Jogos: Ariana and the Elder Codex – Análise
Ariana and the Elder Codex é um Metroidvania vibrante, com combate veloz, charme visual e algumas escolhas que dividem opiniões.
Jogo: Ariana and the Elder Codex
Disponível para: PC, Nintendo Switch, PlayStation4, PlayStation 5
Versão testada: PlayStation 5
Desenvolvedora: Idea Factory, Compile Heart
Editora: Idea Factory International, Inc.

Há jogos que chegam sem grande ruído e acabam por apanhar muita gente de surpresa. Ariana and the Elder Codex é precisamente um desses casos. Co desenvolvido pela Compile Heart, Idea Factory e HYDE, este action platformer 2D com ADN de Metroidvania entra em cena com uma identidade visual forte, uma protagonista carismática e um sistema de combate que, quando encaixa, é puro espectáculo. Não reinventa o género, nem tenta fazê lo, mas encontra um equilíbrio curioso entre acessibilidade, ritmo arcade e worldbuilding denso.
A primeira coisa que salta à vista é o seu lado estético. Há aqui uma direcção artística muito inspirada, com cenários pintados que parecem saídos de uma banda desenhada de fantasia, cores intensas e pequenos detalhes temáticos que dão personalidade ao mundo, como as fissuras na realidade representadas como rasgões em papel. É elegante, é distinto, é memorável. Ariana, apresentada em formato chibi durante a jogabilidade, move se com uma fluidez deliciosa, enquanto os retratos 2D nas cenas narrativas são vibrantes e expressivos, carregados de presença.
Ariana and the Elder Codex é quase dois jogos dentro de um só, metade plataforma de acção, metade visual novel. A história coloca nos na pele de Ariana, uma poderosa bibliotecária que entra em sete códices mágicos para restaurar o fluxo da magia num mundo assolado por uma maldição misteriosa. Pelo meio, procura respostas sobre o desaparecimento dos pais, enquanto interage com figuras como Vester e Divina, personagens que ajudam a construir um universo com bastante lore, bastante contexto e bastante texto. Talvez até texto a mais.
Esse é um dos grandes pontos de divisão. Há momentos em que o jogo investe tanto em exposição narrativa que quebra o impulso da aventura. Nem sempre o diálogo acrescenta peso dramático, nem sempre aprofunda personagens, muitas vezes apenas prolonga o que já percebemos. Para quem gosta de mergulhar em mitologia, relações entre humanidade, demónios e magia, há aqui material rico. Para quem procura andamento, o botão de avançar conversa torna se um velho amigo.
Tudo é rápido, responsivo e satisfatório. Os ataques mágicos têm impacto, os combos saem naturalmente, os cancel animations tornam o moveset ágil e o sistema de seis habilidades equipáveis dá margem para criar loadouts eficazes. O detalhe inteligente é que até o ataque corpo a corpo funciona como magia, sem cooldown no golpe principal, o que permite encadear ofensivas quase sem pausa, lançar inimigos no ar e manter pressão constante. Quando entram em jogo fraquezas elementais, stagger gauges e o devastador Magic Burst, o combate ganha uma camada táctica genuína.
Feitiços explodem no ecrã, números de dano surgem em cascata, partículas voam por todo o lado. Por vezes, até demais. Em certas arenas fechadas, onde somos obrigados a derrotar vagas de inimigos para avançar, o excesso visual pode dificultar a leitura da acção. Encontrar Ariana no meio da pirotecnia mágica nem sempre é imediato, o que cria pequenos momentos de frustração num sistema que, de resto, é sólido.
A exploração também cumpre bem o seu papel. A biblioteca central funciona como hub, com NPCs que expandem o universo e oferecem pequenos bónus úteis, enquanto cada Codex apresenta biomas distintos e mecanicamente variados. O loop clássico de desbloquear salto duplo, dash aéreo e regressar a zonas antigas funciona, ainda que o backtracking obrigatório para atingir completismo possa quebrar o ritmo narrativo. E há outro problema, a variedade de inimigos é curta. O jogo recicla demasiado os mesmos arquétipos, mudando paletas e afinidades elementais, mas pouco mais.
Ainda assim, os bosses compensam largamente. São criativos, multi fase, exigem adaptação e, no modo Hard, puxam mesmo pelo jogador. Pena que o boss final represente um pico de dificuldade algo desajustado face ao resto da campanha, que é bastante mais permissiva.
No fim, fica a sensação de que Ariana and the Elder Codex termina cedo demais. Quando os sistemas começam a mostrar todo o seu potencial, aparecem os créditos. É uma aventura compacta, charmosa e tecnicamente competente, com algumas arestas óbvias, mas também com alma, personalidade e momentos genuinamente entusiasmantes.
Nota: 7,5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





