoria da conspiração, o facto do autor ter sido galardoado com o prémio monetário do Ministério da Cultura deve ter tido uma grande influência na decisão da reedição. O autor não tinha nada novo para monetizar a publicidade do prémio, reedita-se uma obra com 30 anos.

    “Ainda, para além de haver obras mais complicadas de editar por cá, devido ao custo dos direitos ou a ligações com o universo continuado dos heróis, também se dá haver direitos “presos” e inacessíveis a outras editoras interessadas.”

    A Asa, a Penguins são pesos pesados que a quererem conseguiriam ultrapassar facilmente esses entraves que refere. Fazem-no com “n” autores estrangeiros, porque não com as obras dos portugueses.

    Esses “direitos presos” apenas se justificam com as co-edições como a Seita e G-Floy fazem. Asa e Penguin, querendo, publicavam cá sozinhos obras que na sua maioria estão publicadas na Image Comics ou outras editoras mais independentes.

    “Seria bom cada autor internacional ter pelo menos 1 obra em Portugal, mas não acho que tudo tenha de ser traduzido, em especial num mercado pequeno como o nosso. À livrarias também a operar nesse campo, beneficiando com as obras à venda na língua original.”

    Há livrarias, mas a que o público generalista não tem acesso. As escolas portuguesas são o exemplo de como a BD portuguesa não está a chegar às novas gerações a não ser quando tem professores bibliotecários carolas que do seu bolso fazem chegar esses poucos livros editados em português às bibliotecas escolares.

    Discordo que nem tudo tenha de ser editado em português, pelo contrário devia haver um esforço, isso sim, para se editar o que é nosso para motivar as novas gerações a acompanhar e a acreditar nos nossos autores.

    Desde 2012 que vejo a Devir a oferecer mangas e a fazer palestras sobre o género em escolas de norte a sul do pais, houvesse mais autores portugueses editados lá fora a ser traduzidos ou a ser editados diretamente pelas editoras nacionais e teríamos um mercado estável para os criadores nacionais.

    Temos o mesmo número de habitantes da Bélgica, um dos países que mais consome e produz BD do seu próprio país, se eles conseguiram porque não havemos de o conseguir também.

    O público educa-se, basta haver vontade de quem edita. Os últimos 10 anos de edição são prova disso.

    PS: Uma vez que o Hugo referiu que o artigo era sobre autores que se destacaram em 2025, lembrei-me agora de um autor que deixaram de fora e que devemos admitir foi algo inédito tendo em conta que é um trabalho próprio e não feito para uma editora como Marvel / DC. Refiro-me ao livro “The Man Who Dreamt the Impossible” de Mário Freitas. Foi primeiramente publicado nos EUA na Image comics e só depois em Portugal, penso que teria merecido destaque no seu artigo.

    Saudações Bedéfila.

  6. Uma nota de rodapé caro Dário, se a Polvo consegue editar por cá autores brasileiros totalmente desconhecidos do público português e se a A Seita agora traz autores desconhecidos da Polónia porque descobriu um apoio do estado Polaco para editar autores desse país fora das suas fronteiras, também tem de haver espaço para editar obras de autores portugueses feitas lá fora, mas mais ainda as feitas por cá.

  7. Deixo aqui a minha lista de álbuns que considero que as grandes editoras portuguesas deviam trazer para as nossas livrarias.

    André Lima Araújo: “A Righteous Thirst For Vengeance” e a trilogia “Phenomena”

    Nuno Plati: “Metanoide” e “Racer X” (uma utópia, mas seria justo uma editora apostar no seu projecto pessoal “Mia: Tales from the Lost Islands”).

    Miguel Mendonça: Justice League: Last Ride (Devir podia-o fazer).

    Daniel Henriques: JLA e The Curse of Sherlee Johnson.

    Sei que há muitos mais autores que o mereciam, mas para começar estes é um crime ninguém os considerar essenciais em português quando se anda a publicar tanta coisa estrangeira bem mais medíocre.

  8. “O Varandas teve quatro álbuns publicados em português no passado. Bloodline e Paraíso Perdido na Meribérica, Gesta das Amazonas Dragões na Devir e muito recentemente o Morte Viva na Ala dos Livros. “
    “Sei que se fala no artigo de 2025/2026, mas o Manuel Morgado e o Jorge Miguel estão no mesmo patamar do Varanda, porque só depois de terem os seus álbuns editados em França, tiveram editoras nacionais a mostrar interesse em editá-los por cá.“

    Essas edições antigas do Varanda não são nem de perto intervenções no nosso mercado, são traduções de BD francesas, dado o relevo artístico que ele tinha nos anos 90 como uma das caras da “Nova BD Francesa”.
    Discordo da observação sobre o percurso do Morgado e Miguel: AMBOS editaram 2 a 3 álbuns (originais) cá antes de lhes surgir oportunidade em França, logo estás a ver as situações exactamente ao contrário de como aconteceu.
    E mais, o Jorge Miguel não voltou a editar originais cá, todas as suas BDs são adaptações francesas.
    Sobre o Varanda, mesmo que fizesse sentido o mencionar como autor português – o que discordo – o seu último álbum é de 2018.

