Jogos: Ys Memoire: Revelations in Celceta – Análise
Ys Memoire: Revelations in Celceta é um regresso sólido, com combate rápido e música de luxo, mas uma narrativa que não acompanha o ritmo.
Jogo: Ys Memoire: Revelations in Celceta
Plataforma Disponível: Nintendo Switch
Plataforma testada: Nintendo Switch
Editora: Marvelous Europe
Ys Memoire: Revelations in Celceta chega à Nintendo Switch como mais uma iteração de um jogo que já viveu várias vidas, desde a sua origem como reinterpretação “canónica” de Ys IV até este remaster com pedigree de portátil. E sim, sente-se essa herança. Há aqui um núcleo clássico, quase teimoso, que resiste ao tempo, para o bem e para o mal.
A premissa continua eficaz, Adol Christin acorda sem memórias numa terra desconhecida, a misteriosa floresta de Celceta, e parte para a explorar com Duren, guiado por incentivos quase burocráticos de cartografia. É um gancho simples, funcional, e nas primeiras horas até prende. O problema surge quando a narrativa tenta escalar para temas maiores, deuses, artefactos antigos, impérios caídos. Falta-lhe peso dramático, falta-lhe impacto, e o final chega abrupto, quase como se alguém tivesse desligado a consola a meio da frase. Não é desastroso, mas também não fica na memória, especialmente quando comparado com outros capítulos da série.
Felizmente, o coração do jogo bate noutro sítio, o combate. Aqui, Ys continua a ser Ys. Rápido, fluido, quase rítmico. Alternar entre personagens para explorar fraquezas inimigas, slash, strike, pierce, dá ao sistema uma camada táctica que funciona bem durante grande parte da campanha. A mecânica de flash dodge e flash guard é o verdadeiro destaque, recompensando timing perfeito com janelas de dano brutal, quase um mini jogo dentro do próprio combate. É viciante, é satisfatório, e eleva encontros que, de outra forma, seriam banais.
Nem tudo é perfeito neste campo. Alguns bosses parecem esponjas de dano, outros caem depressa demais, e poucos apresentam mecânicas memoráveis. Há ali um desequilíbrio que se nota, sobretudo em dificuldades mais altas.
A exploração, apesar do conceito de mapear uma floresta vasta, é mais linear do que o discurso inicial sugere. Há bifurcações, sim, mas raramente levam a algo transformador, normalmente um baú, um fragmento de memória, e pouco mais. Os artefactos de progressão, como as botas que permitem ganhar impulso ou o amuleto que encolhe a equipa, introduzem variedade, mas nunca chegam a reinventar o ritmo.
Visualmente, este Memoire cumpre, corre a 60fps estáveis e isso faz toda a diferença na jogabilidade, mas não esconde as raízes na era PS Vita. Texturas simples, aliasing visível, modelos datados. Em contraste, a banda sonora é excelente, com arranjos cheios de energia, guitarras eléctricas e pianos intensos que carregam cada batalha.
Há ainda decisões estranhas no port, ausência de auto-save, falta de modo turbo, e praticamente zero conteúdo novo para quem já jogou versões anteriores. É um pacote competente, mas conservador.
Ys Memoire: Revelations in Celceta é, no fundo, um bom action RPG que vive mais da sua jogabilidade do que da sua história. Para fãs da série, é um regresso confortável. Para novos jogadores, é uma entrada sólida, mas não a mais memorável.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.






