Cinema: Crítica – Tiro e Queda (2019)

Sucessor de Donos Disto Tudo e Estado de Graça, nos quais se satiriza temas atuais, surge o filme Tiro e Queda com a hilariante dupla Eduardo Madeira e Manuel Marques.

A história é essencialmente acerca de dois amigos parvos, Eddie e Manecas, que têm uma vida dupla “ultra secreta”. Manecas define-se como um grande intelectual e torna-se numa espécie de wikipedia ambulante acerca de variados temas enquanto que Eddie está constantemente no seu telemóvel a tirar selfies, o que demonstra de imediato a sua inteligente perante esta missão secreta.

Em conjunto, criam um misto de reflexões acerca da nossa sociedade, o que faz com que nos esqueçamos completamente da sua missão principal e o que era supostamente o centro da história. Por consequência, a narrativa é formada por segmentos variados com análises a tópicos distintos cujos têm pouca influência na história do filme. São de facto temas interessantes para refletir e que, por vezes, conseguem produzir momentos cómicos devido à boa química entre os protagonistas, no entanto, são introduzidos sem qualquer conexão lógica ao enredo.

Além disto, torna-se bastante aborrecido quando um tópico desnecessário é prolongado somente pelo fator cómico, cujo a maioria das vezes nem chega a resultar. A nível técnico, Eddie e Manecas estão numa cena a andar de carro e tentam ultrapassar o veículo de dois velhinhos, no entanto, a cena é formada de um modo bastante bizarro, no qual nem a edição a consegue remediar. Por outro lado, temos momentos que em papel provavelmente pareciam brilhantes como quando os protagonistas imitam Trump e Sócrates, tal como já haviam feito nos programas que mencionámos inicialmente, mas estão inseridos de uma forma altamente forçada. Nesta cena, Eddie e Manecas pretendiam camuflar-se, no entanto, a única pessoa existente no local já está a par da sua missão e a cena torna-se quase numa desculpa para os atores encarnarem estas figuras políticas novamente.

  Loyd Kaufman nas sessões especiais de "Mutant Blast"

Além disto, o final é uma completa balbúrdia em que o espetador acaba por não saber se os protagonistas têm um problema mental ou se são de facto agentes secretos/militares, pois por um lado deixam-se controlar pelas suas mulheres que supostamente não sabem da sua vida dupla, mas por outro recebem de facto uma mensagem em código e uma visita de uma mulher temível para a qual têm de cumprir a missão.

Por fim, é necessário mencionar a constante utilização do drone que transforma o filme quase numa publicidade a Viana do Castelo. No entanto, estes “anúncios” não se ficam por aqui. Produtos como “Pastel de Bacalhau” ou uma empresa de seguros roubam bastante tempo ao filme e diminuem ainda mais a estrutura criativa do mesmo. Infelizmente, a única observação a tirar é o porquê de ainda serem criadas obras tão dispensáveis no cinema português quando há histórias mais inovadoras que merecem uma maior atenção.

  • Tiro e Queda estreou a 17 de janeiro 2019 nos cinemas

2/10

Tiago Ferreira

Tiago Ferreira

Estudante de Cinema e Teatro, Crítico de Cinema, Fotógrafo novato e Cosplayer.

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1 Response

  1. Joana diz:

    Pior filme de sempre, ainda a fiquei até ao intervalo para ver uma única frase com piada, a sala em silêncio total, ninguém hoje no fórum Sintra, na sessão das 20:10 deu uma única risada quanto mais uma gargalhada, o filme nem sei do que se trata, os atores, nem parecem atores, foi uma falha total e lamento que tenha chegado às salas de cinema, nem percebo como passou para projeto de filme, argumentação nula, piada nas personagens nada, a história… Qual história? Abandonei a sala óbvio atrás de mim o alguém fez o mesmo e duvido que em alguma sala alguém fique a ver “aquilo”

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