    “O Carlos Pedro tem o álbum “Inge” em inglês para sair este ano e em 2025 fez uma história num comic especial da colecção “Magic The Gathering””

    Essa participação na BOOM! é de 2023, não 2025… E esse ‘Inge’ foi anunciado como produção portuguesa para a Gorila Sentado, não um comic estrangeiro.

    “O Miguel Montenegro lançou a 12 de maio o livro “Psicopatos – As Melhores Tiras dos Primeiros Dois Anos”. Dito isto merecia, nem que seja, uma nota de rodapé na vossa lista uma vez que cronologicamente foi o primeiro autor português a publicar na Marvel em tempos em que mais ninguém o conseguia e nos últimos tempos teve mais obras editas em português do que por exemplo o Eliseu Gouveia que apenas teve uma em 20 anos.”

    Repito, o objectivo do artigo são obras estrangeiras e actuais. E o Montenegro foi citado no topo do artigo, portanto até essa atenção foi feita. Apesar de, como indica o artigo, não ter sido o primeiro artista português a trabalhar na Marvel. Pergunto-me se leste, de facto, o artigo?!…
    De resto, faz um grande desfavor ao Gouveia, porque se não for o português com mais comics editados nos EUA, estará facilmente no top 5. Embora trabalhe para editoras indie tem tido uma longa carreira no mercado, em diversos formatos.

    “Várias não, apenas duas para cada um dos autores, Nuno Plati na colectânea da Escola António Arroio e André Araújo teve o seu Man Plus publicado na Kingpin Books. “

    Vou percebendo o porquê de tantas ilações erradas – simplesmente não tens conhecimento de todos os casos. Para além das antologias da António Arroio, o Plati editou em fanzine do Geraldes Lino, no Rupa e no álbum Milagreiro. E o Araújo, fora participar em antologias Zona, também editou no Venham +5.
    Em ambos os casos, são bem mais do que 1 edição portuguesa por cada, certo?…

    “Pelo que me pareceu ambos falavam de divulgação de autores nacionais em outras latitudes o que é o caso do Varanda, Carlos Pedro e Miguel Montenegro.”

    Pareceu-te mal, então. Falaram da internacionalizações de artistas portugueses NO PRESENTE ANO!… À data da primeira edição de um autor português nos EUA, que marca agora 25 anos. E para sermos justos, também se estendeu o foco para o mercado Europeu, para celebrar o trabalho doutros nossos profissionais nesse circuito.

    “Esta sua declaração é um bocado ingénua, num mercado tão pequeno lançar-se “calhamaços” como “O Meu Irmão”, Blast, A Fera (entre outros) prova que mesmo pequeno haveria mercado para publicar ainda mais obras de autores nacionais(…)”

    Não sei se prova isso. A aposta em Larcernet, que já esgotou vários álbuns “calhamaços” por cá, reflete a procura pelo público. Ingénuo é pensar que porque certos autores têm esse sucesso, isso valida apostas que nada têm a ver com estas circunstâncias. Estás a falar de “alhos e bugalhos”.

    “Estes três títulos são um péssimo exemplo de aposta séria da ASA em autores nacionais.”

    Tive oportunidade de ouvir do editor a natureza da aposta da Asa neste novo plano e estás redondamente enganado, para além da descredibilização ser muito injusta. Agora que uma editora grande está a financiar a sério produção portuguesa original será normal apontar o dedo só porque não o faz como gostarias?!… E sabes se não foi a Joana a preferir adaptar a BD daquela forma? Recomendo ouças as entrevistas sobre o trabalho, pois refere como partiu dela mesma aquele conceito de narrativa…

    “Sendo um bocado maluquinho da teoria da conspiração, o facto do autor ter sido galardoado com o prémio monetário do Ministério da Cultura deve ter tido uma grande influência na decisão da reedição. O autor não tinha nada novo para monetizar a publicidade do prémio, reedita-se uma obra com 30 anos.”

    As reedições do Filipe Seems foram feitas em 2024. O artista ganhou o prémio do Min. da Cultura ESTE ANO!… Achas que a Asa profetizou esse futuro destaque e decidiu reeditar as BDs dois anos antes para ninguém suspeitar? LOL Ou não terá antes sido porque 2024 marcou 30 anos da estreia da série?

    “Há livrarias, mas a que o público generalista não tem acesso.”

    Hoje em dia isso já não existe. Mais vezes do que não, o publico compra online, até para beneficiar de descontos, e as entregas chegam a qualquer parte do país. Basta um leitor interessado querer e tem acesso a qualquer edição.

    “Discordo que nem tudo tenha de ser editado em português, pelo contrário devia haver um esforço, isso sim, para se editar o que é nosso para motivar as novas gerações a acompanhar e a acreditar nos nossos autores.”

    …A CentralComics está a fazer esse serviço público com este artigo e com as lives, mesmo que tu estejas tão obstinado contra o trabalho de pesquisa feito.

    “Refiro-me ao livro “The Man Who Dreamt the Impossible” de Mário Freitas. Foi primeiramente publicado nos EUA na Image comics e só depois em Portugal, penso que teria merecido destaque no seu artigo.”

    Estás novamente enganado. Essa edição saiu em Portugal em 2024, com o título original português, e só um ano depois foi adaptada para inglês. Logo, é uma obra traduzida.

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