Jogos: BLUE REFLECTION Quartet – Análise
Blue Reflection Quartet reúne toda a saga numa coleção oferecendo mais de 100 horas de JRPG com excelente relação qualidade preço.
Jogo: BLUE REFLECTION Quartet
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: KOEI TECMO GAMES CO., LTD.
Editora: KOEI TECMO GAMES CO., LTD.
Poucas séries representam tão bem o conceito de joia escondida como Blue Reflection. A franquia da Gust nunca alcançou a popularidade de outras propriedades da Koei Tecmo, mas sempre conquistou um público fiel graças à sua abordagem intimista, ao foco nas emoções das personagens e a uma identidade visual muito própria. Blue Reflection Quartet chega agora à Nintendo Switch 2 com a missão de preservar toda a série, reunindo os quatro capítulos num único pacote que não só estabelece um cânone mais consistente, como também oferece uma das melhores relações qualidade preço do género.
A coleção inclui o Blue Reflection original, Second Light e ainda duas recriações completas de Blue Reflection: Ray e Blue Reflection: Sun. Em vez de simples adaptações, estes dois últimos foram reconstruídos como experiências totalmente jogáveis, permitindo que histórias anteriormente dependentes de um anime ou de um jogo mobile desaparecido possam finalmente ser apreciadas de forma integrada. O resultado é uma narrativa muito mais coesa, eliminando barreiras que anteriormente dificultavam a entrada de novos jogadores.
O fio condutor continua a ser o mesmo, jovens marcadas por traumas, inseguranças e memórias perdidas encontram força através da amizade, da empatia e da capacidade de enfrentar os próprios medos. É uma abordagem claramente inspirada no universo das magical girls, mas sem cair em clichés exagerados. Pelo contrário, Blue Reflection aposta em relações genuínas, conversas longas e momentos de enorme vulnerabilidade. O segundo jogo continua a destacar-se pela forma natural como desenvolve relações românticas entre várias protagonistas, sem transformar isso numa declaração artificial, algo raro dentro do panorama dos JRPG modernos.
Também a jogabilidade beneficia desta compilação. Toda a coleção utiliza uma versão evoluída do sistema de combate de Second Light, abandonando as limitações do primeiro jogo em favor de batalhas mais dinâmicas, onde a gestão de combos e do sistema de mudanças de equipamento dita o ritmo dos confrontos. À medida que a equipa acumula impulso, desbloqueia transformações Reflector capazes de inverter qualquer combate. Em paralelo, o sistema de Fragments recompensa quem investe tempo nas relações sociais, funcionando quase como uma versão simplificada das mecânicas de Persona. Felizmente, nunca exige horas de grinding, privilegiando antes a progressão narrativa e a ligação às personagens.
Nem tudo é perfeito. A dificuldade permanece bastante baixa durante praticamente toda a aventura e os sistemas dificilmente desafiam jogadores mais experientes. Além disso, continuam presentes algumas limitações típicas das produções de menor orçamento da Gust, desde animações rígidas até transições pouco elegantes entre cenas. Há ainda decisões mais controversas, nomeadamente algumas alterações visuais introduzidas para cumprir normas modernas de distribuição digital. Embora a história permaneça intacta, certas cenas perderam parte da sua carga simbólica ao suavizar elementos que originalmente exploravam a vulnerabilidade e a delicadeza das protagonistas.
Visualmente, porém, Blue Reflection Quartet continua encantador. A direção artística de Mel Kishida mantém uma personalidade única, com tons azuis suaves, cenários oníricos e um efeito semelhante a desenhos feitos a lápis que continua a envelhecer de forma notável. A banda sonora acompanha esse nível de qualidade, alternando entre temas ambientais serenos e músicas pop energéticas durante os momentos mais importantes. Apenas as vozes japonesas estão disponíveis, mas a interpretação mantém um nível bastante elevado.
Blue Reflection Quartet não pretende competir com os gigantes do género através da escala ou da complexidade. A sua força reside precisamente na intimidade das suas histórias, na forma como trata o crescimento pessoal e na capacidade de criar personagens memoráveis. Juntando quatro aventuras por um preço extremamente competitivo, esta compilação transforma-se na edição definitiva de uma série que sempre mereceu maior reconhecimento.
Nota: 7/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





