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Análise | Onimusha: Way of the Sword: A espada volta a brilhar

Onimusha: Way of the Sword recupera a identidade da série da Capcom com combate exigente e uma atmosfera demoníaca.

Onimusha: Way of the Sword

Jogo: Onimusha: Way of the Sword
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch 2, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Capcom
Editora: Capcom

Onimusha: Way of the Sword

Depois de mais de 20 anos afastada dos videojogos, a série Onimusha regressa com Way of the Sword, uma aventura que preserva parte da identidade dos clássicos da PS2, mas abandona sem medo as câmaras fixas, os controlos tanque e os puzzles à Resident Evil. No seu lugar encontramos um jogo de ação na terceira pessoa muito mais próximo de Sekiro, Dark Souls ou Star Wars Jedi, com uma estrutura moderna que resulta melhor do que seria de esperar.

A escolha de Miyamoto Musashi como protagonista é uma das grandes apostas. Conhecido pela sua carreira invicta em mais de 60 duelos, Musashi surge aqui inspirado visualmente no lendário Toshirō Mifune e com uma personalidade que recupera o espírito irreverente de Kikuchiyo, de Os Sete Samurais. É impulsivo, arrogante e divertido, mas também carrega uma questão interessante: até que ponto pode um guerreiro aceitar uma vantagem que considera desonesta?

Essa vantagem tem a forma de uma luva Oni senciente, responsável por ressuscitar Musashi depois de este ser morto pelos Genma e por absorver as almas dos inimigos. A premissa é simples, mas ganha força através da evolução do protagonista, que começa por rejeitar o poder da luva e acaba por compreender que força e honra nem sempre são conceitos incompatíveis.

É no combate que Way of the Sword realmente encontra a sua identidade. Os ataques leves e pesados são acessíveis, mas cada confronto exige atenção, sobretudo graças ao sistema de Posture. Bloquear, aparar e esquivar no momento certo desgasta a defesa dos inimigos, abrindo espaço para um Issen, um contra ataque preciso capaz de causar enormes quantidades de dano. Quando a postura quebra, entram em cena as execuções e os desmembramentos, que transformam cada vitória num espectáculo bastante satisfatório.

O sistema de almas acrescenta uma camada estratégica que funciona muito bem. As almas vermelhas servem para comprar e melhorar equipamento, as amarelas recuperam vida e as azuis alimentam os Oni Armaments, mas deixar recursos por recolher pode ser perigoso. Inimigos sobreviventes podem absorver essas almas, ficando mais fortes e, em certos casos, adquirindo novas habilidades. É uma mecânica que recompensa a agressividade, mas também obriga a pensar antes de avançar.

Onimusha: Way of the Sword

A exploração acompanha este ritmo com uma aldeia central em Edo que vai sendo recuperada à medida que a Malice é eliminada. Kyoto transforma-se numa sucessão de ambientes bastante distintos, desde ruínas corrompidas a florestas, montanhas e palácios subterrâneos onde o body horror ganha contornos particularmente desagradáveis. Visualmente, é um dos grandes destaques do jogo, e na Switch 2 o RE Engine mostra do que é capaz.

No desempenho, o jogo impressiona. O modo predefinido aposta nos 30 fps, enquanto o modo de desempenho desbloqueia a framerate, aproximando-se dos 60 fps com poucas quebras. Em modo portátil existe uma redução evidente da resolução, mas o impacto visual continua impressionante. A possibilidade de usar controlos de movimento para os golpes e o giroscópio para o arco são bons extras, embora não sejam indispensáveis.

Nem tudo funciona com a mesma eficácia. A segunda metade sofre com problemas de ritmo e algumas missões de recados demasiado repetitivas, enquanto a reutilização de subchefes e inimigos comuns se torna evidente ao longo das cerca de 20 horas da campanha. O sistema de cura também podia ser mais consistente, já que uma utilização interrompida durante o caos de um combate pode transformar uma recuperação garantida numa morte frustrante.

Ainda assim, Onimusha: Way of the Sword compreende aquilo que torna um bom jogo de espadas tão viciante. O combate exige prática, os confrontos contra bosses recompensam a leitura dos padrões e cada parry bem executado transmite aquela sensação rara de domínio sobre o sistema. A banda sonora orquestral ajuda a elevar a escala dos momentos mais importantes, enquanto o áudio japonês encaixa melhor na atmosfera do que a localização inglesa, tecnicamente competente, mas demasiado moderna para este universo.

Onimusha: Way of the Sword

Way of the Sword não é um regresso perfeito, mas é um regresso convincente. A Capcom conseguiu actualizar Onimusha sem apagar a sua personalidade, entregando uma aventura brutal, visualmente impressionante e construída à volta de um combate que sabe quando desafiar o jogador. Para quem esperou duas décadas por este regresso, Musashi chegou tarde, mas chegou com a espada afiada.

Nota: 8,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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