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Jogos: Dead as Disco – Primeiras Impressões

Dead As Disco mistura ritmo e pancadaria num dos Early Access mais promissores de 2026, com estilo e música a transbordar personalidade.

Dead As Disco

Jogo: Dead As Disco
Disponível para: PC
Versão testada: PC
Desenvolvedora: Brain Jar Games, Inc.
Editora: Brain Jar Games, Inc.

Dead As Disco

Há jogos que tentam parecer fixes. Depois há Dead As Disco, que entra em cena como um velho casaco de cabedal, gasto no ponto certo, confortável desde o primeiro minuto e cheio de atitude. É um rhythm beat ’em up, mas chamar-lhe apenas isso seria reduzir demasiado aquilo que está aqui. A energia lembra Devil May Cry, o flow faz lembrar Guitar Hero e DDR, e a agressividade mecânica aproxima-o mais de um Tekken cheio de néons do que de um jogo rítmico tradicional.

A premissa ajuda logo a vender a ideia. Charlie Disco, músico assassinado há dez anos, regressa dos mortos durante uma única noite para reunir a antiga banda, tocar um último concerto e descobrir quem o matou. Acompanhado por Vice, um crânio flutuante com sotaque alemão que rouba praticamente todas as cenas em que entra, Charlie mergulha num mundo dominado pela Harmony, uma corporação que controla a música, os artistas e até a identidade das pessoas. Sim, é subtil como um murro na cara, mas funciona. O jogo é político, zangado e descaradamente anti-corporativo, mas raramente soa forçado ou panfletário.

Dead As Disco

O combate, chamado Beat Kune Do, é onde Dead As Disco realmente explode. Tudo acontece ao ritmo da música, socos, esquivas, counters, finishers. Mesmo sem timing perfeito, os golpes encaixam na batida e isso evita a frustração típica de muitos rhythm games. Mas quando o jogador entra no ritmo certo, quando cada dodge e cada combo acertam precisamente no BPM da faixa, o jogo transforma-se. O áudio reage aos impactos, os efeitos visuais intensificam-se, o Fever Meter sobe num instante e o combate ganha uma fluidez absurda. É simples de aprender, mas incrivelmente satisfatório de dominar.

Os bosses são o ponto alto absoluto. Cada Idol representa uma antiga peça da banda de Charlie e cada confronto mistura espetáculo visual, storytelling e mecânicas únicas. O combate contra Prophet, por exemplo, começa nas ruas e acaba numa arena esgotada, com transições animadas que parecem retiradas de um videoclip cyberpunk. Já Hemlock oferece uma das batalhas mais brutais do Early Access, especialmente no modo Challenge, onde o jogo perde completamente a paciência para erros.

Dead As Disco

A banda sonora também merece destaque sério. Metalcore, rap, dance pop, clássicos reimaginados, tudo encaixa surpreendentemente bem. “Maniac” durante o nível de Hemlock é um momento ridiculamente forte. O mesmo para “Disco is Dead” no confronto contra Prophet. Há personalidade sonora em quase todo o lado, embora seja estranho que um jogo chamado Dead As Disco tenha tão pouca identidade verdadeiramente disco associada ao próprio Charlie.

Porém, o facto de não existir calibração áudio e vídeo é um problema grave num jogo de ritmo. Em certos monitores, o input lag pode destruir completamente o flow do combate. Também há falhas ocasionais no registo de comandos, especialmente em ataques carregados, e os checkpoints nos bosses são demasiado punitivos para lutas tão longas. Nota-se ainda que este Early Access é mais “EP do que álbum”, há qualidade, mas ainda falta volume de conteúdo.

Dead As Disco

Mesmo assim, Dead As Disco já parece mais completo do que muitos lançamentos finais. É estiloso sem ser vazio, furioso sem ser cansativo e mecanicamente viciante quando tudo encaixa. Se a versão final conseguir expandir esta fundação sem perder personalidade, podemos estar perante um futuro clássico cult.

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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