Cinema: Crítica – Mulher em Guerra

Numa altura em que os problemas ecológicos e personalidades como Greta Thunberg estão na boca de todo o mundo, é exibido nas telas Mulher em Guerra, um filme que, disfarçando-se de comédia, tenta transmitir uma mensagem ambiental.

A nossa “mulher em guerra”, para contextualizar o leitor, é uma mulher islandesa chamada Halla (interpretada por Halldóra Geirharðsdóttir, que também interpreta a irmã gêmea de Halla). Uma mulher independente, na casa dos 50 anos, que quer combater conspirações governamentais e fábricas, com o intuito de melhorar o ambiente. Portanto, Halla trata-se de alguém que luta por todos, mesmo sendo apenas uma pessoa. Mas, como a vida dá reviravoltas, uma notícia inesperada chega e ela tem que começar a tomar decisões.

A história, à primeira vista, parece ter um conceito interessante que poderia chamar qualquer um à atenção relativamente a questões ambientais. Isto seria possível, se o filme não se arrastasse durante a hora e quarenta que dura. Além do problema de se arrastar, o grande problema deste filme é o facto de não existir forma de nos sentirmos interligados com a personagem, nem com aqueles a que somos apresentados ao longo da trama. No máximo, poderemos ganhar algum carinho por Sveinbjörn (interpretado por Jóhann Sigurðarson), um simpático homem que vive numa zona mais rural e que ajuda por várias vezes a nossa heroína. De resto, não há muito por onde pegar, especialmente, se pensarmos no pormenor de que a história tenta ser sobre ecologia, mas que, a certo momento, perde-se pelo meio e começa a dar maior destaque a dramas familiares.

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Porém, nem tudo é mau neste filme. A banda sonora é algo fantástica e peculiar ao mesmo tempo. A forma como Benedikt Erlingsson materializou-a e a implementou naquele mundo, é algo de extraordinário. Passo a explicar: durante o decorrer do filme, é possível ver a “banda” e “cantoras” que estão a tocar e a cantar as peças que compõe a trilha sonora do filme. Para onde Halla vai, eles vão atrás e, sem existir interação entre eles ao longo do filme, apenas numa situação em específico é que Halla toma consciência de que eles se encontram no mesmo espaço de que ela. É uma forma interessante de se abordar a banda sonora e que traz algo de diferente ao filme, tal como a fotografia do filme que está bem executada.

Resta concluir que, a ideia de Benedikt Erlingsson seria interessante. Uma forma diferente de espalhar uma mensagem importante. Isto é, se não se tornasse num filme aborrecido em que a mensagem se perde a meio e que leva a que sintamos que não existe um objetivo em concreto.

Nota Final: 4/10

Mulher em Guerra encontra-se em exibição nas salas de cinema portuguesas desde dia 27 de novembro

António Moura

Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.

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