Jogos: Digimon Story Time Stranger (Nintendo Switch 2) – Análise
Digimon Story Time Stranger na Nintendo Switch 2 entrega um JRPG profundo, com combate estratégico e centenas de Digimon para colecionar.
Jogo: Digimon Story Time Stranger
Disponível para: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Media.Vision Inc.
Editora: Bandai Namco Entertainment
A série Digimon sempre viveu à sombra das comparações com Pokémon, mas Digimon Story Time Stranger faz questão de seguir um caminho completamente diferente. Em vez de apostar numa aventura leve e descontraída, a Bandai Namco apresenta um RPG com um tom mais maduro, uma narrativa que aborda viagens no tempo, conflitos morais e um mundo digital à beira do colapso. O resultado é um jogo ambicioso que nem sempre acerta no ritmo, mas que recompensa quem estiver disposto a investir dezenas de horas na sua aventura.
A história coloca-nos na pele de um agente da organização ADAMAS, encarregue de investigar fenómenos misteriosos numa versão futurista de Tóquio. Um desastre provocado pelos recém-descobertos Digimon destrói parte da cidade e lança o protagonista oito anos para o passado. A missão passa por impedir essa tragédia, enfrentar os poderosos Titans e encontrar uma forma de regressar ao presente. A narrativa alterna entre o mundo real e Illiad, um enorme mundo digital mergulhado numa guerra civil, criando um contraste interessante entre ambos. Ainda assim, a primeira metade da campanha demora demasiado tempo a encontrar o seu verdadeiro rumo. A ausência de um antagonista forte e uma estrutura algo repetitiva fazem com que o início seja menos envolvente do que deveria.
Quando finalmente ganha velocidade, o argumento melhora significativamente. As personagens recebem um desenvolvimento mais convincente, sobretudo graças à ligação entre a evolução dos Digimon e o crescimento emocional dos seus companheiros. Aegiomon, o parceiro que acompanha constantemente o jogador, acaba por ser uma das figuras mais memoráveis da aventura, ajudado por uma excelente interpretação vocal tanto em inglês como em japonês.
O combate continua a ser o grande trunfo da série Story. As batalhas por turnos colocam três Digimon ativos em campo, acompanhados por três elementos de suporte, criando encontros que exigem muito mais estratégia do que simplesmente escolher o ataque mais poderoso. O sistema de atributos cruza sete tipos principais com onze elementos distintos, obrigando a explorar fraquezas para maximizar o dano. Durante as fases mais avançadas, ignorar estas mecânicas significa quase sempre perder o combate.
A recolha de Digimon também mantém uma identidade própria. Em vez de capturar criaturas, o jogador analisa os adversários derrotados até atingir 100% dos seus dados, permitindo sintetizar uma cópia. Quem tiver paciência para chegar aos 200% recebe uma versão inicial mais forte. O sistema de Digievolução continua impressionante pela quantidade de caminhos alternativos, requisitos de atributos e diferentes personalidades que alteram o crescimento de cada criatura. É um sistema profundo, viciante e perfeito para quem gosta de experimentar combinações durante horas. Em contrapartida, a possibilidade de ensinar praticamente qualquer habilidade a qualquer Digimon acaba por reduzir alguma da identidade individual de cada um, tornando certas escolhas mais estéticas do que estratégicas.
Fora dos combates, Time Stranger oferece uma quantidade generosa de conteúdo secundário, incluindo missões opcionais, masmorras repetíveis, gestão da Digi-Farm e até um minijogo de cartas. A gestão da equipa pode ser feita diretamente nos menus, uma melhoria muito bem-vinda que elimina deslocações desnecessárias. O reverso da medalha é uma interface carregada de opções, que por vezes se torna excessivamente complexa para tarefas simples.
Na Nintendo Switch 2, o jogo beneficia de uma atualização gratuita que transforma completamente a experiência técnica. Os tempos de carregamento são praticamente inexistentes, os cenários apresentam maior nitidez e existe a possibilidade de jogar a 60 fotogramas por segundo no modo Performance, uma melhoria que torna a exploração e os combates bastante mais fluidos. A transferência dos dados guardados da versão original também decorre sem complicações, tornando esta a plataforma ideal para descobrir ou revisitar a aventura.
Digimon Story Time Stranger não é um JRPG perfeito. O arranque lento, a reutilização frequente de cenários e alguns sistemas excessivamente dependentes de menus impedem-no de atingir outro patamar. Ainda assim, quando todas as suas peças encaixam, oferece um dos sistemas de progressão mais satisfatórios do género e um combate que recompensa verdadeiramente o pensamento estratégico. Para fãs de Digimon, é uma compra praticamente obrigatória. Para os restantes jogadores, é uma excelente oportunidade para descobrir porque esta série continua a ter uma identidade muito própria.
Nota: 9/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






