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Jogos: Teeto – Análise

Teeto é um collectathon 3D acolhedor e cheio de humor, que nos apresenta a um mundo estranho, mas, bastante carismático.

Teeto

Jogo: Teeto
Disponível para: PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Eat Pant Games
Editora: Super Rare Originals

Teeto

Teeto, da Eat Pant Games, chega com aquela energia rara de projecto pequeno feito com carinho, ambição e uma identidade muito própria. Estamos perante um collectathon 3D que não quer ser intimidante, nem punir o jogador por cada salto falhado, antes quer ser simpático, rápido a conquistar e consistente naquilo que promete: diversão leve, personagens endiabradas e um sorriso quase constante no canto da boca. A influência de clássicos como Banjo-Kazooie, Super Mario Odyssey e Crash Bandicoot é clara, mas o resultado não vive à sombra deles, porque aposta numa personalidade mais doméstica, mais absurda e, acima de tudo, mais Kiwi.

A premissa ajuda muito. Um ano depois de um cataclismo que varreu a humanidade, o mundo ficou nas mãos de animais, plantas e objectos domésticos com consciência. No meio desta maluqueira surge Nory, um coelho de peluche com cérebro de cientista, e Teeto, uma massa amorfa criada para absorver sombras e devolver alguma ordem ao caos. A história não tenta ser profunda, mas sabe ser certeira, com diálogo rápido, piadas secas e um humor muito próprio, entre referências ao cinema, videojogos e pequenas absurdidades que dão vida ao elenco. Há NPCs memoráveis, há piadas visuais, há um sentido de grupo de amigos a fazer um jogo porque sim, e isso nota-se em cada detalhe.

Teeto

Na jogabilidade, Teeto acerta no essencial. O movimento é leve, fluido e bastante acessível, com duplo salto, wall jump, glide, dash, ataque em mergulho e um ground pound que nunca se sente pesado. O grande truque está nas formas absorvidas, que funcionam como uma versão mais simples e directa das copy abilities de Kirby. O problema é que a ideia, por vezes, é menos inteligente do que parece, porque o jogo coloca muitas vezes o objecto certo mesmo ao lado do obstáculo certo, reduzindo o desafio de exploração. Ainda assim, a variedade de poderes, do fogo à rocha, da videira ao sofá armado de almofadas, mantém o ritmo vivo e evita a monotonia.

Os níveis, distribuídos por 20 capítulos e quatro actos, são o coração do pacote. Há aqui boa variedade, com áreas que vão de um quintal electrificado a um metrô labiríntico, de esgotos a uma praia, incluindo até uma sequência 2D musical que parece saída de um sonho cruzado entre Rayman Legends e um episódio de sábado de manhã. A estrutura de hub em ilhas também resulta, embora seja um pouco menos inspirada do que devia, com alguma linearidade a mais e pouca verticalidade. Falta-lhe, de vez em quando, aquela sensação de descoberta orgânica que distingue os melhores collectathons.

Teeto

Mesmo assim, Teeto compensa em quase tudo o resto. A banda sonora é excelente, variada e bem encaixada em cada cenário, o cooperativo local funciona lindamente e a apresentação visual é colorida, expressiva e muito charmosa. Há pequenos bugs, alguma draw distance curta e uns checkpoints de boss que podiam ser mais generosos, mas nada que derrube o conjunto. Teeto não reinventa o género, mas entende-o, respeita-o e embrulha-o numa alegria contagiante. É um jogo pequeno, sim, mas com alma a sério.

Nota: 8/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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