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Crítica: As Bruxas de Roald Dahl

As Bruxas tem como inspiração um dos contos mais excêntricos de Roald Dahl e esta adaptação por parte de Robert Zemeckis do livro de 1983 (que já havia sido adaptado para cinema em 1990) consegue manter os desígnios da obra original, sendo igualmente estranha e sombria. Tendo como pano de fundo a Alabama dos anos 60 do século passado, a história acompanha um rapaz órfão que vai viver com a avó e acaba envolto num plano maléfico orquestrado por um conjunto de bruxas. A criança acaba transformada em rato e o que se segue é uma aventura peculiar e visualmente deslumbrante, que oscila entre um drama sombrio e diversão para toda a família.

A história revela-se simples, tal como no conto infantil, mas o tom varia ao longo da narrativa, ficando a ideia de que o realizador não sabia a que público-alvo agradar. Por vezes, assistimos a uma aventura de ação para toda a família, com ratos falantes, piadas divertidas e uma atmosfera encantadora, que fazem com que seja fácil recomendar o filme. Contudo, existem sequências em que os acontecimentos parecem demasiado sombrios para os espectadores mais novos, fazendo com que a película não siga um tom uniforme. Ainda assim, todos estes elementos são característicos das obras de Dahl e algumas das suas ideias mais estranhas e controversas são aqui mantidas.Pese embora a inconsistência demonstrada a espaços, As Bruxas é uma experiência agradável à vista. Este mundo colorido salta para fora do ecrã e o elenco preenche-o de forma irrepreensível. Octavia Spencer, como habitual, não desilude e é uma presença magnética do início ao fim, roubando todas as cenas em que entra. O jovem Jahzir Kadeem também está magnífico, ao passo que Stanley Tucci revela-se divertido como sempre. Contudo, o grande destaque vai para Anne Hathaway, a vilã do filme, que é igualmente aterradora e irresistível, com o seu acento forçado, mas que cai que nem uma luva na personagem.

Os aspetos mais técnicos do filme elevam igualmente a fasquia, com a banda sonora de Alan Silvestri a complementar muito bem a ação, ao mesmo tempo que os efeitos especiais vistosos impressionam. As Bruxas são a prova de que ainda há muitas histórias de Dahl para contar em filme e, tal como nos livros icónicos do autor, não obstante a estranheza ou sentimento de desconforto que as histórias possam provocar, tudo isso faz parte do charme das mesmas. Em suma, nestes tempos de pandemia em que as festas de Halloween estão altamente restringidas, este As Bruxas pode ser uma forma bastante simpática de passar a noite mais assustadora do ano.

Nota Final: 7/10

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