“One World Under Doom” é uma saga indispensável?
Após a saída de um novo trailer do filme Avengers: Doomsday as expectativas são altas. O grupo mais notável dos Super-heróis da Marvel Comics regressa ao cinema enunciando um evento de proporções apocalípticas que promete agitar este universo que seduziu diferentes gerações nas duas últimas décadas. Desta vez não só reencontraremos os Avengers já apresentados deste universo, como o seu cruzamento com outros grupos que merecem igual destaque como o Quarteto Fantástico e os mutantes X-Men, que fazem parte de outras realidades, certamente ameaçadas pelo vilão agora em destaque: Victor von Doom, também conhecido por Dr. Doom (imortalizado em português como Dr. Destino).
A escala de ameaça de um vilão que promete unir diferentes universos promete fazer referência das suas amplas capacidades ou dons, pois Doom, mais do que um engenheiro e físico notável, também se desenvolveu como mago e reúne o melhor ou o pior que a Ciência e a Magia têm para oferecer a um homem extremamente ambicioso, que não olhará a meios para se tornar senhor supremo (do mundo ou de um universo, se assim o conceber). Não será por acaso que faz sentido promover as bandas desenhadas onde este vilão mais se destacou ao longo das últimas décadas, incluindo os arcos que novos leitores sentirão curiosidade em ler. Todavia, talvez o mais relevante seja igualmente um dos mais recentes, que faria todo o sentido em traduzir para português e promover em território nacional. Trata-se de One World Under Doom.
One World Under Doom não só revela um vilão bem-sucedido: Dr. Doom torna-se efetivamente Imperador do Mundo, reconhecido por todas as nações e líderes do planeta, seduzindo milhões através das suas políticas bem sucedidas e do seu talento para inspirar aqueles que antecipam um melhor futuro através daquele que não é apenas um génio, a nível da diplomacia e no campo do domínio tecnológico, como Feiticeiro Supremo. Esta é a sequência da saga Blood Hunt (2024) que culmina com o perigo representado por um domínio vampírico mundial e com a obtenção do título outrora possuído pelo Doutor Estranho após ter sido iludido por Doom. A quebra da promessa de Victor para com Strange (Estranho) conduz a um evento digno de mudar tudo. Será o mundo realmente salvo, como garante Victor?
As consequências de um (mau) acordo que é a cedência deste nível de poder a um tirano não se fizeram esperar e tudo parece indicar que pouco ou nada se pode fazer para contrariar Victor Von Doom: Antecipando os movimentos dos seus adversários, conquistando o coração da maioria das pessoas e dando provas de promover a paz e o progresso, aniquilando outros vilões – sobretudo os que fazem parte da Hydra, além de enfrentar Dormammu – os super-heróis que suspeitam dos seus verdadeiros intentos têm dificuldades em comprovar que o orgulhoso Dr. Doom não é um líder generoso e benevolente. É então que se começa a colocar a questão: E se um ditador controlador e megalómano como o novo e descarado Feiticeiro Supremo revelar ser genuinamente eficaz e competente?
Mas com Victor Von Doom nada é o que parece, apesar de Reed Richards ser o principal e firme opositor do vilão a tentar sustentar esta teoria, que começa a ser equacionada por outros dos seus principais aliados e amigos. O sacrifício da liberdade pela troca de segurança, prosperidade, paz e ordem é, segundo Reed, uma deturpação da realidade imposta por Doom, que se recusa a dar-lhe o benefício da dúvida.
A suspeita de Reed Richards fundamentar-se-á à medida que desenvolve um plano para estudar e tentar expor o verdadeiro carácter daquele que enfrentou um elevado número de vezes. Entre a manipulação e as ilusões geridas por homem super-poderoso em busca de glória, segredos sujos e fantasmas dos abusos consentidos pelo seu regime ocultam-se na Latvéria, onde vários super-heróis se introduzem. Levar a cabo uma missão arriscada pode levar a consequências de ordem trágica, já que desafiar e testar a paciência de Dr. Doom, procurando expo-lo, pode significar a mais pesada das derrotas. Uma batalha de proporções épicas com os super-heróis toma lugar e o vilão mostra ser um adversário à altura. Só que tudo culmina de uma forma inesperada, o que realmente conduz não propriamente a uma derrota do inimigo, mas a uma decisão única que ninguém jamais esperaria de um dos mais ousados e calculistas vilões da Marvel Comics, com as consequências que não convém revelar para quem prefere aguardar por ter a oportunidade de ler toda a série em BD.
One World Under Doom é mais do que uma saga recomendada. Permite a um elevado número de novos fãs conhecerem as diferentes facetas, além das múltiplas contradições, da complexa personalidade de um vilão que regressa ao cinema para enfrentar todos os super-heróis já conhecidos da Marvel – desta vez representado pelo ator Robert Downey Jr. (n.1965), o icónico Iron-Man. A história foi escrita por Ryan North (n.1980) e desenhada por R.B. Silva (n.1981), que contaram ainda com a arte a nível de cores de David Curiel (n.1977) e a colaboração de outros autores criativos como Bernard Chang (n.1972), Ruth Redmond e Travis Lanham.
A série principal envolve nove números saídos em 2025 (One World Under Doom #1–9) além de outras edições paralelas que abordam esta realidade de um mundo dominado por Dr. Doom como Fantastic Four #28-33 (2025), Superior Avengers (2025) #1–6, Doom Academy #1–5, Doom’s Division #1–5, Thunderbolts: Doomstrike #1–5, Doctor Strange of Asgard #1–5, Storm #5, Weapon X-Men #1, Runaways (2025) #1–5, G.O.D.S.: One World Under Doom #1.

Fascinado por História da Arte e pelo Universo Criativo da Ficção, é um entusiasta consumidor de Banda Desenhada além de leitor assíduo de obras de Ficção Científica e de Terror, com particular predileção pelo Oculto e o Sobrenatural




