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Análise | Final Fantasy Resonance – O combate é a verdadeira força dos cristais

Final Fantasy Resonance recupera o universo de Brave Exvius num RPG HD-2D de combate estratégico, mas a história nem sempre acompanha a qualidade das mecânicas.

Final Fantasy Resonance

Jogo: Final Fantasy Resonance
Disponível para: PC, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2,PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Square Enix, LANCARSE Ltd.
Editora: Square Enix

Final Fantasy Resonance

Há uma boa dose de ironia em Final Fantasy Resonance: um jogo nascido de um RPG mobile com mecânicas gacha encontra a sua melhor forma quando se livra delas. Esta adaptação do primeiro arco de Final Fantasy Brave Exvius transforma a aventura num RPG tradicional, com mapa-mundo, cidades, encontros aleatórios, masmorras e um dirigível para explorar o cenário à procura de segredos. É uma estrutura familiar, pensada para recuperar o sabor dos Final Fantasy clássicos.

O combate por turnos é onde Resonance ganha identidade. Cada personagem tem uma função e uma árvore de competências próprias, mas o sistema Visions acrescenta uma camada de personalização importante. Estas manifestações de figuras da série funcionam como profissões secundárias: equipar Cloud, Tidus ou Firion permite aceder às suas técnicas, ajustar atributos e desbloquear habilidades permanentes através da mestria. A evolução das Visions, alimentada por Magicite, incentiva a experimentar combinações em vez de ficar preso a uma única configuração.

Final Fantasy Resonance

Há também um incentivo para estudar cada adversário. Explorar fraquezas elementais aumenta o medidor de stagger e, quando o inimigo fica vulnerável, a equipa ganha turnos extra para preparar um ataque Resonance. É uma recompensa bem integrada nas batalhas, sobretudo nos confrontos mais exigentes da segunda metade, onde os estados negativos e os golpes mais pesados obrigam a pensar na composição do grupo. As três dificuldades ajudam a ajustar o desafio.

A apresentação acompanha as mecânicas. O estilo HD-2D dá vida aos cenários e aos sprites, com animações expressivas e uma câmara que por vezes abandona a perspetiva habitual para se aproximar das personagens. A banda sonora recupera temas de Brave Exvius e apresenta novos arranjos, alguns bem mais agressivos do que seria de esperar de um RPG de fantasia.

A história começa com Rain e Lasswell a tentar proteger os cristais depois de o Cristal da Terra ser destruído pelos Sworn Six. O elenco é simpático, Fina, Nichol e Sakura têm momentos interessantes, e as conversas opcionais ajudam a criar familiaridade com o grupo. A dobragem integral dá presença às personagens, embora não consiga corrigir os diálogos demasiado extensos. Ainda assim, falta à narrativa uma ideia central que lhe dê peso. Alguns antagonistas ficam aquém e a aventura perde fôlego nas últimas horas, entre masmorras demoradas, sucessões de bosses e tarefas de ida e volta. Curiosamente, as missões secundárias fazem o percurso inverso: começam como recados pouco inspirados, mas acabam por oferecer histórias pessoais e pormenores úteis sobre o mundo.

Final Fantasy Resonance

Com cerca de 40 a 45 horas, Final Fantasy Resonance é um RPG agradável, sobretudo quando deixa o combate falar por si. A narrativa raramente acompanha a qualidade do sistema Visions, mas há uma base sólida que merece ser aproveitada noutros jogos. É uma aventura que sabe bem jogar enquanto dura, mesmo que não fique connosco muito depois dos créditos.

Nota: 8,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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