Crítica | Fuck My Son!: Um filme vil e cruel, disfarçado de comédia extrema
Adaptado da banda desenhada de Johnny Ryan, Fuck My Son! é um filme que esconde as suas intenções numa obra sem propósito, sob o pretexto da liberdade de expressão.
O cinema de género alberga obras dos mais variados subgéneros, criadas com intenções e propósitos distintos. Ainda assim, o mais essencial será, em princípio, entreter o espectador. Perante a enorme diversidade de públicos – que procuram experiências cada vez mais diferenciadas -, há cineastas que arriscam mais ou menos para se distinguirem no meio de uma competição constante pela atenção. Fuck My Son! é um caso especial, e não propriamente pelas melhores razões: uma tentativa desesperada de ofender suscetibilidades.
Os limites do cinema de género testado ao máximo
Conhecemos Sandi (Tipper Newton), uma mulher raptada juntamente com a filha, Bernice (Kynzie Colmery), por Vermina (Robert Longstreet), uma idosa que cuida do filho mutante, Fabian (Steve Little). Vermina quer apenas uma coisa: obrigar Sandi a ter relações sexuais com o seu filho, contra a sua vontade.

O que, no papel, poderia aparentar ser um filme altamente tenso – capaz de abordar temas como o consentimento, a cultura incel, a crueldade humana, e toda uma panóplia de ideias pertinentes – depressa se revela uma ode depravada ao cinema transgressivo. É uma obra propositadamente vil, cujo único objetivo é chocar durante pouco mais de hora e meia, sem qualquer indício de qualidades redentoras.
Embora o início estabeleça um tom paródico, a rapidez – e a vontade – com que o filme corre para o extremo da violência sexual e da depravação deixa pouco espaço para qualquer leitura satírica consistente. A narrativa parece tratar a crueldade como um fim em si mesma, criando um ambiente em que rir de situações de abuso e humilhação é apresentado como aceitável, sem que exista uma perspectiva crítica suficientemente clara para o justificar. Mesmo nos seus piores e mais depravados momentos, o tão infame A Serbian Film tinha algum tipo de crítica social.
A adaptação da obra do autor irreverente de Fuck My Son!

Baseado na banda desenhada de Johnny Ryan – um autor de irreverência, no mínimo, discutível -, Todd Rohal adapta e realiza um filme que não é, de todo, acessível a qualquer público. E, para o tipo de espectador a que aparentemente se dirige, talvez seja melhor não questionar demasiado o que isso diz sobre os seus gostos. É uma obra que oscila entre um compromisso sem restrições com o mau gosto e um espírito juvenil, narcisista e provocador, sem propósito visível para além de ser genuinamente horrível perante as convenções sociais. Sobretudo quando arrasta crianças para o centro deste espetáculo nojento, mais uma vez, aparentemente apenas porque pode.

Com isto, Fuck My Son! põe à prova os limites não só do humor, mas também do público que consome ativamente este tipo de conteúdos. Fica a dúvida: estamos perante uma obra de ficção transgressiva ou uma iniciação inaceitável destinada a testar os fanáticos do género? Aos fãs que encontrarem verdadeiro prazer nesta experiência, fica apenas um conselho: talvez seja sensato procurar ajuda profissional.
Nota Final: 1/10
Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.
