Jogos: Análise – Ori and the Will of the Wisps

Quando Ori and the Blind Forest foi lançado em 2015, o seu sucesso entre os jogadores provou que todo o trabalho árduo da Moon Studios valeu a pena, tendo ganho a atenção da Microsoft Studios e ser lançado primeiramente na Xbox One e no Windows.

Bastou dois anos até que a sua sequela, Ori and the Will of the Wisps fosse anunciado, tendo direito a um trailer novo na E3 entre 2017 e 2019, com alguns adiamentos até à sua data de lançamento de 11 de Março de 2020.

Nesta sequela, seguimos Ori, um pequeno espírito guardião que desta vez tem a missão de procurar o seu amigo Ku, perdido algures no vasto mundo do jogo, cabendo a nós ajudarmos nessa busca. Adaptando o mecanismo dos side-scrollers e jogos de plataformas tradicionais, inspirados em jogos da saga Metroid e Castlevania, temos agora ao dispor um novo sistema de shards, onde vamos coleccionando diferentes habilidades que nos irão ajudar na aventura e que são facilmente adaptados aos diversos estilos de jogo e situações que teremos que confrontar.

Deste modo, iniciamos o jogo com as habilidades básicas, mas não por muito tempo, já que o jogo apresenta um ritmo de crescimento proporcional à nossa exploração do enorme mapa, constituído por diversas áreas que requerem um conjunto variado de talentos. Durante umas boas horas de jogo, é frequente depararmos com a dificuldade de prosseguir naquele sentido, pois ainda não temos a habilidade apropriada que nos permite ter acesso, seja um salto triplo, nadar em água ou atravessar paredes de areia. É igualmente frequente depararmos com momentos de alguma frustração, algo que deveremos encarar como normal tendo em conta o tipo de jogo, exigindo ao jogador que seja criativo na resolução dos problemas. Mas uma vez ultrapassados, a recompensa é enorme, pois podemos seguir em frente na nossa missão. No Windows, ainda que se possa utilizar um teclado, recomenda-se vivamente o uso de um comando, sobretudo nas alturas em que temos que recorrer a diferentes combinações de habilidades.

Ainda que seja uma sequela, novos jogadores estarão à vontade em começar o jogo, apresentado uma belíssima narrativa que, sem muitos diálogos, nos consegue mexer com a alma de uma forma que muitos jogos conseguem. Seguimos investidos na busca do nosso amigo Ku, enquanto enfrentamos diversas criaturas coloridas e perigosas que se metem no nosso caminho. É fácil nos perdermos na exploração das diferentes áreas, podendo nós decidir alguns dos rumos a tomar, enquanto coleccionamos artefactos em formas de moeda, ou que ajudam uma das personagens secundárias a construir certos pontos do cenário, alguns deles que facilitam a nossa exploração; tendo também a oportunidade de obtermos um mapa completo sem requerer a compra de um conteúdo extra, algo que vemos em alguns dos novos lançamentos.
A isto se adiciona um balanço natural entre momentos de grande calma e de acção frenética é um dos pontos mais fortes do jogo, onde morrer várias vezes apenas faz parte do processo de chegarmos ao nosso destino.

Durante a análise, esta feita em ambos a Xbox One S e no Windows, notamos alguns bugs, estes já conhecidos pelo estúdio e que certamente serão resolvidos numa actualização que deverá chegará tão cedo quanto possível. Em nenhum momento estes interferiram gravemente o percurso do jogo, notando apenas um bug relacionado com o som no Windows que por vezes causava alguma impressão momentânea. Apesar disso, a fluidez da jogabilidade tem um pequena curva de aprendizagem, mas com os vários cenários à vista, é fácil nos deixarmos perder.

Assim, Ori and the Will of the Wisps pode ser já considerado um dos jogos do ano, com muitas horas de jogo e muitos sítios para explorarmos e descobrir os segredos que escondem, com uma história que com certeza nos irá ficar no coração durante muito, muito, tempo.

Nota Final: 9/10

Ori and the Will of the Wisps está disponível para Xbox One e Windows (versões testadas), na Microsoft Store e na Steam. O jogo também está disponível para descarregar para subscritores Xbox Game Pass e Xbox Game Pass Ultimate.

[O Central Comics agradece à Xbox Portugal]

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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