Análise | Middle-earth: Shadow Bundle – O Sistema Némesis continua a fazer magia
Middle-Earth: Shadow Bundle reúne Shadow of Mordor e Shadow of War na Nintendo Switch 2, com todos os DLC, mas sem grandes melhorias técnicas.
Jogo: Middle-Earth: Shadow Bundle
Disponível para: Nintendo Switch 2
Versão testada: Nintendo Switch 2
Desenvolvedora: Aspyr
Editora: Aspyr
Há jogos que envelhecem melhor do que outros, mas poucos conseguem manter a sua identidade graças a uma mecânica tão marcante como o Sistema Némesis. Com Middle-Earth: Shadow Bundle, a Aspyr traz para a Nintendo Switch 2 duas das aventuras de ação mais interessantes da geração PlayStation 4 e Xbox One, acompanhadas por todo o conteúdo adicional. A questão é perceber se esta visita a Mordor continua a valer a pena em 2026.
Lançado originalmente em 2014, Middle-Earth: Shadow of Mordor apresenta-nos Talion, um guardião de Gondor que perde a mulher e o filho às mãos das forças de Sauron. Ressuscitado através da ligação sobrenatural a Celebrimbor, o lendário ferreiro élfico responsável pela criação dos Anéis do Poder, Talion parte numa jornada de vingança que rapidamente se transforma numa guerra pessoal contra as forças das trevas.
Embora decorra entre O Hobbit e O Senhor dos Anéis, a narrativa toma liberdades consideráveis com a mitologia de Tolkien. A presença de Gollum ajuda a estabelecer uma ligação ao universo conhecido, mas algumas das revelações e interpretações da história aproximam-se mais de uma fan fiction de elevado orçamento do que de uma extensão natural da obra original. Ainda assim, o ritmo e a dinâmica entre os protagonistas conseguem sustentar a aventura.
A sequela, Middle-Earth: Shadow of War, aumenta consideravelmente a escala dos acontecimentos. Talion e Celebrimbor procuram criar um novo Anel do Poder para desafiar Sauron, enquanto o conflito se estende a locais como Minas Ithil, posteriormente conhecida como Minas Morgul. Esta ambição traduz-se também na jogabilidade, com a introdução de um sistema de exércitos que permite dominar capitães orcs, organizar redes de espiões e conquistar fortalezas através de cercos de grande dimensão.
Ambos os títulos combinam o combate fluido popularizado pela série Batman: Arkham com a exploração furtiva e a movimentação inspiradas em Assassin’s Creed. As habilidades sobrenaturais de Talion acrescentam teletransporte ofensivo, visão espectral e ataques com arco, enquanto a progressão da personagem oferece novas ferramentas para lidar com inimigos cada vez mais perigosos.
Contudo, continua a ser o Sistema Némesis a grande estrela. Os capitães orcs recordam confrontos anteriores, desenvolvem rivalidades, ganham cicatrizes e podem regressar mais fortes depois de nos derrotarem. Até morrer às mãos de um inimigo aparentemente insignificante pode transformá-lo num capitão. Em Shadow of War, estas relações ganham outra dimensão, com a possibilidade de recrutar adversários e utilizá-los nas nossas próprias campanhas militares. É uma mecânica que ainda hoje dá origem a histórias inesperadas.
No plano técnico, a conversão para a Switch 2 é competente, mas conservadora. Os dois jogos apontam para 1080p em modo TV e 30 fotogramas por segundo, sem opções de desempenho a 60 fps ou suporte para HDR. No modo portátil, o ecrã mais pequeno ajuda a disfarçar algumas das texturas datadas, mas, numa televisão, as limitações visuais tornam-se mais evidentes. As quebras de fluidez durante combates caóticos e cercos, os carregamentos demorados e o aparecimento tardio de texturas também impedem uma experiência verdadeiramente polida. A mira por giroscópio é uma adição útil, embora insuficiente para compensar a falta de melhorias mais ambiciosas.
O pacote inclui as expansões narrativas The Lord of the Hunt e The Bright Lord, de Shadow of Mordor, assim como Blade of Galadriel e Desolation of Mordor, de Shadow of War, além dos restantes conteúdos adicionais. São dezenas de horas de jogo, sobretudo para quem quiser explorar tudo o que a sequela tem para oferecer.
No final, Middle-Earth: Shadow Bundle continua a ser uma proposta bastante interessante para quem procura duas aventuras de ação recheadas de conteúdo, sobretudo graças ao Sistema Némesis, uma mecânica que permanece tão original e imprevisível como no momento em que foi apresentada. Shadow of Mordor e Shadow of War envelheceram de forma razoável, mantendo um combate divertido e uma progressão capaz de nos prender durante dezenas de horas. Infelizmente, esta edição para a Nintendo Switch 2 limita-se a transportar as experiências originais para uma nova plataforma, sem melhorias técnicas de peso e com alguns problemas de desempenho que impedem uma adaptação mais convincente. Para quem nunca visitou Mordor, este pacote oferece uma excelente oportunidade para descobrir duas aventuras memoráveis, agora também em formato portátil. Já quem conhece bem os jogos terá poucas razões para regressar, a menos que queira voltar a enfrentar os exércitos de Sauron em qualquer lugar.
Nota: 7.5/10
Um pequeno ser com grande apetite para cinema, séries e videojogos. Fanboy compulsivo de séries clássicas da Nintendo.





