Cinema: MOTELx 2018 – Resumo do 4º Dia (Parte I)

O quarto dia do MOTELX – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa começou com uma praxe que correu mal, uma antologia folklórica e uma produção nacional com fantasmas.

Pledge, Estados Unidos da América, 2018

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Por esta altura, as práticas das praxes universitárias devem ser, novamente, tópico de debate. Mas enquanto que o sistema por cá é feito duma forma, nos Estados Unidos existem fraternidades e as praxes podem ir para o lado ainda mais extremo do espectro.

É esse extremo que o realizador Daniel Robbins e o escritor Zack Weiner levem o seu filme, Pledge, sobre um grupo de amigos que descobrem que para entrar na casa de fraternidade que parece perfeita para as suas personalidades mais peculiares, terão que passar uma série de testes macabros.

O filme, tendo uma duração menos longa, com apenas 78 minutos de película, permite que a narrativa esteja sempre nos bicos dos pés e avançar a um ritmo que captiva o espectador e não distrai com sub-plots desnecessários.

Os obstáculos e subsequentes consequências de lidarem com os desafios propostos abrem as portas para todo um novo nível de tortura física e psicológica, os mesmos dos quais são fortemente criticados na vida real; sendo que esta fantasia das praxes terão com certeza alguma semelhança com aquilo no qual se inspira.

Ainda que não introduz nada de novo, o seu formato cru, juntamente com uma boa dose de terror, Pledge prova que não é preciso um argumento com palha para mostrar o seu ponto, fazendo ele, e muito bem, esse trabalho de forma competente.

Nota Final: 7/10

The Field Guide To Evil, Áustria, Alemanha, Grécia, Hungria, Índia, Polónia, Turquia, EUA, 2017

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As antologias de terror em cinema sempre foram um risco, nunca sabendo a reacção do público que vê. Basta um dos segmentos não atrair o espectador que o perdemos durante um bom bocado.

Mesmo assim, The Field Guide to Evil junta alguns dos nomes mais importantes do momento no cinema de género, como Can Evrenol (Baskin, Housewife), Peter Strickland (Berberian Sound Studio) e o duo Severin Fiala & Veronika Franz (Goodnight Mommy).

  Sem pontaria para a liderança

São oito os segmentos que compõem as quase duas horas de filme, com contos inspirados pelo folklore e assim adaptados pela visão de cada um.

Infelizmente esta antologia tem graves problemas de consistência, sobretudo em manter as emoções desejadas entre segmentos, muitas vezes passando para um registo diferente sem contexto. A isto se junta a uma duração longa e períodos de atenção que se vão perdendo, devido à falta de interesse.

Enquanto de Evrenol faz sucesso com “Al Karisi” e Calvin Reeder aborda um lado mais silly com a sua homenagem dos anos ’80 “The Melon Heads”, os restante segmentos não parecem conseguir fazer algo consistente ao seu talento demonstrado em outras obras, como também a consistência nesta antologia.

Nota Final: 2/10

Inner Ghosts, Portugal/Brasil, 2018

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Sendo um dos dois filmes Portugueses em competição no MOTELX, foi com uma curiosidade aguçada que se viu este Inner Ghosts, escrito e realizado por Paulo Leite.

Helen (Celia Williams) é uma médium, tornada investigadora científica, que procura provar que é possível contactar a energia das almas de pessoas falecidas, tendo apenas que criar o dispositivo certo e provar, de modo científico, que fantasmas existem.

Enquanto que todo o místico das criaturas que estão do outro lado está minimamente bem conseguido, como também toda a imagem que possuem, os diálogos não são os mais coerentes nem a forma que a narrativa faz para com que a esta ande para a frente, parecendo muitas vezes forçado.

Por outro lado, todo o elenco feminino, constituído por Celia Williams, Iris Cayatte e Elizabeth Bochmann são as melhores partes do filme no que toca à construção de personagem, encarando-as com algum medo real.

Infelizmente, tudo o resto descai em pedaços, com os últimos 10 minutos de filme serem completamente imperceptíveis, culpa da cena ser toda em strobe durante o clímax do filme, correndo o risco de arruinar o dia a vários espectadores (este incluído) a sentirem-se mal.

Por mais que se admire haver longa-metragens de género made in Portugal, fora o conceito, talvez este Inner Ghosts não seja o caminho a seguir.

Nota Final: 2/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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