Cinema: Crítica – Uma Família No Ringue (2019)

Durante décadas que a World Wrestling Entertainment (WWE) têm criado uma legião de fãs que acompanham semanalmente os episódios de RAW e Smackdown, as novelas constituídas por atletas-lutadores no elenco, em narrativas de bom versus mau. Frequentemente criticado pelos mais ignorantes que rotulam isto como “falso”, o mesmo está no mesmo reino que o cinema ou o teatro, onde a questão não é a sua falsidade, mas sim ser algo com um argumento escrito e pré-planeado, onde os actores muitas vezes sacrificam o seu próprio corpo para o nosso entretenimento.

Uma Família no Ringue, o mais recente filme escrito e realizado por Stephen Merchant, mostra-nos a história de origem de uma das wrestler mais influentes dos últimos tempos, Paige, a lutadora mais nova de sempre o vencer o título de Divas Championship, com apenas 21 anos de idade.

Mas muito antes disso, Paige era Saraya Knight (Florence Pugh), uma jovem cuja família toda é feita de wrestlers. O pai Ricky (Nick Frost), a mãe Julia (Lena Headey) e o irmão Zak (Jack Lowden), todos colaboram juntos numa associação independente de wrestlin . As boas notícias chegam quando Saraya e Zak são convidados para fazer provas para a WWE em Londres, ao qual Saraya inicia uma nova luta a caminho de ser uma das novas superestrelas da maior empresa de entretenimento do mundo.

Esta jornada é feita duma forma leve, onde a estrutura tradicional de uma personagem humilde vai subindo até ao topo, ultrapassando todos os obstáculos à sua frente, provando aquilo que vale. Nada falta aqui, desde dos treinos árduos à sua capacidade física e mental, ao bom estilo militar; como a sua integração dentro dos seus pares, neste caso outras raparigas, abordando a reputação que a WWE tem de recrutar modelos de fitness que nunca sequer viram wrestling têm uma oportunidade de serem lutadoras.

  Já existe trailer para a continuação de Shining

A demonstração de paixão e o trabalho que Paige está disposta para atingir o seu sonho é carregado sobre os ombro de Dwayne “The Rock” Johnson, um dos grandes wrestlers dos anos ’90 e inicio do novo milénio, sendo também o primeiro que prosseguiu com sucesso uma carreira em Hollywood; como também de Vince Vaughn, como o treinador inspirador, numa personagem tanto cliché quanto se poderia esperar.

Aliás, toda esta obra não sai duma zona de conforto em termos de estrutura, mantendo uma consistência segura mas conseguindo manter o interesse pela sua temática relativamente nova, revelando, duma forma mais ou menos dramática, o processo de recrutamento de novos talentos, enquanto conta a história duma família diferente das outras e aquilo está no seu sangue, onde o sucesso de Paige é o grande objectivo final e um que temos todo o gosto em testemunhar.

No fim, Uma Família no Ringue é um filme com muita esperança e um coração cheio, mostrando a subida de Paige das suas origens humildes para o grande palco que é a WWE. Acessível tanto a fãs, que irão encontrar alguns easter eggs interessantes sobre os bastidores da empresa, como a quem procura uma história inspiradora, todos irão certamente encontrar aqui boas razões para saírem do cinema com um sorriso na cara.

Nota Final: 7/10

Ricardo Du Toit

Fã irrepreensível de cinema de todos os géneros, mas sobretudo terror. Também adora queimar borracha em jogos de carros.

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *