Jogos: Assassin’s Creed Black Flag Resynced – Análise
Assassin’s Creed Black Flag Resynced moderniza um dos melhores jogos da série com melhorias visuais e uma navegação mais envolvente.
Jogo: Assassin’s Creed Black Flag Resynced
Disponível para: PC, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Ubisoft
Editora: Ubisoft
Assassin’s Creed Black Flag sempre ocupou um lugar especial dentro da longa história da Ubisoft. Enquanto muitos capítulos da série ficaram presos ao conflito entre Assassinos e Templários, a aventura de Edward Kenway destacou-se por colocar a fantasia de ser pirata acima de tudo. Assassin’s Creed Black Flag Resynced recupera precisamente essa essência, mas fá-lo através de uma reconstrução profunda que vai muito além de um simples remaster. O resultado é um excelente exemplo de como revisitar um clássico sem comprometer aquilo que o tornou memorável.
A mudança mais evidente surge na componente visual. Desenvolvido com a mesma tecnologia utilizada em Assassin’s Creed Shadows, este novo lançamento apresenta Caraíbas muito mais vivas, com florestas densas, mares cristalinos e uma iluminação impressionante. As reflexões com ray tracing transformam o oceano num espetáculo constante e os fenómenos meteorológicos dinâmicos, como tempestades e enormes trombas de água, acrescentam tensão às viagens. Tudo isto é acompanhado por uma performance sólida, mantendo praticamente sempre os 60 fotogramas por segundo no modo Performance da PlayStation 5 Pro, enquanto a eliminação dos ecrãs de carregamento torna a exploração bastante mais fluida.
Apesar do enorme salto tecnológico, a Ubisoft resistiu à tentação de transformar Black Flag num RPG moderno. Edward continua a evoluir através da exploração, da recolha de recursos e da melhoria do Jackdaw, sem níveis artificiais ou árvores de habilidades intermináveis. O combate corpo a corpo foi significativamente melhorado, oferecendo animações mais impactantes, novos golpes finais e um sistema de aparar e esquivar que exige maior atenção do jogador. O parkour também beneficia de movimentos mais naturais, embora ainda existam pequenos momentos em que a personagem parece insistir em seguir a direção errada, uma limitação herdada do original.
Naturalmente, é no mar que Assassin’s Creed Black Flag Resynced continua a mostrar toda a sua personalidade. Os confrontos navais permanecem tão emocionantes como há mais de uma década, mas recebem novas camadas de profundidade. As armas secundárias aumentam as possibilidades estratégicas, enquanto as swivel guns exigem agora pontaria manual para atingir pontos vulneráveis das embarcações inimigas. Pequenos melhoramentos de qualidade de vida, como a possibilidade de selecionar manualmente as shanties da tripulação ou regressar instantaneamente ao Jackdaw através do mapa, tornam a experiência muito mais confortável. Também a gestão da frota passa finalmente a estar integrada no jogo, eliminando qualquer dependência de aplicações externas.
Nem todas as alterações resultam da mesma forma. A remoção completa da narrativa passada na Abstergo acelera o ritmo da campanha, mas também reduz parte da identidade histórica da série. A ausência das missões de Freedom Cry é igualmente difícil de justificar, sobretudo quando este conteúdo era considerado um dos melhores complementos do jogo original. Ainda assim, as novas cenas animadas, os diálogos regravados e o epílogo inédito oferecem maior desenvolvimento a várias figuras históricas e enriquecem a viagem de Edward.
Mesmo mantendo algumas atividades secundárias repetitivas e um protagonista que continua a demorar algum tempo até revelar toda a sua profundidade, Assassin’s Creed Black Flag Resynced demonstra como se moderniza um clássico sem perder a sua identidade. É uma aventura mais compacta, respeita o tempo do jogador e lembra porque continua a ser um dos capítulos mais acarinhados da saga.
Nota: 9/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





