Jogos: Marvel Maximum Collection – Análise
Marvel Maximum Collection reúne 13 clássicos da Marvel dos anos 90 numa compilação sólida, nostálgica e surpreendentemente bem adaptada aos tempos modernos.
Jogo: Marvel Maximum Collection
Disponível para: PC, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox Series
Versão testada: Nintendo Switch
Desenvolvedora: Limited Run Games
Editora: Limited Run Games
Há compilações que existem apenas para capitalizar a nostalgia, e depois há projetos que procuram preservar uma parte importante da história dos videojogos. Marvel Maximum Collection pertence claramente à segunda categoria. A Limited Run Games não tenta reinventar estes clássicos, nem lhes aplica uma camada artificial de modernidade. Em vez disso, apresenta-os de forma quase museológica, mantendo intacta a sua identidade, as suas virtudes e, claro, os seus defeitos.
O resultado é uma coleção que funciona simultaneamente como produto comercial e como cápsula do tempo, recuperando treze títulos marcantes da era arcade e 16 bits, muitos deles fundamentais para compreender a evolução dos jogos licenciados da Marvel.
O grande destaque continua a ser X-Men: The Arcade Game, o verdadeiro coração desta coletânea. O clássico da Konami permanece um dos melhores beat ’em ups alguma vez produzidos, com sprites de grande dimensão, animações expressivas e uma apresentação visual que transpira energia de banda desenhada. A ação mantém-se rápida, caótica e extremamente divertida, especialmente agora com suporte para jogo online até seis jogadores, rollback netcode e cross-play. É um excelente exemplo de como atualizar um clássico sem comprometer aquilo que o tornou memorável.
Fora esse ponto alto, a qualidade dos restantes títulos é naturalmente mais desigual, mas essa irregularidade acaba por reforçar o valor histórico do conjunto. Captain America and the Avengers mantém o seu charme peculiar, com uma mistura curiosa entre combate lateral e segmentos mais próximos de um shooter. Já Spider-Man and Venom: Maximum Carnage continua a destacar-se pelo forte apelo visual, pelas cutscenes em estilo comic e pela icónica banda sonora dos Green Jellÿ, embora o ritmo de jogo se torne repetitivo ao fim de algum tempo. Separation Anxiety, por outro lado, surge como uma experiência menos conseguida, presa a cenários menos apelativos e a uma jogabilidade mais imprecisa.
Onde esta compilação realmente brilha é nas melhorias de qualidade de vida. O sistema de rewind, os save states, os cheats opcionais e os filtros CRT configuráveis fazem toda a diferença. Jogos que outrora eram quase punitivos tornam-se finalmente acessíveis sem perderem a sua essência. Silver Surfer beneficia particularmente desta abordagem, revelando-se um shooter muito mais competente do que a sua reputação histórica fazia supor.
O arquivo adicional, com scans de capas, manuais e publicidade da época, reforça a vertente de preservação, ainda que se sinta a falta de conteúdos mais aprofundados sobre o processo de desenvolvimento e o contexto histórico de cada título.
Marvel Maximum Collection não é uma compilação perfeita, mas é uma celebração genuína de uma era muito específica dos videojogos da Marvel. Entre clássicos intemporais, curiosidades menos conseguidas e excelentes ferramentas modernas, esta é uma edição que merece a atenção de qualquer fã de retro gaming e banda desenhada.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





