Cinema: Crítica – BlacKkKlansman: O Infiltrado (2018)

Numa altura em que a política norte-americana se encontra numa situação frágil, devido ao presidente eleito Donald Trump, eis Spike Lee, o único realizador capaz de providenciar uma crítica objectiva e ao mesmo tempo oferecer um filme cujo valor de entretenimento é alto e nos traz o que poderá ser um dos filmes mais importantes da geração: BlacKkKlansman: O Infiltrado.

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O ano é 1979 e Ron Stallworth (John David Washington, filho de Denzel Washington) é o primeiro polícia negro no departamento policial em Colorado Springs. Ambicioso, ao encontrar um anúncio do grupo Ku Klux Klan no jornal, decide ligar para o número e fazer-se passar por um defensor da raça ariana, com o objectivo de infiltrar o grupo.

Naturalmente, Stallworth não o poderá fazer ele próprio, tendo que recorrer ao seu parceiro Flip Zimmerman (Adam Driver), que irá o representar fisicamente, criando um duo que tem que trabalhar em conjunto se querem que o caso tenha sucesso.

É de loucos pensar que isto é apenas o inicio duma história baseada em factos verídicos, ou como Lee diz, “based on some fo’ real s***“, mas rapidamente percebemos que a vida é mais estranha do que a ficção.

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A conotação cómica num filme denso de drama é um dos pontos altos do filme. Há vários momentos em que o espetador se sente tão pasmado que a reacção natural será rir, como em momentos onde ouvimos David Duke (Topher Grace), na altura o supremo líder dos KKK, a dizer coisas muito semelhantes que um certo presidente atual duma super potência. Soa-vos familiar?

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São muitos os momentos que incentivam a raiva. Raiva esta ser uma reflexão em como nós seres humanos deixamos que o ódio chegue a este ponto; nas coisas que foram construídas na base do nosso passado tumulto e como estamos a reagir hoje perante ao fanatismo de nacionalistas.

Tudo isto é reforçado com várias peças do panorama, desde a cena da guerra civil em E Tudo o Vento Levou, ao clássico de 1915 O Nascimento de Uma Nação, que, para quem não conhece, é um filme de três horas sobre a criação do KKK, ao qual é considerado uma obra importante para este grupo.

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Se por um lado Washington continua e muito bem o legado do pai, Driver mostra que o seu talento vai muito para além da saga da Guerra das Estrelas.

É graças também à realização de Spike Lee, que está sempre um passo à frente da sua narrativa e que conta esta história duma forma visualmente cuidada, sem qualquer indício de ser pretensioso.

No fim, BlacKkKlansman: O Infiltrado são 2h10m da derradeira crítica social ao que temos entre mãos hoje: Um mundo que parece não aprender dos seus erros, preferindo repeti-los. Só espero é que daqui a 20 anos olhemos para este clássico mais como uma comédia do que um “agora”.

  • BlacKkKlansman: O Infiltrado estreia a 6 agosto 2018 nos cinemas

Nota: 9/10

Ricardo Du Toit

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

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1 Response

  1. Incrível! O ator Adam Driver se compromete muito com o personagem. Eu gostei e você? Me surpreendeu o ator. Seu trabalho é excelente como neste filme. Sigo muito os filmes com Adam Driver, sempre me deixa impressionada em cada nova produção. O vi recentemente em um bom filme chamado Lucky Logan Roubo em Família, foi um dos melhores filmes de comedia 2017 eu recomendo!, o êxito do filme se deve muito ao grande elenco que é bastante conhecido pelo seu grande trabalho. Foi o meu filme preferido.

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