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Jogos: Culdcept Begins – Análise

Culdcept Begins junta um jogo de tabuleiro com cartas e estratégia num híbrido viciante e caótico.

Culdcept Begins

Jogo: Culdcept Begins
Disponível para: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Neos Corporation
Editora: Neos Corporation

Culdcept Begins

Culdcept Begins é um daqueles jogos que parecem difíceis de vender em meia dúzia de frases, mas que revelam a sua identidade logo ao primeiro turno. À superfície, há um tabuleiro, um dado e territórios para conquistar. No fundo, há um sistema táctico com nervo, com o ADN de um jogo de cartas coleccionáveis misturado com a lógica imprevisível de um party game cruel. É uma fórmula antiga, sim, mas aqui surge afinada, polida e muito mais fácil de agarrar do que a sua reputação sugere.

A grande força de Culdcept Begins está precisamente nessa fusão entre mecânicas. Movemo-nos pelo mapa à boleia da sorte, recolhemos mana ao passar pela casa inicial e tentamos aumentar o valor do nosso portefólio até atingir a meta final, para depois regressar a casa. Parece simples, mas basta alguém cair numa propriedade nossa para a mesa explodir em tensão. Pode pagar, pode lutar, pode perder o território, pode virar o jogo num só turno. Essa incerteza é o combustível da experiência, e também o que a torna tão deliciosa quanto frustrante. Há momentos em que o jogo parece uma pequena guerra fria em formato de tabuleiro, com cada decisão a carregar peso real.

Culdcept Begins

O deckbuilding é outro ponto alto. Construir um baralho de 40 cartas com cerca de 400 opções entre monstros, armas, armaduras e feitiços dá uma margem enorme para experimentar. Há espaço para baralhos agressivos, listas defensivas, estratégias de manipulação de dados e truques sujos para limitar o movimento do adversário. O melhor é que o jogo não enterra o jogador em menus indecifráveis. Tudo é surpreendentemente intuitivo, com uma curva de aprendizagem que respeita o novato sem abdicar da profundidade. Isto conta muito, porque Culdcept Begins vive de conhecimento, leitura do tabuleiro e adaptação. Quem tentar jogar só com instinto vai levar um abanão.

Na campanha, a história acompanha Kamru, filho de um lendário Cepter desaparecido, numa academia real onde magia e rivalidade estudantil andam de mãos dadas. O início é lento, quase pedagógico demais, e os primeiros capítulos funcionam como um tutorial prolongado disfarçado de confrontos escolares. Não é um desastre, mas também não é memorável. Há quem o veja como um grão de areia necessário para desbloquear mapas e cartas, e há quem o encare como uma travagem desnecessária ao ritmo. Fico algures no meio. O enredo cumpre, sem grande brilho, mas também sem envergonhar o conjunto.

É no multijogador que Culdcept Begins encontra o seu verdadeiro motivo de existir. As partidas duram cerca de meia hora, mas cada uma parece um pequeno duelo de xadrez com dados, onde uma vantagem pode evaporar num instante. Local, online ou contra a IA, o jogo oferece variedade suficiente para repetir sem cansar, até porque os baralhos e os mapas mudam bastante o tipo de abordagem. Na Switch 2, o GameShare é uma adição excelente, porque facilita sessões estratégicas com amigos sem complicações. Visualmente, a mudança para personagens chibi pode dividir opiniões, mas os cenários, as cartas e a direcção artística têm personalidade. A performance, essa, é impecável.

Culdcept Begins

Culdcept Begins não é um jogo para quem procura adrenalina constante. É para quem gosta de pensar, planear, improvisar e aceitar que a sorte também joga. Quando tudo encaixa, é brilhante. Quando não encaixa, pode ser impiedoso. Ainda assim, é precisamente essa tensão que o torna especial.

Nota: 7,5/10

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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