Jogos: Rumbral – Análise
Rumbral é um platformer sombrio que mistura puzzles e narrativa ambiental, mas a sua curta duração impede-o de deixar uma marca duradoura.
Jogo: Rumbral
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: OSEA Innovations
Editora: Out of Mana, Dojo System, Pdpartid@games
Rumbral é daqueles jogos que está num grupo muito especifico, em que apostam tudo na atmosfera e esquecem-se do resto. Este título tenta capturar a magia de clássicos indie como Limbo ou Inside, com uma abordagem minimalista e um mundo carregado de simbolismo. A ambição está lá, sente-se em cada frame, mas a execução nem sempre acompanha.
A premissa é simples, acordamos num mundo devastado, sem memória, sem contexto, sem nada. Não há tutoriais, não há explicações, apenas aquele impulso básico de andar para a direita e perceber o que vem a seguir. É um design intencional, quase purista, que aposta na intuição do jogador. Funciona, até certo ponto, sobretudo porque o level design consegue guiar subtilmente o olhar e o movimento, mas também cria momentos de frustração quando a lógica não é tão clara quanto o jogo pensa que é.
O grande trunfo mecânico de Rumbral é a alternância entre realidades, ativada através de estranhas poças de líquido magenta. Este sistema de “reality shifting” é, sem dúvida, o coração da experiência. Resolver puzzles exige pensar em dois estados do mundo em simultâneo, ligar peças de um lado com soluções do outro. É inteligente, é criativo, e quando encaixa, encaixa muito bem. O problema é que mal temos tempo para o dominar, o jogo acaba. E isso pesa, pesa mesmo.
A nível artístico, Rumbral brilha. Há uma estética de conto negro, com ecos de Tim Burton e Little Nightmares, mas com identidade própria. Os cenários têm profundidade, as florestas e fábricas abandonadas respiram uma melancolia constante, e o uso de luz e sombra é particularmente eficaz. A banda sonora acompanha este tom na perfeição, criando tensão sem ser invasiva. Aqui, nota-se claramente o cuidado e o talento da equipa.
Já os controlos são um caso misto. São minimalistas, o que em teoria ajuda à imersão, mas na prática podem ser inconsistentes. Pequenos erros ao saltar, ao agachar ou ao interagir com objetos tornam-se irritantes, sobretudo num jogo que exige precisão. Não arruínam a experiência, mas também não ajudam.
E depois há o maior problema de todos, a duração. Uma hora, talvez menos, para ver tudo. Quando finalmente estamos investidos, quando o jogo começa a mostrar o que poderia ser, termina abruptamente. Fica a sensação de uma demo estendida, não de um produto completo.
Rumbral é um primeiro passo interessante para uma empresa novata, com ideias fortes e uma identidade visual marcante, mas falta-lhe substância e polimento para se destacar verdadeiramente.
Nota: 5,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






